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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Mistério do Áureo Florescer






Uma das maiores tendências dos tempos atuais é ver pessoas buscando alegria, felicidade, prazer, realização de sonhos. A pergunta que nunca deixa de estar em primeiro plano é: Como atingi-los?
Mas antes dessa pergunta, urge que uma outra seja respondida: Porque eu quero isso?

A fonte dessas aspirações de vida pode estar longe de ser do tipo que traz águas que matam a sede, ou da água que dá ainda mais o que deveria suprir. Creio que ninguém ficaria contente ao sentir sede e receber um pedaço de paçoca na boca.

O que fazer para reconhecer a procedência de uma água e qual a sua real natureza? Analisá-la.
Mas transpondo isso para o aspecto da vida prática creio que levaríamos algumas centenas, pra não dizer milhares de anos. Essa é sem dúvida a má notícia. A boa é que muitos homens já fizeram grande parte desse trabalho ao longo da história. Sim, a sede pela água milagrosa não é uma busca contemporânea, de forma alguma... Mas como tudo que possui grande valor é conquistado após grande esforço, essas respostas não estão condensadas de uma forma única, e sequer são de fácil compreensão por qualquer que coloque as mãos nos escritos que iluminam a alma.

As respostas que saciariam a condicionada sede humana fazem parte de experiências, lições e sacrifício de incontáveis vidas, por incontáveis anos. É um preço alto e talvez ainda sim injusto a se pagar por isso. Lendo os diversos evangelhos, ou escritos orientais e hindus, temos uma quantidade impressionante de convergências no que concerce a práticas mentais, perfis comportamentais, ideologias a serem adotadas, e mais um turbilhão de devaneios e distorções de um caminho simples.

Contudo, a aplicação de algo simples se torna demasiadamente complicada quando falamos de vidas, almas, mentes que são tão diferentes como a constituição física de cada floco de neve que já desceu dos céus. É por isso que vemos uma diversidade incrível de seitas, grupos, religiões e sociedades secretas que teoricamente (ou aparentemente) buscam a mesma coisa. Aprimoramento, redenção, salvação, harmonia, paz, fraternidade. Alguns seres humanos se mostram invariavelmente incompatíveis com essa ou aquela doutrina, com esse ou aquele ditame comportamental, não importando o quanto se esforce para se adequar ao propósito.

São particularidades que inviabilizam a uniformização dos ensinamentos estabilizadores do eu absoluto, devendo as mesmas serem previamente expostas, com a maior dose de honestidade e desapego ao ego possíveis. Somente dessa forma é possível olhar para o que temos de mais bem guardado, ou propositalmente escondido, e dessa forma iniciar o penoso, porém inigualavelmente compensador trabalho manutenção do ser. Um ser cercado por dogmas, máximas, proibições infundadas ou vaidade exacerbada, pode infelizmente tentar mexer em si mesmo durante toda a vida, mas certamente não conseguirá nada além de arranhar sua própria superfície, criada pelo próprio ser, numa tentativa vã de proteger-se do sofrimento causado pelo simples ato de viver.
Tentar poupar-se dos estigmas causados por erros, decepções e desilusões é furtar-se da busca por uma alma forte, de um espírito completo. Toda queda é plataforma para uma grande ressureição, desde que o corpo e a mente estejam conscientes e fortes o suficientes para alçar tal voo.

Muitas outras questões que avassalam a quase todos tem origem em ações vindas de si mesmo, frutos de consequências impensadas ou mesmo desconhecidas, e um consequente despreparo no trato das mesmas. E quão árdua é a tarefa de reconhecer isso, para os que se revestem de uma armadura de autopiedade ou religiosidade, encontrando sempre um terceiro sob o qual recairá erroneamente a responsabilidade sobre qualquer tipo de fiasco? A consciência pode se sentir livre, mas o espírito permanece perturbado, e a paz, distante. Pois que mérito haveria no salvador de uma vítima colocada em perigo por si mesmo? Ou que honra haveria numa vitória sobre um adversário criado pelo próprio guerreiro? Isso não é evolução, não é aprendizado, e sim como o cão que anda em círculos diversas vezes antes de despejar no solo suas necessidades. Que sentido há em pessoas que não conseguem dominar nem a si mesmas em situações banais, mas ainda assim querem educar filhos, ensinar outras pessoas, dirigir comunidades,fiscalizá-las, ou ainda ditar regras gerais para o mundo?

O Segredo do Áureo Florescer é acompanhado da plenitude física, psíquica e espiritual, e jamais poderá ser sequer vislumbrado, sem que o desenvolvimento dessa tríplice que une o humano ao divino. Muito pouco se pode fazer nesse sentido quando vivemos cercados de tumúltuo, pressa e desconcentração, trazidos por uma sociedade iminentemente emocional, irracional, com todas as suas cores, formas, sons e informações sem filtro algum. Cidadãos que se acham livres e almejam a felicidade, na verdade se encontram atados como marionetes, sempre contemplando a longa distância tudo o que desejam, mas raramente chegando sequer a tocar no objeto de afeição. E ainda que consigam essa façanha, não atingem nada além da decepção, por perceber que tudo aquilo não passava de um jogo de fumaça e espelhos, onde a verdadeira realização encontrava-se no lado oposto.

Como veio o homem e se distanciar tão demasiadamente de sua essência primordial?
Que valor há hoje em caminhar descalço sobre a terra, ou sair na chuva para sentir aquele incomparável cheiro de renovo, de vida? Ou mesmo observar descompromissadamente o intenso e ofuscante brilho das estrelas numa noite de verão? Onde foram parar as atitudes e pensamentos básicos que nos tornam diferentes de qualquer animal que vive por instinto, para satisfazer seus próprios ímpetos? Como podemos nos vangloriar de um cérebro tão avançado se retrocedemos a ponto de usá-lo somente para satisfazer nossos desejos egoístas e pequenos, não pensando no todo, no maior? Que tipo de ser é esse que tem a capacidade de tornar o planeta onde vive um lugar maravilhoso, pleno, frutífero e harmonioso, mas consegue ser o pior parasita que essa Terra já conheceu?

É hora de parar. Ir contra a orientação de tudo e todos... e parar.
Sem reflexão toda e qualquer ação conduz à desgraça.
É hora de lembrar do nosso papel, e apressarmo-nos a cumpri-lo em primeiro lugar.
Ocupando-nos do dever, não porque depois teremos invariavelmente alguns direitos... Mas simplesmente porque é o que deve ser feito.

Que cada um aprenda a se conhecer, assim, poderá conhecer também a verdadeira liberdade.











earth.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Características do Homem Metropolitano





1. cinismo, desinteresse pelos grandes problemas interrogativos do homem;

2. ausência da dúvida;

3. espírito folgazão;

4. jargão cheio de molequismo como meio de linguagem;

5. falta constante do espírito de conservadorismo, sob qualquer aspecto;

6. necessidade imprescindível de encher o vazio interior com divertimentos mais violentos, excitantes mais rápidos;

7. pouca elegância nas maneiras; tendência para o chiste, para o humor, o trocadilho;

8. tendência às exterioridades, manifesta mais intensamente na busca do vestiário;

9. pretensão de superioridade sobre o provinciano que lhe serve de motivo de ridículo, sobretudo quanto às virtudes que este possui e que são olhadas pelo metropolitano como reminiscências de épocas ante riores que ele julga já ultrapassadas;

10. aumento do esquerdismo nas massas; na arte é atraído pelo temporal, pelo passageiro, pelo epidérmico;

11. não compreende mais arte pela arte; dissociação dos sentimentos nobres que eles os eiva de interesses e de lucros próximos;

12. ausência do heroísmo desinteressado;

13. gosto pela literatura leve, pelo romance em vez do ensaio, pela novela em vez do estudo; - ausência de ideais excelsos, substituídos pelas ânsias de vitórias materiais;

14. volubilidade crescente;

15. radicalização às ruas: “Tenho asfalto na alma...”;

16. nova concepção utilitária do amor;

17. transformação do casamento em companheirismo;

18. transformação do sentido provinciano da mulher;

19. tendência para maior liberdade sexual;

20. aumento da neurastenia e doenças nervosas;

21. modificação degenerativa de todos os sentimentos;

22. diminuição do sentido do destino, do signo, para incremento do sentido de causalidade;

23. redução dos instintos por uma padronização consciente normativa de um “modus-vivendi”;

24. maior tensão e vigília na vida;

25. mais vazio nas almas; artificialização crescente da vida e da criação consciente;

26. predomínio da moda, que segue num ritmo cada vez mais rápido;

27. instalação do provisório em suas construções e obras de arquitetura e consequente espírito de “moda”, na arte, com o envelhecimento precoce dos seus ídolos;

28. instalação de crenças variadas, com codificações de cunho típico metropolitano;

29. maior ingenuidade na aceitação dos fatos e nos divertimentos;

30. maior atração pela luz e pelo movimento;

31. mais crescente o sentido de morte nas obras humanas metropolitanas, que trazem sempre o gérmen da destruição;

32. completa ausência do sentido de reversibilidade do tempo, consciência mais forte da hora que passa, do segundo que passa;

33. gosto pelas coisas “exquises”, instauração da música de sons vitais e do ritmo mais sexual; - predominância no consciente dos problemas de ordem sexual;

34. aumento do “taedium vitae”;

35. maior fixação íntima da cidade que nunca abandona o metropolitano, mesmo quando ausente dela;

36. instalação do herói citadino, de brilho rápido, que se salienta por qualquer realização provisória como esportistas, políticos, locutores de rádio, aviadores, etc;

37. maior desagregação dos elementos raciais, para dar nascimento a um tipo comum; ausência de espiritualismo, com crescente desenvolvimento de doutrinas de fundo causal, científico; - divinização do dinheiro em contraposição ao sentido econômico rural dos bens;

38. infecundidade física e espiritual;

39. ausência de angústia quando se vê o último de sua família, sem possibilidade de perpetuação;

40. redução da natalidade, ao princípio como consequência de ordem econômica, finalmente formando o espírito do homem citadino;

41. redução do instinto maternal das mulheres, que passam bruscamente da meninice para a maturidade;

42. ausência do brinquedo ingênuo, infantil; espírito emancipativo das mulheres;

43. uniformização da urbanística metropolitana, entre si, entre as grandes cidades;

44. a música, a literatura, e a pintura e a escultura assumem um caráter profissional;

45. ausência do estilo e instalação do gosto;

46. desaparecimento dos costumes para dar lugar às maneiras de comportamento;

47. desaparecimento do traje popular pela influência de uma moda variável;

48. ânsia de imposição do estilo metropolitano sobre as partes ainda não conquistadas;

49. ânsia de imposição de formas genéricas para o domínio no mundo inteiro;

50. aumento crescente do agnosticismo como atitude filosófica, como posição mais fácil para enfrentar as grandes e eternas perguntas;

51. a originalidade como signo de decadência; nas metrópoles, na ânsia de originalidade, “Os homens excelsos não são originais”.






In: Páginas Várias, Mário Ferreira dos Santos.
apud Renan.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sex and The City Leftovers


por Jack Deth,

"Abri esse tópico para falar de uma reportagem que vi uma vez no canal CNN sobre o seriado “Sex and the City”.

A razão desse tópico é mostrar que essa imagem de “mulher moderna e independente” é pura bobagem e que esse papo que elas estão “felizes” é balela. E farei isso falando sobre a reportagem que eu vi, infelizmente não tenho link por que foi na TV a cabo que eu vi. Por isso darei um resumo da reportagem para vocês.

Basicamente a reportagem mostra que “Sex and the City” é totalmente fora da realidade. A equipe de reportagem comparou a vida de Carrie (a protagonista de Sex and the City) e suas amigas com a vida da mulher mediana americana.

Para demonstrar como é fantasioso “Sex and the City” a reportagem mostra, por exemplo, um episódio onde Carrie(lembrem-se que ela supostamente é a típica mulher de classe média) quer comprar sapatos da marca “X”(esqueci a marca). Comprar sapatos é normal, exceto que a equipe mostra que os tais sapatos, para serem comprados, custam nada menos que um ANO INTEIRO de salário de uma mulher de classe média, ou seja, é sapato para a Paris Hilton comprar.

Outro ponto interessante é em relação aos dates (encontros). A maioria das mulheres, quando arruma um encontro com um homem, não deseja ver o cara de novo (segundo a reportagem é por que mulheres estão atrás do "Big" - apelido do interesse amoroso macho-alfa de Carrie em “Sex and the City”- e que “big” é tão irreal quanto uma mulher de classe média comprar a marca de sapato que a Paris Hilton usa).

A reportagem também mostrou, por meio de estudos, que mulheres de carreira estão entre um dos principais grupos consumidores de anti-depressivo e que o consumo é maior nas mulheres de 35 a 45 anos.

Também havia entrevistas com terapeutas onde eles contam que o numero de mulheres invadindo seus consultórios aumentam bastante nos últimos anos e que o problema é quase sempre o mesmo: solidão e dificuldade de arrumar um parceiro.

Interessante também é a parte das entrevistas com espectadoras de “Sex and the city”.

Os comentários eram do tipo “eu queria ser a Carrie e ter vários homens interessantes atrás de mim, mas estou sozinha”, “queria freqüentar as festas e baladas que Carrie freqüenta”, “queria ter dinheiro para comprar as roupas que Charlotte(uma amiga de Carrie) usa”, “queria ser bonita que nem samantha(outra amiga de Carrie)” e por ai vai.

Uma socióloga resumiu bem “Sex and the City” dizendo: “Sex and the City mostra a vida que as mulheres GOSTARIAM de ter, não a vida que elas tem DE FATO.”

Em outros termos: “Sex and the City” é para as mulheres o que filmes tipo “Duro de Matar” são para homens. Todo homem gostaria de ser o Bruce Willis e matar 300 terroristas com um revólver com 6 balas.

A diferença é homens sabem que Duro de Matar não é real, mulheres parecem não perceber isso sobre “Sex and the City” ou qualquer outro filme/seriado de “mulher moderna”."



Portanto, muito cuidado com o que você vê. Toda e qualquer coisa que entra pelos olhos fica armazenado de alguma forma no cérebro, que não separa informações "boas" de "más", esse controle só é feito na hora de efetuar ações relacionadas ao tema anteriormente absorvido. E nem preciso dizer que quanto mais exemplos negativos existentes no subconsciente, maior a chance de que a pessoa aja seguindo aqueles padrões num momento de maior pressão ou descontrole. Até porque todos sabem que a boca fala do que o coração está cheio. E um coração cheio de coisas frívolas, desnecessárias, ou mesmo inúteis, ainda que despretensiosas, terá uma dificuldade extrema de produzir sabedoria e vida.

fikdik

Ano novo... mas só o ano?


'but now, no matter what I say, just look at the Fireworks!'



Enfim começa o último ano da primeira década do tão esperado novo milênio!
Como em toda virada de ano muita festa, comida, esperança, espectativas em alta.
Por todos os lados podemos ouvir fogos de artifício flamejando pelo céu, reacendendo a chama das resoluções mais otimistas para o ano que se inicia.

Por muitas razões as pessoas tem mesmo o que comemorar. A própria vida é uma razão incontestável de constante celebração e gratidão. Embora muitas delas venham sendo tomadas cada dia mais por causas naturais e fenomenológicas, o que preocupa no entanto, são as tomadas injustamente, ou por "acidentes", que nada mais são do que consequências da imprudência de tantos. Os fins definitivamente não justificam os meios quando se fala de vida. Mas quem se importa com isso, afinal é ano novo, começamos mais uma fase da vida, marcada por luzes, cores e sentimentos. Me pergunto se é de mais sentimentos que precisamos, num mundo em que tudo é movido pelo impulso, pela emoção, pelo pavio interno que é consumido dando lugar a uma torrente de hormônios e enzimas que produzem sensações que fazem cair por terra toda a nossa estrutura.

Digo isso pelo fato de que mais vale hoje ter uma violenta dose de prazeres do que tomar uma atitude consciente, ponderada, medida e racional. Digo isso pois o mundo está saturado do amor explosivo e carente, muito carente do amor de atitude, vindo de uma escolha. Esse amor não se curva diante de decepções, desilusões, não busca o próprio interesse e não aceita ser inebriado por malversações do cotidiano. E ainda digo que não basta o amor, se ele não vier acompanhado de base, atitude, estrutura. Os jornais trazem cada dia mais e mais notícias impressionantes de falta de amor, falta de humanidade no coração das pessoas, que agora começam a brincar de voodoo humano umas com as outras, ignoram laços de sangue, de afetividade, se esquecem de onde vieram e para onde vão. Ao passo que eu mesmo já não consigo contar quantas tentativas vãs de implantar uma suposta fraternidade no coração das pessoas tenho visto ultimamente. Talvez o que precisamos seja de uma atitude, uma postura, e não de mais comoção e lágriamas escorrendo pelas telas de plasma.

O exemplo já nos foi dado. Nos emocionamos e criamos sentimentos e depois disso, atitudes, por muito menos hoje em dia. Alguém abriu seus braços para o mundo sabendo que só receberia o pior dele. E não quem merecia, mas pelo contrário, quem menos merecia, dentre todos que já tocaram a superfície desse planeta.

Acordaivos irmãos! O reino dos céus é um presente demasiado precioso para os que se renegam diante das suas responsabilidades, colocando seus egos e a posição de comodidade acima dos demais. Que tipo de homem consegue sentar-se em seu trono posicionado sobre as cabeças de milhões de outros homens? Quantos mais precisarão aprender do jeito mais difícil... É tão difícil assim entender?

Pensemos em algo maior que a própria satisfação, pois garanto que ninguém precisa disso pra viver... se formos pensar friamente, o ser humano é o único animal que requer para si o direito de ser feliz... todos os outros se contentam apenas em existir. Talvez isso os permita viver em paz e equilíbrio uns com os outros, e todos com a natureza. Na sede cega pela realização de nossos desejos insólitos acabamos com a harmonia que deveria existir entre todos os seres e seu habitat natural.

A ciência tem se desenvolvido numa velocidade espantosa... novas formas de enegia, fusão atômica, teletransporte de micropartículas, acelerador gravitacional de antimatéria, máquina do tempo, cyberchips, nanotecnologia... tudo isso já deixou de integrar as mentes mais ousadas de diretores de cinema. As artes da mesma forma, não tem mais para onde se desenvolverem entre formas, cores, sons, cheiros, medidas, texturas... Mas o que será das ciências humanas no novo século do novo milênio? Talvez já esteja passando da hora de equilibrar a balança que pende violentamente para o lado da satisfação de desejos e necessidades irreais se consecução de emoções diversas, hedonismo, e voltarmos à linha de pensamento deixada por Kant, Dostoiévski, Weber e Goethe.


...um sonho será sempre um sonho de não acordarmos a tempo de realizá-lo.











'Oh Lord
Oh Lord
Won't you hear a sinner's prayer
Oh Lord

Oh Lord
Oh Lord
Won't you help me find the way
When I'm lost and lead astray
Oh Lord

Oh Lord
Oh Lord
Won't you help me to stay humble
Oh Lord

Oh Lord
Oh Lord
Won't you help me be an ocean
Help me bend to stay unbroken
Oh Lord

Save me, I'm drifting
Help me, I'm drifting

Oh Lord...
Oh Lord...
Oh Lord'

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A demagogia feminista matrixiana de Stephenie Meyer




Bom, seria difícil eu continuar calado por muito tempo diante do estrondoso e descabido frenesi causado pela série de livros recentemente publicada por esta autora norte-americana.

Minha intenção não é fazer uma resenha crítica das obras ou filmes já lançados, mas sim do impacto que elas tem causado na sociedade de forma geral, sobretudo no pensamento dos jovens (predominantemente dAs jovens).

Todos sabemos a predisposição natural que as mulheres tem para a apreciação de toda e qualquer obra dos gêneros romance e drama.
O que víamos até o momento eram filmes, livros, peças e até mesmo novelas repletas de histórias simultâneamente envolventes, emocionantes, intrigantes, belas, trágicas e muitas vezes incoerentes.

Digo isso pelo fato da maioria dos livros e filmes de romance que já vi serem marcados por uma série de clichês, que deixam os filmes um tanto quanto previsíveis e desestimulantes para os homens, mas inexplicavelmente atraentes para as mulheres. A resposta para essa questão não poderia ser mais óbvia, uma vez que homens e mulheres são tão diferentes, a começar pela mente; a deles, geralmente mais racional, e a delas, primordialmente emocional e sentimental. Essa é na verdade a tônica de quase todo livro de auto-ajuda moderno que trata do tema relacionamentos.

Pois bem, temos então uma série de livros onde nos é apresentada um tema aparentemente cheio de ficção, terror e coisas do tipo ( o que naturalmente atrairia mais a atenção dos homens), mas ao entrar no cinema para ver o primeiro filme da série (Crepúsculo) me vejo enganado e frustrado pois o filme nada mais era que um romance clichê, sob o prisma secundário de uma trama pobre e bucólica entre um vampiro "vegetariano" e uma mulher qualquer. Mas como assim, um vampiro nutrindo sentimento por uma humana? Um ser que biologicamente sequer deve fazer parte da mesma espécie dos humanos, que é primordialmente alimentado por sangue e carne humana? Onde está a lógica disso? Seria como que uma história de amor entre um cachorro e um gato.

Seguido a isso soma-se a entrada de outro mito frequentemente relacionado com o vampirismo. Temos também um lobisomem que invariavelmente se apaixona logo pela mesma mulher que o vampirinho apaixonado está envolvido. Forma-se então o triângulo amoroso presente em grande parte dos romances... nada de novo.

Mas alguns aspectos realmente fogem da regra, a começar do fato de que é a primeira vez que vejo um autor conseguir deturpar regras primárias, básicas e convencionadas pela prática reiterada no que concerne aos vampiros. Temos toda uma tradição milenar resguardando essa lenda que vinha sendo respeitada através dos séculos... até hoje.
Temos aqui um vampiro totalmente integrado no meio social humano... ele vai a uma faculdade, anda no carrinho do ano, usa roupinhas da moda, passa laquê e faz luzes no cabelo. Praticamente um pau mandado do mundo da moda (o que as mulheres adoram), mas tudo bem... Agora o mais incrível é que ele não morre ao entrar em contato com a luz solar, mas fica brilhando como uma jóia rara e cara (mais viagem errada pra ludibriar o tão facilmente ludibriável público feminino). Consequentemente, o covil de um vampiro tradicional, que deve ser num ambiente hermeticamente fechado, selado e sem a presença de qualquer luz solar dá lugar a um quarto de um jovem descolado e moderno, e de brinde a mulher ganha uma jóia em formato humano durante os dias ensolarados.
Isso por si só já faria qualquer homem ou mesmo mulher mais esclarecida repudiar e ridicularizar totalmente uma obra tão sensacionalista, tendenciosa e mal argumentada, mas vamos lá, o melhor (ou pior) está por vir.

Como é de se esperar de todo filme de romance que se preze, temos a presença de um (ou mais) homem que possui todas as "qualidades" que uma mulher sonha pra seu futuro cônjuge. São geralmente homens bonitos, altos, bem vestidos, ricos, inteligentes, destacados, poderosos, desejados, charmosos, sensíveis e não medem esforços pra conquistar o coração de sua amada. Até aí tudo bem, se formos revirar o mundo de ponta-cabeça talvez podemos achar uma dúzia desses indivíduos (uma dúzia em 3 bilhões). Mas vá lá, até agora ainda plainamos sobre o prisma da realidade, embora estejamos longe do prisma da possibilidade. Agora nesse tipo de filme qual é o tipo de mulher que eles escolhem aparentemente sem motivo algum pra despejarem esse caminhão de qualidades e afagos? Uma qualquer, uma mulher muitas vezes sem qualquer diferencial, não tão inteligentes, não tão bonitas, não tão charmosas ou divertidas... resumindo: um pão com ovo.

Agora onde está a realidade disso? Onde no planeta um cara que qualidades de um semideus vai se apaixonar loucamente por uma nada? Todo homem ou mulher com qualidades de destaque no mundo atual sabe de seu valor, e é proporcionalmente exigente. Essa correlação estabelecida entre homens de destaque e mulheres comuns não existe. E vice-versa (friso no vice-versa).
E não paramos por aí, pois no caso da nova febre vampiresca mundial tempos DOIS homens Alfa disputando uma mulher sem qualquer diferencial... uma adolescente não tão bela, grandemente insegura, cheia de dúvidas e dilemas. E o que eles fazem? Viram o rosto e procuram outra como ela, que conseguiriam sem qualquer esforço? Não, eles dedicam suas vidas, atenção, tempo, inteligência e força física na consecução do sonho divino de poder cortejar o pão com ovo. Irreal? Já fomos bem além da insanidade nesse ponto.

Mas tudo bem, agora vamos avaliar os pontos intrínsecos de toda essa disparidade: que valores são mostrados nos filmes de romance para o desejo infinito por parte das mulheres?
Homens com grande valor ético e moral, princípios e caráter inabaláveis? Uma família estável e intenção de criar um futuro sólido e uma família concreta e bem estruturada? Nem sempre. Aliás, esses fatores são colocados em segundo plano nos romances, são facilmente abafados por sua beleza, charme, dinheiro, influência social, fama ou poder.
Todas essas qualidades apresentadas no ser idealizado pelo estilo romântico são nada mais, nada menos que traços comportamentais, e não raízes de caráter e comportamento. Digo, qual a dificuldade que um tremendo picareta enganador teria em se portar como uma donzela, arrumar o cabelinho e as roupas, falar macio e o que a mulher iludida quer ouvir... ter grana. Qual dessas qualidades não pode ser forjada ou conseguida através de meios excusos?
A mensagem passada então é de que mais vale se casar com um político influente, um artista de cinema ou um mega-empresário do que um jovem bem intencionado, de caráter e boa família, uma vez que o jovem convencional não vai realizar os sonhos mais insólitos e delirantes das mocinhas que nada tem a oferecer em troca, a não ser o aceite pra todas essas regalias.
Alguém mais sente o cheiro de uma incoerência violenta aí?

Se até vocês, mulheres com algum bom senso que estão lendo isso aqui já perceberam, quem dirá os homens, que certamente ficam indignados com isso em sua maioria, salvo as exceções que já se vêem presos nesse sistema doentio, como numa Matrix. Passam a ter incutidas em suas mentes todas essas idéias e passam a realmente acreditar que isso é o normal, convencional... e passam a lutar pra se tornar esse cara "ideal" que busca uma mulher qualquer que nada vai o oferecer em troca, mas um "sim".

Quero deixar claro que não pretendo com essas palavras descreditar o amor, a paixão ou nenhum tipo de relacionamento. Estou apenas explicitando como se dão as coisas na realidade e não nos devaneios de jovens sonhadoras e emotivas. Que fique claro que uma coisa é o desejo, a comodidade, o sonho, outra é como a vida realmente é, como as coisas realmente acontecem.
Não sou contra ninguém querer o melhor pra si, e muito menos contra caras que lutam pra desenvolverem suas capacidades ao máximo, mas certamente não é saudável que o façam somente pra agradar o sexo oposto, e sim por si mesmos, a menos que queiram ser eternos platônicos frustrados.

E outra, mulheres, sejam coerentes... se vocês sonham mesmo com o melhor cara do mundo, procurem ser as melhores mulheres do mundo, ou então serão vocês as eternas platônicas. Procurem fazer por merecer o que vocês desejam, busquem humildade, sabedoria, auto-controle, sejam prendadas sim; lutem pelo próprio futuro ao invez de esperar que um riquinho apareça pra te pegar pra criar, construa as coisas na sua vida e continue construindo ao lado do homem que encontrarem... caso contrário vamos continuar tendo uma sociedade cada vez mais cheia de homens que buscam progredir e evoluir, e mulheres educadas no estilo Gossip Girl, patricinhas fúteis, metidas e alienadas cuja maior preocupação é como melhor gastar o dinheiro do pai, ou como trair o namorado sem rodar, e nas horas vagas fazerem fofocas, intrigas e trairagens diversas. Lembrem-se que por trás de todo grande homem, há uma grande mulher. Agora pensem se estão prontas para serem uma. Ou se isso que vcs buscam realmente configura um grande homem, ou apenas um playboyzinho romantizado.

Enfim, não sou anti-romancista nem anti-crepúsculo-lua-nova-e-o-caramba, sou contra essa disparidade mostrada nesse gênero de filme, que faz bem pro ego de qualquer mulher, mas que avassala pressopostos básicos de construção de uma relação estável, real, duradoura e verdadeira. Isso pode parecer insanidade ao ponto de vista das romancistas de plantão, mas qualquer pessoa com bom senso vai concluir que isso é honesto, coerente e justo.

Agora as mentes já estão deturpadas a tal ponto, que ao verem a natural, óbvia e consequente revolta do público masculino quanto a esse tipo de idolatria desvairadas, quais são as reações emocionais e ululantes das mulheres? .É ciúme, é inveja, vcs queriam ser como ele".
È mesmo é? Quer dizer que agora homem que é homem sente inveja do que não existe? Sentimos inveja de uma ficção mal feita pela mente de uma descompensada feminista e ainda o invejamos? A cabeça de quem pensa assim já está tão longe do plano terreno que sequer analisam a impropriedade de uma afirmação dessas.
Os homens que invejam outros por grana, beleza e afins, são os mais betas, vazios e incapazes exemplares de homem que eu conheço, se é que podem ser chamados como tal. Homens de valor sabem seu lugar, sabem seu conteúdo e jamais seriam inebriados por tal nível de abstração da realidade. E mulheres sábias e minimamente realistas pensam da mesma forma, e já repudiam tais afirmações impostas de primeira. Ademais, homens quem tem real valor, e sabem disso, jamais vão se render a mulheres que procuram tais devaneios sentimentalistas.
E mais: contrariando a sabedoria popular atual (se é que se pode chamar isso de sabedoria) frenesi popular, paixonite ou grana não constróem relação que se preze. E sim fica de fora desse tipo de obra.

A idéia básica é essa, pensem nos dois lados ao pensarem em relacionamentos, e muito cuidado com as idéias implícitas que são passadas como naturais e válidas a cada dia por esse sistema que já ferrou com quase todos os valores e princípios que deveriam mais ser buscados por todos... muito cuidado mesmo.



Que venham as pedras cor-de-rosa e as flores azuis!









ps. materiais pertinentes e/ou engraçados:

http://www.youtube.com/watch?v=VybXGd5vD1M

http://www.youtube.com/watch?v=QYWgxxW5t5Q


http://www.zerooitocentos.org/stephen-king-acaba-com-stephenie-meyer-e-diz-que-ela-nao-escreve-nada/
'Comentário:
Andréia
Postado quinta-feira, 17 de setembro de 2009 as 16:55

Amei Crepusculo,apesar da maioria das pessoas do sexo masculino que eu conheço dizer que o filme é filme de menininha,inclusive o meu marido,em questão de se comparar a harry potter,realmente deixa muito a desejar,mais o mais encantador em crepusculo é o amor que Edward sente por ela,em querer sempre protege – lá,em cuidar dela,isso faz com que todas as meninas delirem,pois é o que todas nós mulheres sonhamos ter um homem que nós ame incondicionalmente e que de quebra seja lindo e rico,os detalhes não interessa quando vc pode pegar o verdadeiro intuito da historia,e o intuito é este fazer nós mulheres delirar imaginando que possamos encontrar um homem com todos estes atributos um dia,mas digo uma coisa para vcs meninas,querem um homem assim?nunca se case com ele então,pq depois que casa o Edward se transforma no SHEREK!!!!!!!!!!!!!!,PALAVRA DE QUEM CASOU E SABE COMO É.Andréia 21anos casada a 3 anos.'

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Griffith's Dream












O ressoar de uma despretensiosa brisa de verão agita pinheiros, que por sua vez encobrem o infinito representado no eterno brilho das estrelas... e sob elas estão adormecidos pensamentos efemeros, como a curiosidade de uma jovem donzela entorpecida por suas novas descobertas.
Horas atrás havia sido indagado sobre a razão pela qual os homens preferem lutar...





-Provavelmente homens tem mentes selvagens.
Mas eles existem para proteger uma pessoa respeitável...
E para uma vitória certa.


-Pessoa respeitável?
Como sua família e seus entes queridos?


-Algumas pessoas pensam assim.
Mas então, se ele é mesmo um homem...
... ele vai achar algo mais importante.
Não por uma pessoa... mas por seu próprio sonho.


-Sonho?


-Alguém irá empunhar uma espada pelo seu sonho...
enquanto outro sonha em explorar o mundo...
e outro tem o sonho de dominar este mundo.
Alguém que é encorajado pelo sonho, sonha...
é torturado pelo sonho...
vive pelo sonho...
e morre pelo sonho.
E mesmo que fosse morto pelo sonho,
ele se sentiria feliz e honrado.


Um verdadeiro homem devia ter
um sonho como este em sua vida.
Uma vida que preencha seu sonho.


Eu não posso viver só porque nasci.
Eu quero viver porque tenho um sonho.



...










É incrível como um dia aparentemente comum pode nos trazer surpresas muito agradáveis, e com alguma sorte, ensinamentos mais valiosos e significativos que toda a vida de muitos homens.










Could this be the end?
Is this the way I die?
Sitting here alone?
No one by my side

I don't understand
I don't feel that I deserve this
What did I do wrong?
I just don't understand

Give me one more chance
Let me please explain
It's all been circumstance
I'll tell you once again

You took me for a ride
Promising a vast adventure
Next thing that I know
I'm frightened for my life

Now wait a minute, man
That's not how it is
You must be confused
That isn't who I am

Please don't be afraid
I would never try to hurt you
This is how we live
Strange although it seems
Please try to forgive

The chapel and the saint
The soldiers in the wine
The fables and the tales
All handed down through time

Of course you're free to go
Go and tell the world my story
Tell them about my brother
Tell them about me
The Count of Tuscany


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

The Wisdom of Life






Revirando alguns antigos livros virtuais em meus arquivos, abro por acaso um bloco de notas onde eu costumo selecionar os melhores trechos de cada livro que leio...
É incrível como a cada dia mais vejo a necessidade da aplicação de velhos ensinamentos de antigos homens que aprenderam com suas vidas em tempos remotos, e o quanto o homem prova ser o mesmo ontem, hoje, e provavelmente amanhã. Os mesmos problemas, mesmos erros, mesmas imperfeições... Parece que de novo mesmo só temos a tecnologia; o resto se repete em ciclos, um termina onde o outro começa:¹

"Nos tornaremos indiferentes às opiniões dos outros quando, por nossa
própria experiência, aprendermos com que desrespeito se fala em certas ocasiões de cada um de nós, assim que não houver motivo para receio, ou quando se crê que não o saberemos; mas, sobretudo, quando ouvirmos com que desdém meia dúzia de imbecis fala do homem mais distinto. Então compreenderemos que atribuir grande valor à opinião dos homens é honrá-los demasiado."

"Todo aquele que viola a fé e a lei será, para sempre, um homem sem fé e sem lei, haja o que houver, seja o que for, os frutos amargos que essa perda traz consigo não tardarão em produzir-se."

"Quantas vezes as melhores qualidades encontram menos admiradores. Quantos homens tomam por bom o mau! Esse é um mal que se observa todos os dias, porém, como evitar essa peste? Duvido que possa ser erradicada desse mundo. Não há mais que um só meio na terra, porém é infinitamente difícil. Que os tolos se façam sábios. Porém, como? Isso nunca serão. Desconhecem o valor das coisas. Julgam pela vista, não pela razão. Elogiam constantemente o que é pequeno, porque nunca conheceram o que é bom."

"Das glücklichste Wort, es wird verhöhnt,
Wenn der Hörer ein Schiefohr ist.
[o ouvido de um tolo zomba da palavra mais sábia.] -
Goethe"

"Há alguma sabedoria naquele que, com um olhar
sombrio, considera este mundo como uma espécie de inferno, e não se ocupa senão de proporcionar-se um abrigo onde esteja a salvo das chamas. O tolo corre atrás dos prazeres da vida e colhe desilusões; o sábio evita os seus males.Quando, apesar desses esforços, não se consegue evitá-los, a culpa é do destino, não da própria tolice; porém, na medida em que o consiga, não será desiludido, porque os males que houver evitado são muito reais. Ainda que seu esforço em evitá-los tenha sido excessivo, sacrificando prazeres desnecessariamente, não perdeu nada realmente; pois todos os prazeres são ilusórios, e lamentar por sua perda seria mesquinho, e mesmo ridículo. A incapacidade – encorajada pelo otimismo – de apreender essa verdade é a fonte de muitas desgraças"

"Na vida somos geralmente como o viajante para o qual os objetos, na medida em que avança, tomam formas distintas das que exibiam à distância; esses se transformam, por assim dizer, à medida que se aproxima deles. Isso ocorre principalmente em relação aos nossos desejos. Muitas vezes encontramos algo diverso, às vezes melhor do que buscávamos. Às vezes também encontramos aquilo que buscávamos em um caminho completamente distinto do primeiro que, em vão, percorremos. Outras vezes, ali onde buscávamos encontrar um prazer, uma felicidade, uma alegria, encontramos um ensinamento, uma explicação, um conhecimento, isto é, um bem duradouro e real em vez de um bem passageiro e ilusório."

"felicitas sibi sufficientium est [a felicidade é dos que bastam a si mesmos] -
Aristóteles"

"Não há caminho que nos distancie mais da felicidade que a grande vida, a vida de festas e banquetes, a high life; porque seu objetivo é transformar nossa miserável existência em uma sucessão de alegrias, de delícias e de prazeres, um processo que inevitavelmente culmina na decepção e na desilusão; assim como seu acompanhamento obrigatório, o hábito das pessoas de mentir umas para as outras."

"Conversas e idéias intelectuais só servem à sociedade intelectual; na sociedade vulgar são
detestadas por completo, porque para se agradar nessa é imprescindível ser completamente insípido e limitado. Portanto, em tal sociedade, devemos praticar uma severa abnegação, abrindo mão de três quartos de nossa própria personalidade para nos assemelharmos aos demais."

"Quem está obrigado a viver entre os homens não deve condenar qualquer indivíduo absolutamente, nem mesmo o pior, o mais desprezível ou o mais ridículo, visto que isso é algo já determinado e dado pela natureza. Pelo contrário, tal indivíduo deve ser aceito como algo inalterável que, em virtude de um princípio metafísico inalterável, deve ser tal como é. Nos casos difíceis, devemos nos lembrar das palavras de Goethe: é necessário que haja também dessa espécie. Se adotarmos outra postura, cometemos uma injustiça e desafiamos o outro a um combate de morte. Porque ninguém pode modificar sua verdadeira individualidade, isto é, seu caráter moral, suas faculdades intelectuais, seu temperamento, sua fisionomia
etc"

"Ninguém pode ver acima de si mesmo; quero dizer com isso que todos vêem nos demais apenas
aquilo se é em si mesmo; porque cada qual não pode apreender e compreender o outro senão na medida de sua própria inteligência. Se essa é da espécie mais ínfima, nenhum dote intelectual, nem mesmo o mais elevado, lhe impressionará de modo algum; e não observará naquele que o possui nada além dos elementos mais vis em sua natureza individual, isto é, apenas suas fraquezas e todos os seus defeitos de temperamento e de caráter. E disso estará composto o grande homem aos olhos do homem vulgar; suas faculdades intelectuais mais eminentes não existem para o outro, como não existem as cores para o cego.
Isso porque o maior talento é invisível para aquele que não possui nenhum; e qualquer valor concedido a uma obra é o produto do valor da obra em si e do alcance do conhecimento daquele que profere sua opinião. Daí resulta que somos reduzidos ao nível de todos aqueles com quem falamos , visto que todas as vantagens que possuímos desaparecem, e mesmo a abnegação de si mesmo necessária para tal permanece completamente ignorada. Se refletirmos sobre quão profundamente vulgares e inferiores, sobre quão completamente medíocres são as pessoas em sua maioria, veremos que é impossível falar com elas sem nos tornamos igualmente medíocres durante esse intervalo"

"Quando uma pessoa se gaba de qualquer coisa, seja coragem, instrução, inteligência, gênio,
sucesso com as mulheres, posições sociais, se poderá deduzir que é precisamente nesse particular que lhe falta algo. Porque aquele que possui real e completamente uma qualidade não pensa em ostentá-la nem em fingi-la, visto que está perfeitamente tranquilo quanto a isso. Esse é também o sentido do provérbio espanhol: herradura que chacolotea, clavo que le falta [ferradura que chacoalha, prego que lhe falta]."

"Em vez disso, cada qual possui no outro um espelho no qual pode ver com clareza seus próprios
vícios, seus defeitos, seus modos grosseiros e repugnantes de toda espécie. Porém, normalmente, é como o cão que late para sua própria imagem porque não sabe que está vendo a si próprio, mas imagina ver outro cão. Quem encontra defeitos nos demais trabalha em sua própria reforma. Assim, aqueles que têm a tendência e cultivam em segredo o hábito de submeter a uma crítica atenta e severa a conduta dos homens em geral, tudo o que fazem ou não fazem, estão trabalhando em sua própria correção e aperfeiçoamento. Porque terão bastante justiça ou ao menos bastante orgulho e vaidade para evitar fazer o que tantas vezes têm censurado tão severamente. O contrário vale para os que são tolerantes; a saber, hanc veniam petimusque damusque vicissim [é um privilégio que reclamo e que concedo reciprocamente (Horácio, Ars poetica, II)]. O Evangelho moraliza admiravelmente sobre os que veem a palha no olho do vizinho e não veem a viga no seu; porém a natureza do olho consiste em ver o exterior e não a si próprio. Por isso, notar e censurar os defeitos dos demais é um meio adequado para nos tornamos conscientes dos nossos próprios. Precisamos de um espelho para nos corrigirmos."

"Uma natureza vulgar se rebela à vista de uma natureza oposta, e a causa
secreta dessa rebeldia é a inveja. Porque, como se pode ver em qualquer ocasião, satisfazer a vaidade é um prazer que, entre os homens, excede qualquer outro; entretanto, não é possível senão através de sua comparação com os demais. Porém, não há qualidades das quais o homem se orgulhe mais que as intelectuais; pois apenas nessas se fundamenta sua superioridade em relação aos animais.Demonstrar uma superioridade intelectual acentuada, sobretudo perante testemunhas, é uma grande ousadia. Isso provoca sua vingança e, em geral, buscarão uma oportunidade para fazê-lo por meio de insultos, porque assim passam do domínio da inteligência ao da vontade, no qual todos são iguais."²

"O homem prudente é aquele que não é enganado pela aparente estabilidade das coisas e,
além disso, prevê a direção em que ocorrerá a próxima mudança."




.a reflexão leva à evolução...
















¹ - or cit: "We move in circles, balanced all the while, on a gleaming razor's edge. A perfect sphere, colliding with our fate. The story ends where it began." - Octavarium
²- extr. or. "Aforismos Para a Sabedoria de Vida - The Wisdom of Life" - Arthur Schopenhauer