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terça-feira, 13 de março de 2012

Deus segundo Spinoza de Baruch (que deus?)

Recebi um e-mail recentemente, que parece ser mais um daqueles repassados viralmente, contendo uma definição de Deus segundo o filósofo e teólogo Benito de Espinoza (Baruch de Spinoza).
A quantidade de mentiras, distorções e absurdos que ele apresentava por linha eram tão grandes que eu sequer terminei de ler. Mas me foi solicitado que fizesse uma análise mais detalhada de seu conteúdo, visto que muitas pessoas (inclusive cristãos) acharam aquelas palavras muito verdadeiras e valiosas. Bom, vamos lá.



Primeiramente, aqui vai o link para o texto original



"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim" Jo 14:6
Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
João 14:6Eu
Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
João 14:6
Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
João 14:6




A seguir, a análise:


Antes de destrinchar o texto em si é necessário um retrocesso breve para entender quem foi Benedito Espinoza (Baruch Espinoza) e de onde vieram todas essas ideias que aparentemente são muito bonitas; mas que contradizem e destróem completamente qualquer base do cristianismo se forem analisadas devidamente.

Em primeiro lugar, Spinoza nasceu em Amsterdã no seio de uma família judaica, que fugiu da inquisição portuguesa. Foi um estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de outros judeus, bem como de filósofos clássicos gregos e tinha interesse em assuntos como metafísica, teologia e lógica.
A grande questão é que Spinoza era um racionalista ferrenho. Acreditava que a pura dedução lógica bastava para atingir a compreensão de questões metafísicas e espirituais. É desnecessário dizer que a experiência que transcende os sentidos é a maior base de qualquer doutrina espiritual ou religião.

A tentativa de enxergar a Deus dentro do mundo físico invalida a essência primordial das escrituras sagradas e de qualquer base da fé cristã. É a partir dessa visão imanente que foi fundada aqui no Brasil a Teologia da Libertação; maior responsável pela secularização da Igreja Católica e da transformação da fé numa questão social, num meio para atingir favores e alegrias em vida. Esse pensamento foi introduzido aqui em meados das décadas de 60 e 70, quando o regime militar expulsou os comunistas do cenário político e os colocou dentro das universidades. A partir de então, toda a geração seguinte ( e as subsequentes) foram doutrinadas pela teoria Marxista e da Escola de Frankfurt, que como se sabe, tem como maior inimigo, o Cristianismo, os valores tradicionais, e a família.

Desde então a classe falante do país, embora sendo minoritária, passou a ocupar os veículos de mídia e a iniciaram a propagação de ideias que degradam a família e desvirtuam a base da fé cristã. Ideias que foram espalhadas até chegarmos no ponto em que estamos hoje. Não existem mais bases ou referências, tudo é relativizado, tudo é permitido, desde que traga algum prazer ou satisfação.

Não há pecado, não há nada após a morte; se Deus está em nós, tudo é permitido, desde que nossa consciência (previamente contaminada) nos oriente.
E clichês completamente distorcidos e vazios em si como: "siga seu coração" ou "você tem o direito de ser feliz" e "vale tudo para atingir a felicidade" começaram a intoxicar a consciência popular, a ponto de tornar a busca constante por entendimento e aprimoramento em simples ações isoladas no sentido de procurar em coisas terrenas alívio para o vazio que todos possuem. A maior prova disso é que atualmente se vê um fenômeno nunca antes visto na história da humanidade que é o de termos muitas crianças deprimidas. Elas são jogadas tão cedo numa série de experiências prazerosas, que já, desde cedo, entram na frustração de que o prazer não preenche o vazio ou responde a propósitos maiores da vida.

Resumindo: quanto mais prazer se procura, mais desgosto e vazio é encontrado.
Nas palavras de Benjamin Franklin: "Se um homem pudesse ter metade dos seus desejos realizados, teria mais aflições do que prazeres"

E pra finalizar o nosso retorno à história:
O filósofo holandês Baruch de Espinosa foi excomungado pela primeira vez na noite de 27 de julho de 1656. Os rabinos da comunidade judia de Amsterdã se reuniram em assembléia e, enquanto uma trompa se pôs a arrastar uma nota agônica, começou a ser lida a sentença de excomunhão do pensador: "Com o julgamento dos anjos e a sentença dos santos, anatematizamos, execramos, amaldiçoamos e expulsamos Baruch de Espinosa, estando de acordo toda a sagrada comunidade, reunida diante dos livros sagrados".
As luzes iam-se apagando, uma a uma, simbolizando Deus que se afastava, e todas as maldições do Antigo Testamento foram recaindo sobre ele, com o peso milenar das profecias: "Que ele seja execrado durante o dia e execrado à noite; seja execrado ao deitar-se e execrado ao levantar-se; execrado ao sair e execrado ao entrar. Que o Senhor nunca mais o perdoe ou aceite; que a ira e o desfavor do Senhor, de agora em diante, recaiam sobre esse homem, carreguem-no com todas as maldições escritas no Livro do Senhor e apaguem seu nome de sob o firmamento".



Agora sim, vamos ao texto; por partes:



Pára de ficar rezando e batendo no peito!


Logo de cara ele já começa fazendo uma associação mal intencionada de que rezar está relacionado a ser orgulhoso, bater no peito. Ora, qual é a postura universal da oração? É justamente a de humildade, pequenez e reverência, se ajoelhar.

Aquele que reza, ora; está buscando a Deus, reconhecendo que precisa Dele para viver, que não é auto-suficiente. Quebrar essa atitude é o primeiro e gigantesco passo para afastar alguém da comunhão e do relacionamento com Deus.

"E, acabando Salomão de orar; desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a sua casa"

"se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." II Cr. 7

"Não sejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças" Fp 4:6

"Eu amo aos que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão"
Pv. 8:17


O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo
e desfrutes de tua vida.


Sim, Deus quer que desfrutemos da vida; mas existem maneiras e maneiras de se fazer isso. Dizer algo tão subjetivo e solto assim pode dar margem a interpretações equivocadas e descabidas, como se o fato de que "aproveitar" a vida esteja fora de qualquer maneira ou limite; o que obviamente não é verdade.

"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me;
porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á e quem perder a sua vida por amor a mim achá-la-á." Mt. 16:25

"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai." Fp 4:8


Eu quero que gozes, cantes, que te divirtas e que desfrutes
de tudo o
que Eu fiz para ti.


Novamente a insinuação falaciosa de que tudo que há no mundo foi feito por Deus, e por isso deve ser usado e aproveitado ao extremo (hedonismo).
Lendo gênesis em poucos instantes fica claro que após o pecado original o homem foi tirado do Éden e lançado ao mundo que era cheio de imperfeições (que foram nele introduzidas pelo pecado do homem, não pela vontade original de Deus), e que a vida aqui seria difícil, quase que como um castigo e necessitaria da busca de redenção, para que mais uma vez o homem se ligue a Deus. Portanto é totalmente descabido dizer que tudo o que há no mundo é pra ser experimentado e de qualquer forma.

"... antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo." Ef 2:3-4

“Foge, também, dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, a caridade e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” 2 Tm 2:22

"Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" 2Co 7:1


Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.


"A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" Rm 10:17

É impossível se manter fiel a Deus e praticante da Palavra estando sozinho. A glória e a grandeza do Senhor podem realmente ser percebidas e manifestas através da beleza da natureza. Mas não se tem intimidade com o criador de algo apenas conhecendo suas criaturas.
Uma coisa é contemplar a criação, outra é ter contato e intimidade com quem as criou; e isso só vem pela busca direta, pelo ouvir costante de sua palavra, e pela comunhão com outros que tem o mesmo propósito em suas vidas.
Uma brasa acesa que cai fora da fogueira pode até brilhar por alguns instantes; mas ao longo do tempo irá inevitavelmente se esfriar e se apagar.

“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” Hs 10:24-25

“Exaltem-no na congregação do povo, e louvemno na assembléia dos anciãos!” Sl 107:32

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.”
Ef 4:15-16.


Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

Esse foi de longe o maior absurdo do texto até o momento. Dizer que o homem não pecou é algo tão contraditório com a essência do cristianismo que essa afirmação sozinha poderia invalidar todo o sentido da fé e da relação de Deus com o homem. É uma questão de lógica básica.
Ora, se o homem não pecou, não precisa de Deus; não há o que buscar ou o que reparar; não há quebra nenhuma na relação original da criatura com o criador. Se isso fosse verdade estaríamos todos vivendo no Éden (ou no paraíso) até hoje. E se esse mundo for a ideia que Spinoza tem do paraíso, eu diria que ele tem sérios problemas cognitivos.

"Porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus" Rm 3:23

"pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos" Rm 5:19

"Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque" Ec 7:20

"Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores." Mt 9:13

"Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós." 1Jo 1:8-10

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

É verdade que o sexo é um presente de Deus e que ele expressa coisas como alegria, êxtase e o amor. Mas como tudo na vida, tem um momento e uma maneira de ser manifestado; há um contexto para a prática sexual.
Como tudo na vida; uma coisa boa feita da maneira e no momento errado, pode se tornar uma coisa ruim.
Soa meio ilógico que algo tão bom seja atualmente a fonte de tantos problemas, doenças e traumas, não? Não seria esse um indício claro de que o sexo atualmente está sendo utilizado da maneira errada, com os propósitos errados? Para mim isso é bem evidente.
Não cabe aqui ficar discutindo algo que daria assunto pra uma palestra ou um livro; mas o fato é que o sexo foi feito como expressão de um sentimento e um elo físico para representar um elo espiritual que é exteriorizado culturalmente como uma cerimônia formal.
O fato de duas pessoas concordarem em assumir um compromisso sincero de apoio mútuo e construção de uma vida juntos é o pressuposto basilar para que las se unam espiritualmente e posteriormente, fisicamente. O sexo é a manifestação da ideia subjetiva do casamento entre duas pessoas; a união de duas carnes. E quando elas se unem, se tornam uma. No contexto cristão essa ideia é bem clara, e é logicamente impossível que alguém que tenha se tornado um com outra pessoa, venha a se tornar um com uma terceira. É uma ideia objetivamente impossível
. Daí vem o embasamento bíblico:

"Não adulterarás" Ex 20:14

"Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela" Mt 5:28

"Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum.
Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne. Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele.
Fugi da prostituição. Toco pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo." 1Co 6:15-18

"Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus" 1Ts 4:3-5

"Honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; pois aos devassos e adúlteros, Deus os julgará." 1Hs 13:4


Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de tua amada... não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Ok, agora como se não houvesse mais nenhuma tentativa de camuflar a intenção destrutiva do texto, ele diz expressamente que devemos ignorar completamente a Bíblia em nossa caminhada rumo ao conhecimento divino.
Ao propor um absurdo desses, Spinoza praticamente aniquila qualquer base ou referência que alguém possa querer ter para buscar a Deus. Sem Bíblia, qual é a diferença então entre Jeová e Alá, Buda, ou Shiva? Zero.
Nesse trecho vemos que se trata de um panteísta convidando as pessoas a abandonarem sua fé e passarem a viver segundo sua própria consciência. Esse é o princípio do homem independente de Deus, que se orienta, se perdoa, se basta.
A ideologia que defende o homem como centro das coisas é o luciferianismo.
Acho que não é muito difícil entender do que se trata.

E agora como a Bíblia foi completamente aniquilada do contexto, não é possível sequer citar algum versículo.


Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, limitações, prazeres, sentimentos, necessidades, incoerências e de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que Eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que Eu poderia criar um lugar para queimar a todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Agora nos é apresentado um Deus distante, ausente; que não se importa com as escolhas que alguém faz; que prega o amor puro e simples (e descontextualizado) como objetivo maior da vida.
É nesse ponto que as pessoas mais carentes, sofridas e ausentes de maior embasamento cristão se rendem à ideia do autor. É feito um convite para uma vida livre de qualquer consequência ou responsabilidade.
Afinal tudo vale em nome da felicidade e do amor. O mais agressivo de todo esse contexto é incitar a ideia de que toda sorte de sentimento, necessidade e vontade que se manifestam nas pessoas veio diretamente de Deus;
como se Ele respaldasse e reforçasse qualquer tipo de objetivo ou ação, uma vez que se a pessoa sentiu ou desejou algo, é obra de Deus, então aquilo é verdadeiro e deve ser buscado.
Seguindo essa lógica, qualquer atitude, por mais monstruosa e hedionda que seja, pode ser válida; afinal se pensamos ou queremos aquilo, foi obra de Deus, então é algo necessariamente bom.
No fim, acaba com a ideia de céu e inferno, como se as atitudes de casa um não tivessem uma implicação espiritual, devendo cada um viver segundo seus próprios valores e moral.
O relativismo é uma das formas mais usadas pelos marxistas culturais para quebrar a moral judaico-cristã, segundo o processo descrito no início do e-mail.
O contorcionismo lógico feito nesse texto pra justificar barbaridades em nome de Deus está chegando a níveis dantescos.
Ele novamente reforça a ideia de que não há pecado, não há juízo, não há necessidade de redenção. Então vivamos como bem entendermos, afinal foi Deus quem nos fez assim.


"E vi um grande trono branco e o que estava sentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.
E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.
E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.
E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo." Ap 20:11-15


Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único de que precisas. Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Mais uma vez é martelada a ideia de que não há lei, não há mandamento; de que o senso comum é o bastante para orientar as atitudes e definir o certo e o errado. Relativismo novamente.
Em seguida são lançadas essas palavras aparentemente belas, mas que servem apenas como clichê e não tem valor objetivo algum. São apenas orientações subjetivas e vazias.
A moralidade cristã não é construída em cada cabeça; os homens não são Deus, não são criadores. Eles não tem dentro de si o logos divino, a consciência criadora.
Essa tentativa de tirar de Deus a prerrogativa da criação e entregá-la aos homens é um princípio gnóstico, que é um dos maiores inimigos do cristianismo ao longo da história.
E mais uma vez, é repetido o absurdo de que não há nada além da vida (afirmação ateísta), e que o aqui e agora é tudo o que há.
Me preocupa muito que algum cristão, por mais novo na fé que seja, leia uma disparidade dessas e aceite como verdade.

Os argumentos estão andando em círculos, portanto os versículos correspondentes já foram citados.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não te perguntarei se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar é se tu gostaste, se te divertiste, do que mais gostaste, o que aprendeste.

Mais do mesmo: a vida terrena é tudo, não haverá céu ou inferno, não haverá julgamento; aproveite a vida como se não houvesse amanhã (carpe-diem); busque felicidades, sentimentos e sensações acima de todo o resto, etc, etc, etc.
É basicamente o antagonismo de toda a sequência lógica de ideias presentes na Bíblia e nas bases do cristianismo.


Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar. Pára de me louvar! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, de teus amores, do mundo. Tu te sentes maravilhado, surpreendido?... Então expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Nova distorção de premissas básicas cristãs, quais sejam o aperfeiçoamento da fé, a busca constante por desenvolvimento interior e intimidade com Deus, como se Ele se resumisse a palpitações e sentimentos individuais isolados.
Repetindo os clichês pseudo-bonitinhos de que Deus só existe em pequenas coisas e que a mera vida cotidiana é a expressão total da grandeza Dele. Supostos ideais de desapego material, valorização de pessoas e sentimentos,
mas servindo para mascarar o real propósito do texto que é substituir Deus pelo homem. Trocar a fé pela sensação e a busca de redenção por uma insignificante vida cotidiana.
Passa tentar minimizar a importância do louvor, como se ele fosse apenas uma vaidade divina; criado para alimentar o ego do Criador. Quanta besteira.
O louvor são os feitos de Deus EM SI, expressos por palavras de gratidão e glorificação. O louvor é fruto direto do Espírito Santo. Os vários salmos de Davi retraram essa realidade. O louvor é fruto natural de um relacionamento íntimo com Deus.
Quando louvamos estamos demonstrando nossa alegria por conhecer a Deus e receber Dele bênçãos e misericórdia todos os dias. É uma consequência natural de um relacionamento saudável e frutífero.
Dizer que isso é apenas uma questão de vaidade e egocentrismo é tão coerente quanto dizer que não devemos mais agradecer as pessoas por nada na vida, afinal isso é inútil e só serve para envaidecê-las.
A gratidão é um princípio espiritual básico para o bem estar interior; sela ela feita a pessoas ou diretamente a Deus.


"
E saiu do trono uma voz, dizendo: Louvai o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, assim pequenos como grandes." Ap 19:5

"
Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas. Em ti me alegrarei e exultarei; cantarei louvores ao teu nome, ó Altíssimo" Sl 9:1-2

"Por ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome." Hs 13:15

"Tornaste o meu pranto em regozijo, tiraste o meu cilício, e me cingiste de alegria; para que a minha alma te cante louvores, e não se cale. Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre. " Sl 30:11-12

"Dêem graças ao Senhor pela sua benignidade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens! Pois ele satisfaz a alma sedenta, e enche de bens a alma faminta. " Sl 107:8-9

"...ainda de riso te encherá a boca, e os teus lábios de louvor." Jo 8:21



Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.


O mundo está cheio de maravilhas?

"Sabemos que somos de Deus e que todo o mundo jaz no maligno." 1Jo 5:19

"Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo." 1Jo 2:15-17

"E não vos conformeis com esse mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Rm 12:2

Em seguida outra tentativa desesperada de diminuir a importância da Palavra, das pregações, cultos, missas e tudo o que propaga a fé cristã e a reforça.
E uma agulhada final, dizendo que Deus não pode ser encontrado em nada, só dentro de cada um. Mas como é possível encontrarmos Deus em nós, se estivermos cheios de vícios, maldade, pecados inconfessos e recorrentes dentro de nós?
Onde há trevas não há luz; isso é uma coisa óbvia. Deus não entra no coração ou na vida de quem não O convida.


"Não vos prendai a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?" 2Co 6:14

"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo." Ap 3:20



Conclusão:

Trata-se de um texto feito por um homem que não acreditava na Palavra de Deus, e nem em Deus em si; pois ele O relativiza tanto que qualquer divindade ou religião poderia caber nessa definição. É uma tentativa clara de subversão de toda a base do cristianismo e um convite ao secularismo e a todo tipo de estilo de vida voltado para o homem apenas. Para uma vida cheia de prazeres e sentimentos; tudo o que Deus nos alerta para evitarmos, uma vez que devemos buscar as coisas do espírito, do alto, e não da terra e da carne.
Me parece mais um texto feito por um ateu, panteísta conivicto ou satanista para afastar as pessoas da verdadeira fé e busca cristãs; mergulhando-as num vazio existencial e sem precedentes.
Mas pela forma franca e direta com que esse convite é feito, sinto-me até aliviado, pois só acredita em tanta distorção junta, quem já não tinha a menor intenção de buscar a Deus sinceramente desde o começo. Quero dizer, não há problema algum em não crer em Deus ou em não querer seguir o Cristianismo. Mas se for o fazer, faça direito, com o coração aberto e com sinceridade e honestidade; em primeiro lugar consigo; sem querer mudar a Deus ou adaptá-lo à própria conveniência e comodidade. Deus é coisa séria, não mais uma sensação ou prazer momentâneo para aliviar consciências da Verdade e do Juízo.





"O servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes." Mt 25:30

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pertencer a si mesmo, às coisas, ou aos outros?



"O homem normal está limitado, quanto aos prazeres da vida, às coisas exteriores, tais como a riqueza, a posição, a esposa, os filhos, os amigos, a sociedade etc.; nisso se funda a felicidade de sua vida. De modo que tal felicidade se desmorona quando essas coisas são perdidas ou o desiludem. Podemos caracterizar essa relação dizendo que seu centro de gravidade está fora dele. Por isso seus desejos e seus caprichos são sempre variáveis; quando seus meios permitirem, comprará prontamente coisas como casas de campo ou cavalos, dará festas ou empreenderá viagens; em geral, leverá uma vida suntuosa, tudo isso precisamente porque busca em qualquer parte uma satisfação vinda de fora. É como um homem extenuado que esperar encontrar em soluções e em remédios a saúde e o vigor cujo verdadeiro manancial é a própria força vital.


Para não passar imediatamente para o extremo oposto, tomemos agora um homem dotado de uma potência intelectual que, sem ser excessiva, excede, todavia, a medida comum e estritamente suficiente. Veremos esse homem, quando as fontes exteriores de prazer esgotarem-se ou deixarem de satisfazê-lo, cultivar de modo obcecado algum ramo das belas artes, ou então alguma ciência, tal como botânica, mineralogia, física, astronomia, história etc., e encontrar nela grande prazer e diversão. Por tal razão, podemos dizer que seu centro de gravidade está parcialmente dentro dele. Não obstante, o mero diletantismo na arte ainda está muito distante da faculdade criadora, e o mero conhecimento científico deixa de lado as relações dos fenômenos entre si, não sendo capazes de absorver completamente o homem comum; não podem ocupar todo o seu ser e, por conseguinte, entrelaçar-se tão estreitamente na trama de sua existência que se veja incapaz de nutrir interesse por todo o resto.


Isso está reservado exclusivamente à suprema eminência intelectual, comumente denominada gênio; somente ela toma como assunto, íntegra e absolutamente, a essência e a existência das coisas. Depois, segundo sua tendência individual, trabalhará para expressar suas profundas concepções a esse respeito por meio da arte, da poesia ou da filosofia. Assim, apenas para um homem desse gênero é uma necessidade irresistível a ocupação permanente consigo mesmo, com seus pensamentos e com suas obras; para ele, a solidão é bem-vinda, o ócio é o bem supremo e todo o mais é supérfluo; na verdade, quando o possui, muitas vezes é um fardo. Somente em relação a esse homem podemos afirmar que seu centro de gravidade está completamente dentro dele. Isso explica-nos ao mesmo tempo, por que esses homens de uma espécie tão rara, mesmo os de melhor caráter, não conferem aos seus amigos, à sua família, à comunidade em geral esse interesse íntimo e ilimitado de que muitos outros são capazes. Porque podem, em último caso, prescindir de tudo, contanto possuam a si próprios. Existe, pois, neles um elemento isolante, cuja ação será tanto mais enérgica na medida em que os demais homens não puderem satisfazer-lhes plenamente. Desse modo, não podem ver esses outros como seus iguais; na verdade, sentindo constantemente a dessemelhança de sua natureza em tudo e por tudo, habituam-se gradualmente a vagar entre os demais homens como se fossem seres de espécie distinta e, em suas meditações sobre os demais, a servir-se da terceira e não da primeira pessoa do plural.

As virtudes morais beneficiam principalmente os outros; as virtudes intelectuais, por outro lado, beneficiam primariamente aqueles que a possuem; portanto, a primeira faz com que sejamos largamente estimados, a segunda, ignorados."
Arthur Schopenhauer - in - O Mundo como Vontade e Representação [Aforismos para Sabedoria de Vida; p.15].






"... mais tarde, em companhia de outro brasileiro, consegui uma rápida visita a esse homem solitário e taciturno. Cabeleira desgrenhada, barba por fazer, sapatos sem meias, todo envolto em um vasto manto cinzento, com olhar longínquo de esfinge em pleno deserto - lá estava esse homem cujo corpo ainda vivia na terra, mas cuja mente habitava nas mais remotas plagas do cosmo, ou no centro invisível dos átomos.
Conversar com Einstein seria profanar a sua sagrada solidão."
Huberto Rohden - Einstein, O Enigma do Universo p.16













"Quanto a mim, minha filosofia nunca me faz ganhar nada, mas me poupa de muitas perdas"
Schopenhauer

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Força transcendental, a verdadeira força interior




Vejo muita gente se queixando de dificuldades, todo o tempo.
Alguns poucos, principalmente em redes sociais, onde suas vidas são frequentemente expostas, tentam manter uma aparência de constante alegria e contentação com a vida. É como se criar uma aparência de sucesso fosse transformar a realidade. Em muitos casos, o pensamento positivo nada pode fazer para reformar a verdade. Verdade essa, é que, no campo prático, vejo muito mais pessoas se queixando de sua existência, do que sendo verdadeiramente grata por ela.

Primeiramente cabe esclarecer que não acredito de maneira alguma nessas repetitivas reinvindicações de um suposto "direito de ser feliz" que vejo ser objeto da luta de tantos. Ora, felicidade até onde eu sei, é um sentimento passageiro, é a definição emocional de um momento ou de um lapso temporal entre outros tantos estados que compõem nossa existência. Não é porque um estado é aparentemente mais aprazível e prazeroso que o outro que devemos focalizar nossos esforços, e muito menos reinvindicar o direito de desfrutar daquilo todo o tempo. Me pergunto se isso é sequer saudável; visto que grande parte das pessoas que conheço que vivem a buscar a tal "felicidade" (como algo concreto e eterno), são exatamente as que encontram maiores desgostos e desilusões durante sua caminhada.

Eu me contento apenas em seguir meus objetivos, me aprimorar como ser, e agradecer a Deus pelos momentos de felicidade que por ventura se desenharem em minha vida. Jamais perderia meus preciosos momentos lutando para conservar um sentimento ou uma aparente contentação psíquica com qualquer coisa que seja.

Agora voltando à questão do sofrimento e da dificuldade de sobrepujá-lo (veja bem: não creio que felicidade ou alegria sejam antônimos de dor ou sofrimento; pois como já disse, existem incontáveis outros estados da alma entre esses dois extremos).
A meu ver, a primeira condição básica para se afastar de sofrimento, é naturalmente não criá-lo. Dessa maneira, vejo como fundamental que se percam todas as ilusões em relação à vida e às pessoas. Quanto mais baixo for o foco, menor será a motivação para nele perseverar, e se por acaso, vier a atingí-lo, menor serão os resultados da mesma maneira.

Para tanto, cito agora um dos maiores poetas brasileiros do século passado, falecido recentemente; Bruno Tolentino, que dizia que a vida terrena é apenas um rascunho da vida eterna que será escrita futura e indefinidamente. De forma que aqueles que dão muita importância a benefícios que pretendem obter nesta vida, irão perder força, terão maior facilidade em serem enganados e ludibriados por favorecimentos diversos, tendo grandes chances de verem suas bases morais e seu real objetivo serem derrubados pelo sistema de coisas que sempre reinou por aqui.

Quando a doutrina cristã diz que os maiores inimigos do homem são o mundo, o diabo, e a carne, se refere à carne exatamente como a tendência que temos de achar que o que nos afeta sensorialmente é o mais importante, e deve ser o centro de nossas atenções e o foco de nossas forças. Quando uma pessoa que não sabe discernir sua vontade da realidade objetiva, ela se torna como um soldado cego em uma batalha, que vai atacar toda e qualquer coisa que seus sentidos (limitados) poderão captar, e não necessariamente o inimigo real. Ou seja: a pessoa que tem como objetivo de nada, nada além do acúmulo de riquezas, vai enxegar toda e qualquer forma de diminuição do seu patrimônio a menos que para benefício próprio, como algo essencialmente mal e que deve ser evitado (deixando de lado, a caridade por exemplo). Outra pessoa que tem como meta de vida um grande amor, vai se prender sempre em questões emocionais e enxergar relacionamentos afetivos como a coisa mais importante da vida, deixando de lado muitas vezes a busca pela verdade, o conhecimento transcendental, o desenvolvimento de todos os outros campos da vida, etc.

É nesse aspecto que a vida voltada para causas mais elevadas sempre produziu as mais dignas biografias da humanidade. Tirar os olhos somente de si é a primeira ferramenta para que o indivíduo seja capaz de superar seus próprios limites e despertar-se como agente de conhecimento e ação divina. É aí que as verdadeiras experiências e sensações que trazem a paz, a temperança e a sabedoria terão caminho pavimentado para atingir a essência do ser, e a força interior, que antes parecia esguia e claudicante, encontra forças onde sequer sabia que existiam.

Nunca é cedo para um reexame dos labirintos de si mesmo, buscando o que pode ter se perdido com o passar dos anos, ou mesmo nunca ter sido descoberto.

Um feliz ano novo (realmente novo) para todos!



domingo, 18 de dezembro de 2011

O Homem Light


-Uma Vida Sem Valores



Qual é o seu perfil psicológico? Como poderia ser definido? Trata-se de um homem relativamente bem informado, porém com escassa educação humana, entregue ao pragmatismo, por um lado, e a bastantes lugares comuns, por outro. Tudo lhe interessa, mas só a nível superficial; não é capaz de fazer a síntese daquilo que recolhe e por conseguinte, foi-se convertendo num sujeito trivial, vão, fútil, que aceita tudo mas carece de critérios sólidos na sua conduta. Nele tudo se torna etéreo, leve, volátil, banal, permissivo.

(…)

Não há no homem light entusiasmos desmedidos nem heroísmos. A cultura light é uma síntese insípida que transita pela classe média da sociedade, sem excitantes… tudo suava, ligeiro, sem riscos, com a segurança pela frente. Um homem assim não deixará marcas. Na sua vida já não há revoluções, dado que a sua moral se converteu numa ética de regras de urbanidade ou numa mera atitude estética. O ideal apático é a nova utopia, porque, como diz Lipovetsky, estamos na era do vazio. (Enrique Rojas, O homem light - Uma vida sem valores, pp. 7-10)"


Vida sem valores é a expressão que melhor traduz o tipo de homem que surgiu nos últimos anos na sociedade ocidental de bem estar, que melhor define o “homem light”. Enrique Rojas, médico humanista, retrata e denuncia neste seu livro (El Hombre Light) aquele homem que magistralmente assim apelida de “light”. Light é a palavra mágica que está na moda e com a qual se identificam certos produtos (tabaco, bebidas, alimentos). Apresenta-o como um indivíduo materialista e hedonista, como um ser que tudo relativiza na ânsia de alcançar, sem mais, a meta por si traçada de bem-estar e prazer material.

No “homem light”, diz Enrique Rojas, há prazer sem alegria – nele se vê um homem intrigado e atraído por muitas coisas, mas sem vincular-se a nada.
E, por isso é infeliz e inseguro, estando longe daquele homem sólido que busca a verdade. O “homem light” procura o absoluto do seu ponto de vista, convertendo-o em relativo – é vazio, não tem fundo. Ser rico, ganhar muito dinheiro é o mais importante, é a melhor conta de apresentação nos ambientes “light”. Este débil homem abraçou a permissividade, fazendo dela o seu código ético e que vai desde a tolerância ilimitada à revolução sem finalidade. E essa permissividade, como acentua Enrique Rojas, revela-se em vários campos, designadamente no campo sexual, em que se chama “amor” a cada relação superficial e passageira, em que se confunde amor e sexo, dizendo-se quando se vai fazer sexo, que vai fazer amor – sexualidade vazia, idolatria do sexo, amor de rebaixas, amor light. Como sair de tudo isto? Responde o autor que o deixar de ser pessoa light só pode ser alcançado dando um passo da imanência para a transcendência, deixando o individualismo e o materialismo.

Necessitamos de um modelo de identidade para o homem das décadas vindouras, que será profundo, sábio, forte moralmente (a moral cristã é o melhor vector para a realização da eterna vocação transcendente do homem) e que terá coerência na sua vida.
Em suma, Enrique Rojas mostra-nos neste seu livro as chaves psisológicas do “homem light” e as vias de saída para a superação do grande vazio existencial que produz a falta de valores e de ideias.


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Resumo:
~resenha do livro de Enrique Rojas

O HOMEM MODERNO – A LUTA CONTRA O VAZIO
Enrique Rojas



O fim de uma civilização em que se assiste a derrocada dos sistemas totalitários aponta para a geração do homem light, que nada mais é do que a criação de um indivíduo superficial, leve, volátil, banal, permissivo. O viver bem a qualquer custo passa a ser a nova tônica do comportamento. De repente, o homem se vê frente-a-frente com o drama das drogas, a marginalização de jovens, greves dos trabalhadores, dentre outros fatos. Tudo isso contribui para que o homem se torne frio, não acreditando em quase nada, deixando para trás os valores transcendentes. É um homem sem vínculos, descomprometido e indiferente. Adepto da permissividade, o homem moderno vai trilhando seus caminhos, sem proibições, nem territórios vedados ou limitações, ele arrisca tudo, é vítima do consumismo.

Esse perfil do homem moderno, traçado por Enrique Rojas, mostra que o ser humano foi rebaixado a objeto, repleto de consumo e bem-estar, cujo fim é despertar admiração ou inveja. Com esses valores, o homem vai se tornar mais vulnerável e sem firmeza. O autor acredita que o homem moderno vai passar por um sofrimento para iniciar uma mudança radical que o impulsione a um caminho mais digno e humano. Com todos esses predicados, o homem moderno vai montando uma sociedade desorientada, perplexa, desenganada, cética, à deriva, mas orgulhoso e radiante por caminhar para trás. Este protótipo do homem livre nada mais é do que um ser piorado, degradado. Muitos homens de hoje não sabem para onde vão, estão perdidos e desorientados. Este estado de coisas aconteceu por causa de vários filósofos como Sócrates, Camus, Descartes, Pascal, Kant dentre outros, cujas vidas serviram de exemplo de fracasso total para seus seguidores. Nesta crítica, o autor esqueceu de dizer que os filósofos que ele citou foram grandes pensadores e trouxeram à humanidade muita evolução, como Sartre, Kierkegaard, Unamuno e outros.

(...)

Rojas faz uma diferença entre o homem moderno e o homem sólido. O primeiro é aquele que mostra uma curiosidade incessante, mas sem bússola e mal dirigida. Já o homem sólido busca a verdade, para que esta o faça avançar em direção ao crescimento pessoal. Mais adiante, o autor defende a idéia de que o homem deve combater o cinismo, mediante convicções firmes e não jogar-se ao consumismo. A partir dessas considerações, enfoca-se o niilismo, enfocando assuntos como a liberdade, relativismo e cinismo. O niilismo, assim como relativismo e o ceticismo, tem um tom devorador, desiludido, indiferente à verdade por comodismo e por não se aprofundar em questões substanciais. A felicidade é a realização mais completa do ser humano e indica que o ser humano que a possui se encontrou de fato e tem um projeto de vida coerente. Já o homem moderno tem uma ausência quase absoluta de cultura, pois só procura aquilo que tem relação com sua vida profissional, com assuntos triviais como a vida alheia, as viagens e os episódios nela ocorridos.

No que se refere ao amor humano, ele acredita que uma das formas mais representativas dele é o que se pratica entre homem e mulher. Essa forma de amor é um sentimento de aprovação e afirmação do outro, ou mais precisamente, o que o homem necessita na vida. Na relação sexual, sem amor autêntico o outro é um objeto de prazer, leva a um vazio gradual que desemboca no tédio. Os vícios do homem moderno são muitos, como a busca por psicoterapeutas, reflexo das pessoas que sofrem de crises de identidade, ou mesmo, os vícios de perder peso, buscando-se o emagrecimento como meta, dentre outros. Todas essas formas de “fugas” são vícios do consumo, o que traduz uma clara insatisfação de tudo. E assim, vão se somando as várias condutas do homem moderno, que adota uma vida ligh, que consiste numa vida que conduz a uma existência vazia. O ser humano passa a ser narcisista, concentrado em si próprio, em seu corpo. Este homem light viveria sem ideal e sem objetivos transcendentes.

O homem moderno não procura a religião, mas também não é ateu. Ele construiu uma forma particular de espiritualidade segundo sua própria perspectiva. É ele quem decide o que está bem e o que está mal e termina fabricando uma ética à sua medida. Com essas considerações fica claro que o homem moderno distanciou-se da religião por não acreditar na sua eficácia. Poderia se dizer que o homem light virou cético, duvida de tudo, trata os outros como objetos, tem no materialismo e no consumismo suas formas de vida.

Todo este estado de coisas conduzem ao cansaço da vida e o homem fica fraco, extenuado, lânguido, uniforme com alguma coisa nebulosa coberta por um tom cinza. Esta é a psicologia do fracasso, na qual o homem navega cada vez mais frágil, indiferente e permissivo e sem rumo. Diante das diversas situações que o homem atravessa, ter vontade própria é um dos objetivos primordiais e que auxiliam o homem a chegar mais longe. As soluções para o homem moderno passam pela recuperação do humanismo. Mas será que o humanismo resolveria o problema? Nessas considerações há uma busca aos valores do passado, às raízes do pensamento humano, como as escolas gregas, romanas e judaico-cristãs. É fácil dizer que o homem vai mudar adotando em seu interior a sabedoria clássica, mas é preciso observar que muitos conceitos de filosofias antigas já estão superados e não se adaptam mais atualmente. É preciso entender que o homem moderno quer mais, quer conquistar, quer extrapolar fronteiras e qualquer sugestão de melhoria deve enfocar uma reconstrução dos valores e isso exige muita disciplina, coisa bastante difícil atualmente, pois o ser humano ficou cínico, pragmático, pensa uma coisa e faz outra diferente.

Depois de mostrar um cenário sombrio para o homem moderno, há que se fazer uma terapia, que consiste em reformular a vida, colocá-la em ordem e aplicar uma vontade firme para realizar o propósito de aproveitar a vida com empenho inquebrantável.

Concluindo, a obra de Rojas fala da falta de valores que cercam o homem moderno, criticando veemente todos os aspectos que o levam ao vazio, apontando caminhos em que a felicidade, o amor e outros valores precisam fazer parte de sua vida. Neste sentido, a obra é mais uma tentativa de fazer o homem mais feliz interiormente, com espírito de luta, garras e firmeza nos objetivos. Contudo, é contraditório dizer que o homem deve fugir do culto à novidade, ou que a religião deve fazer parte de uma renovação do homem moderno. Ora, se o homem fugir à novidade, ele vai ficar embotado e vítima do tradicionalismo que pouco progresso trouxe à humanidade. E a religião serviu para condicionar o homem, não permitindo que ele abra seus horizontes. Desse modo, a reconstrução do homem moderno é trabalho profundo, exige não só a disciplina, mas tudo o que ele puder usar em prol do amor, felicidade, solidariedade, respeito aos direitos humanos, não-violência, nem busca pelas drogas.

sábado, 21 de maio de 2011

Natureza x Cultura


O amor que nunca vai ser expresso

por Mandy Appleyard

A pior festa do mundo estava na máxima força, e lá estava eu, entre 40 pessoas e desejando estar em qualquer outro sítio. A música era má, a comida ainda pior, e os convidados, que eram casados e tinham filhos, estavam envolvidos em conversas em torno da vida familiar.

Como eu não era casada e nem tinha filhos, eu pouco tinha a oferecer à conversa. "Com que então você é uma mulher de carreira." O que soava a uma acusação foi dito por uma mulher corpulenta que eu nunca havia conhecido antes. Eu respondi que sim, eu era uma jornalista.

"Não me leve a mal", continuou ela, "mas não consigo entender como é que uma mulher pode escolher o emprego no lugar da vida familiar. Deve ser uma vida solitária sem crianças. O que é que a leva a acordar todos os dias de manhã? Não quero soar rude, mas você torna-se mais egoísta se você é a única pessoa em quem você tem que pensar."

Resisti à tentação de molhar a mulher com Rioja e, em vez disso, saí da festa, magoada e admirada com o quão maldosas as pessoas podem ser. Não preciso que ninguém faça comentários cruéis em torno do facto de eu não ter filhos. Eu passei os últimos 10 anos a conjurar a minha própria agonia sobre esse assunto.

Sei, por exemplo, que o facto de não ser mãe faz com que haja uma parte de mim que permanece sem uso, um amor que nunca vai ser expresso. Sei que o amor que qualquer mãe descreve como o amor mais profundo que ela vai alguma vez conhecer, é, para mim, uma porta fechada.

Há muito amor que eu nunca vou ser capaz de oferecer, sabedoria e entendimento que nunca vou partilhar, abrigo e consolo que eu nunca vou providenciar.

Nunca imaginei a minha vida sem uma família. Tive 3 relacionamentos significativos nos meus anos 20 e 30 - cada um deles eu assumi que conduziriam a casamento e a filhos. O meu primeiro relacionamento, com um colega estudante, terminou depois de cinco anos. Tínhamos 25 anos e ele não estava pronto para assentar, e como tal cada um seguiu o seu caminho.

Quando tinha 27 anos comecei um relacionamento com um homem - naquele que foi o meu segundo grande relacionamento. Já estávamos juntos há 18 meses quando fiquei a saber que ele andava com outra. Por isso fiquei sem escolha senão acabar com tudo.

Quando tinha 30 anos envolvi-me com um homem que eu tinha a certeza ser O Tal. Parceiro certo, idade certa; o que é que poderia correr mal? Três anos depois ele disse que se tinha apaixonado por outra pessoa.

Os anos que se seguiram foram dos mais difíceis da minha vida, à medida que amigos próximos se casavam e começavam famílias. Eu estava cheia de inveja e tinha ódio a mim mesma por me sentir assim.

À medida que elas iniciavam um capítulo mais maduro e excitante da sua vida como pais, eu parecia debulhar num inferno de encontros, impaciente com a expectativa mas muito longe de encontrar o homem com quem eu assentaria e iniciaria uma família própria.

O meu arrependimento vai pairar sempre. A minha vida é mais pobre porque não tenho filhos, e eu sou menos mulher por não ser mãe.





postado originalmente em: Marxismo Cultural

terça-feira, 19 de abril de 2011

Giving Nietzsche Eyes



In my previous post, commentator Nietzsche made the following comment:

"I'll provide another scenario. A secluded island of peoples that have no contact with Christian missionaries or the bible. Are they born Christian? Do they believe in Jesus or Jehovah? No, again goes to prove that without teachers or missionaries, Christianity like other pagan religions will die out. The only people who perpetuate the "faith" is its followers."

Consider a community of blind men who are strict empiricists. From their perspective, lacking the sense of sight, they would be unable to verify the existence of colours, and any statements with regard to colour, shape or pattern would be,from their point of view, unempiric and hence unscientific. Statements concerning visual phenomenon would be unable to be verified and hence would be articles of faith; a body of knowledge belonging to the category of superstition.

Now suppose a sighted man, literally a visionary, told them about the phenomenon of colour, how could they discern if they were telling him the truth or not? They can't, because they lack the sensory capacity to confirm the subject in question.

The core idea behind empiricism is that perception is the window to reality, and that any understanding of reality must be perceptually confirmed.

People say that seeing is believing. But seeing is not believing; thinking is believing. Seeing is knowing; everything else is emotive hope, probabilistic guess or reasoned theory.

Commentators Brockmann and Neitzsche have put forward the argument that without sensory input of any kind, a man would fail to be Christian, and that religious belief is conditional upon personal circumstances. Their view is partially correct. Men inherit their faith from their ancestors and certainly, for the unreflective man, faith is a circumstantial habituated practice.

The reflective man however has a problem. He questions and challenges his faith, and if logically consistent, finds that there is nothing in the Universe which supports his view. Thieves prosper, the good are murdered, and the completely innocent suffer tremendously. Empirically, there is no way he can confirm that Gay Marriage and Adultery are objectively wrong. Statistically he may be able to find data that supports a respective religious vision, but he cannot find any data the confirms a creed. As commentators Brockmann and Neitzsche imply, ought cannot be derived from is and hence the implication that transcendent truths are unknowable, and therefore arbitrary fairy stories; cognitive products of the imagination for whatever reason.

They are, of course, logically correct.

And yet they are wrong.

Because their understanding of the human perceptual capacity is in error.

I wish to illustrate what I mean by starting off with a passage of biblical text. Not because I want them to believe in the veracity of the Bible, but because the text succinctly explains the difference between believers and non-believers and problem of Modernity.
As it is written: God hath given them the spirit of insensibility; eyes that they should not see; and ears that they should not hear, until this present day.

(Romans 11:8 Douay-Rheims)
Note the term insensibility, the inability to sense or perceive. This is not a play on words, as different translations of text refer to same phenomenon. The Christian fathers did not think of faith as a cognitive process but a sensory modality. In their view, unbelief was not the product of faulty thinking, it was the product of insensibility; a perceptual failure.

To them, faith was a sixth sense; an eye or ear-like faculty which allowed us to perceive non-physical realities. When the Christian fathers asserted that men should not commit adultery, they were not plucking something out of thin air or making a rational calculation based up their value preferences; they were being empirical.

Where the strict empiricists(and quite a few Christians) go wrong, is in assuming that the phenomenon of faith is a cognitive process, the end point of some form of emotive or faulty rationalisation, instead of a sensory phenomenon.

A great example of this "perception"sense in operation, as opposed to cognitive effect, was the motive force behind C.S. Lewis' own conversion to Christianity:
"You must picture me alone in that room at Magdalen, night after night, feeling, whenever my mind lifted even for a second from my work, the steady, unrelenting approach of Him whom I so earnestly desired not to meet. That which I greatly feared had at last come upon me. In the Trinity Term of 1929 I gave in, and admitted that God was God, and knelt and prayed: perhaps, that night, the most dejected and reluctant convert in all England" (Surprised By Joy, ch. 14, p. 266). (My italics)

Lewis was no gullible idiot. Here, what we see in this passage, is Lewis wanting to rationalise away a perception or experience that he was having. Like someone suffering a sore tooth, which forces itself to their attention, Lewis was being nagged by some form of unwilled sensory stimulus. His conversion was not the product willed rationalisation but of an unwanted experience: The intruding sense of "Him" was felt/percieved rather than willed. Lewis had no choice in the matter, in the same way he had no choice in choosing the colour of the sky.

When a man of faith says murder is wrong, it's akin to him saying an apple is red or the sky is blue. It's a statement of fact rather than opinion. Of course to the "blind" man who believes that all men are blind, there is no such objective thing as redness, saying that the apple is red or the sky is blue is purely arbitrary.

The Church fathers recognised that the "faith-sense" was the weakest of all senses, through which we saw "through a glass darkly", much like looking through a cataract affected eye; broad shapes can be detected but the detail eludes us. I imagine that a very undeveloped form of this faith sense is what explains humanity's default morality. All people have a crude understanding that murder and theft are wrong, and they understand that they are wrong at a deeper level than cognitive explanation, they percieve them to be wrong.

It's this lack of sensory acuity which probably explains the profusion of religions, men have felt the pull of transcendence or mistaken an experience as transcendent, and interpreted the sensation incorrectly, in the same way that a group of nearly blind man can discern human forms but disagree with regard to the identity of them.

The atheist mistake is in assuming that the divisions amongst the religious are due to differing rationalisations instead of differing interpretations. To use our nearly blind group of men analogy, the atheist or rationalist blind man thinks that the man affected with the severe cataracts is making things up, whilst the man with the cataract is trying to understand what is going on. If you were to take a group of men with cataracts and present them with a the image of a person at a distance, one will say its Fred, some will say its Bill and the others will say its Judy, they will all know that they have percieved something even if they are not sure what it is, but the blind men, being unable to perceive, will assume that the cataract affected, are making things up.

What separates the Moderns from the rest of humanity is in this perception of "something else" beyond the five-sense barrier. And Christians ,in particular, should understand that from the atheist perspective (those who lack the faith sense), religion is logically ridiculous. And it is this fact that poses a huge practical problem for conservatives and it also gives an inkling of what we are up against.

When Christopher Hitchins or his ilk argue that faith is just superstition and "fairy stories", they are absolutely correct from their objective point of view. You see, Hitchins et al, live their life assuming with certitude, that there is no such thing as "faith-sight" and any statements with regard to "faith-colours or forms" are arbitrary. The honest ones amongst them are like blind men, who truly and honestly believe that there is no such thing as sight, and any statements regarding such are rubbish. Trying to convince these men, by rational argument, of the existence of transcendent moralities is by logical necessity, going to fail. In order to get the get the militant atheists on side you've got to get them to "see". They literally can't think their way towards religion because good thinking without faith is irreligious. Or to put it another way, arguing with them is like arguing with a blind man about the nature of colour, there is no way you can get him to "see" red.

This "faith-sense", not being a renationalisation process, cannot therefore be experienced by acts of rationalisation. Blind people cannot experience colours by study or by rational argument; they have to sense them.

The only way past this impasse is by some way granting them the ability to "see". The Church fathers also recognised that this faith sense was not "intrinsic" to our being but was rather a bestowed gift of God.* That means petitionary prayer; asking God to give our enemies "sight". This is why there will be no HBD or atheistic conservative revival (they may be able to give the appearance of conservative revival but it will eventually degenerate into leftist decay, it's a movement trying to empty a bathtub with a seive). They are operating within the same sensory frame of reference as do the atheists.

The West is doomed unless men start praying to God for revival and conversion of their enemies. When the monasteries start reappearing, that's when you know it'll all be right.



*(Personally I'm not so sure of this, I sometimes wonder if we all have this sense but that it becomes dulled either by Divine will or by evil human habit or will, i.e the sense is intrinsic to our being.)



extracted from the Social Pathologist

terça-feira, 12 de abril de 2011

The Last Days of Layne Staley





The Last Days of Layne Staley

by Charles R. Cross
Rolling Stone
June 1, 2002


In the summer of 1987 , guitarist Jerry Cantrell walked in a raucous Seattle party and saw a man at the center of it all , with bright pink hair pilled atop his head by means of fire poker. "he had a big smile on his face, and he was sitting with two gorgeous woman," Cantrell recalls of the moment he met Layne Staley. Cantrell didn't have a place to live, so Staley took him back to what passed for his residence - a dumpy, piss-smelling rehearsal studio where both would live for the next year. And when Cantrell heard Staley sing, he was convinced their friendship would be a lasting one: "I knew that voice was the guy I wanted to be playing with. It sounded like it came out of a 350- pound biker rather than skinny little Layne. I considered his voice to be my voice." Sometime in the first week of April, that oversize voice - which fueled a half-dozen radio hits and helped sell millions of albums - died along with Staley. On Friday, April 19th, his body was discovered in his Seattle condo. The medical examiner estimates Staley had been dead for two weeks, putting his date of death roughly as April 5th - the exact date, eight years earlier , when Kurt Cobain took his own life. A heroin cooker and a syringe were found next to Staley, and though authorities remain uncertain of the cause of death, drugs clearly played a role. Staley was thirty-four. His death ends the fifteen-year history of Alice in Chains, of the most successful Seattle bands of the Nineties. It also ends one of the longest-running personal tragedies in rock, as Staley's protracted drug problems were well documented both in the press and in his powerful lyrics. Half of the songs on 1992's 4- million- selling Dirt touched on heroin addiction, a theme that Staley detailed painfully in such songs as "Junkhead" and "Down in a hole." "I wrote about drugs, and I didn't think I was being unsafe or careless by writing about them, " Staley told Rolling Stone in one of his last interviews. "They worked for me for years, and now they're turning against me - and now I'm walking through hell." The end didn't come as a surprise to band mates who had watched his slow deterioration and failed rehab efforts, but it still left them grieving. "It's like one of the world's longest suicides," says Alice in Chains drummer Sean Kinney. "I'd been expecting the call for a long time, for seven years, in fact, but it was still shocking, and I'm surprised at how devastated I am." Staley's death came at a time when the influence of Alice in Chains on modern rock seemed greater than ever. Groups as diverse as Creed, Puddle of Mudd and System of a Down show Alice's influence in their dark sounds and themes. "When Dirt came out, the thing did not leave my CD player," says Sully Erna, whose band, Godsmack, shares its name with an Alice song. "I've never heard someone's voice hit the tape like that. He's the reason I started singing." Staley was born on August 22nd, 1967, in the Seattle suburb of Kirkland. He began as a drummer but quickly switched to singing with his first garage band, sleze. While most Seattle groups were exploring punk, the initial incarnation of Alice was decidedly glam - Staley wore baby-blue satin suits on stage. "He had a real cockiness about him," says musician Johnny Bacolas, a longtime friend. When Staley teamed with Cantrell, Kinney and original bass player Mike Starr, Alice in Chains quickly gained a Northwest fan base. "He was funny and lucid, and without a doubt he was not reluctant to be a star," remembers Pearl Jam Mike McCready. Alice signed to Columbia in 1989, and on an early tour they headlined above the then - unknown Pearl Jam. The band played itself in the Cameron Crowe movie Singles, and "Would?" - its contribution to the soundtrack became Alice's first hit, in 1992. Dirt quickly followed and went platinum. By late 1993, as Nirvana and Pearl Jam cooled off, Alice had headlined Lollapalooza and briefly reigned as the most commercially successful Northwest band. In 1994, Jar of flies became the first EP ever to debut at Number One on the Billboard charts. But even before the band's greatest fame, substance abuse problems - not just Staley's threatened to derail Alice. "We partied like demons." admits Kinney. "It took a toll. From 1991 on, it was getting pretty ugly, and Dirt is a shining example of how ugly it got. No one wanted to address it , because no on wanted confrontation." During the early Nineties, Staley enrolled in several rehab programs , but he failed to stay clean for long. At one point , the other members flew to Los Angeles for weekly therapy at Staley's rehab. "We would have done anything he wanted to have helped him," Kinney says. "Sadly, I felt that what he wanted was for us to leave him alone." Cobain's death in April 1994 scared Staley into temporary sobriety, but soon he was back into his addiction. "Everyone around him tried over and over again to help him get clean," says Pearl Jam manager Kelly Curtis. "In the end there was little else anyone could do." Alice's managers turned down lucrative touring possibilities and kept the band off the road, hoping that would help. With Alice temporarily on hiatus, Staley formed a side project called Mad Season, with McCready. "I told him ," McCready says, " ‘You do what you want, you write all the songs and lyrics. You're the singer.' He'd come in , and he'd do these beautiful songs." The resulting album , from 1995, quickly went gold and spawned the hit "River of Deceit." McCready had hoped that playing with sober musicians would encourage Staley. "I was under the mistaken theory I could help him out," he says. "I wanted to lead by example." But Staley's descent continued. After 1995's Alice in Chains, which also went to Number One, the band played only a hand full of dates. Its final shows were as the opening act for kiss, one of Staley's favorite bands. The biggest blow for Staley came in October 1996, when his long time girlfriend , Demri Parrott, died of bacterial endocarditis as a result of her own drug abuse. "He never recovered from Demri's death," says Mark Lanegan, formerly of Screaming Trees and one of Staley's best friends. "After that, I don't think he wanted to go on." Following Parrott's death, Staley moved to a penthouse condominium in a secure building and rarely answered the door or the phone. His health deteriorated to such an extent that most of his close friends thought him near death. Abscesses from years of heroin abuse covered his arms, ad he lost most of his teeth. A 1997 internet rumor that he had lost an arm to gangrene became an urban legend. But Staley steadfastly refused to return to rehab and vehemently argued that self - help groups such as Narcotics Anonymous were not for him. "He was way , way past the point where walking into an N.A. meeting would have been sufficient," says a friend. "There were so many rationalizations he had of why he couldn't get better." For several years, Staley rarely left his condo and spent most of his days creating art, playing video games or nodding off on drugs. He began to mix heroin and cocaine, and he started using crack. Even finding drugs became a physical burden, so he employed a series of dealers and other users who regularly brought him what he jokingly referred to as his "medicine." "His daily life," confides a friend, "was just a extreme struggle to get his medicine. His sense of time became so distorted." Acquaintances would visit after an absence of a year or more, and Staley would insist they'd been away for only a month. "It got to a point where he'd kept himself so locked up, both physically and emotionally," says Kinney. "Even if you could get in his building , he wasn't going to open the door. You'd phone and he wouldn't answer . You couldn't just kick the door in and grab him, though there were so many times I thought about doing that. But if someone won't help themselves, what, really , can anyone else do?" It is a question that has plagued everyone who cared about Staley. "I loved him and will always love him," says his manager, Susan Silver. "He was like a brother to me. He was this little broken but gentle spirit. We did everything we could thing of to help him choose life, but sadly the disease won instead. Even as the sickness progressed, Staley's friends and band mates continued to reach out, with little success. "I kept trying to make contact," Kinney says. "Three times a week, like clockwork, I'd call him, but he'd never answer. Every time I was in the area, I was up in front of his place yelling for him." Both Kinney and Cantrell say they hadn't spoken with Staley for at least two years. He did remain close to his mother, Nancy and stepfather, Jim. In February, the family was overjoyed when Staley visited after the birth of his first nephew. Staley's spirits seemed raised, and he used a video camera to capture the event. In early March, Staley's friends speculate, he may have contracted an illness, and with his drug weakened immune system, he couldn't fight it off. "I know for a fact they will find drugs in his system," says Kinney, "but I think his body just gave out." Staley had the wealth to continue his addiction unabated, but , ironically, it was money that served as the tip-off that something was wrong: His accountants noticed there had been no activity on his accounts for weeks. On April 19th , his mother and stepfather went to his condo with the police. At 5:50 p.m. they kicked down the deadbolted door and found Staley's body on the couch. A week after Staley was found, 500 fans gathered at Seattle Center on a rainy day night for a public memorial. "I knew Layne was loved because I loved him," his mother says. "But had no idea he had this kind of impact on so many people." A private funeral the next day brought together Staley's band mates, friends and family, away from the glare of publicity. "It's not the newest story," says Kinney. "It's the fucking rock & roll cliche, and I wonder if it will ever stop. I just hope nobody has to go through this again." Cantrell says he'll choose to remember his late friend from an act of generosity in his pre-addiction days. In 1990, Cantrell and Staley visited New York and were put up in a ritzy hotel by their record company. That night Staley befriended two homeless men. "It was Layne's idea to invite them up to the room," Cantrell says. "We fed them room service and sat up and talked to them all night. That was the kind of guy Layne was - a guy with a huge fucking heart." The addiction was worsening. In 1994, after the release of the ‘Jar of Flies' mini-album, the band cancelled their support slot on a high-profile Metallica tour. Rumours immediately began to circulate; the band had split (true, as it happens, though only for six months); Staley was suffering from AIDS; Staley was dead. The one thing that was undeniably true was that Alice In Chains were once a band who could have it all; now they were in danger of losing it all. In 1995, Alice In Chains regrouped to record their self-titled third album, which emerged in October of that year. Muted and lackluster, it lacked the black-hearted grandeur of ‘Dirt'. Only the first single ‘Grind', with it's defiant opening couplet ‘in the darkest hole you'd be well advised/Not to plan my funeral before the body dies', contained the spark of old. Journalist Jon Weiderhorn interviewed the band for ‘Rolling Stone' magazine around the time of the album's release. Although he dismissed rumors about his health, Layne Staley refused to comment on whether he was still addicted to heroin. Wiederhorn pointed out Staley's "uncut, dirt-encrusted fingernails", and noted "what appear to be red round puncture marks" from the knuckles to the wrist of the singer's left hand. "And as anyone who knows anything about (intravenous) drugs can tell you," wrote Weiderhorn, "the veins in (the) hands are used only after all the other veins have been tapped out." The issue containing the feature hit the news-stands in early 1996. It was the last time that Layne Staley spoke to the press. Alice In Chains played what would turn out to be their final live show on July 3, 1996 in Kansas City, Missouri, the fourth of four scheduled dates supporting Kiss on the latter's comeback tour. Up on the stage, Layne Staley looked ill: dangerously thin and unnervingly pale, he clung to the mike stand, barely moving. At the end of the set, the band took their bows and walked off the stage. And then Layne Staley disappeared. It's not clear whether Staley initially intended to take a temporary hiatus from music, or make a permanent break, but sightings became increasingly rare. Sources close to the band suggest that it was the death of Staley's girlfriend Demri Parrott (sp?), that was the final straw. Parrott, 27, died of a heroin overdose on October 29, 1996. According to one report published at the time, the singer was so grief-stricken that he was put on a 24-hour suicide watch. Friends say that after Parrott's death, Staley didn't seem to care about his own drug habit anymore. In his absence, stories began to spring up. It was rumoured that Staley rarely left his apartment, that he spent all his time painting or playing video games, that he had lost the ability to ingest food and was living on a diet of Ensure - a nutritional drink favoured by vitamin deficient pensioners. The most widespread rumour of all suggested that he had contracted gangrene from using dirty needles, and that he'd had, depending on who you talked to, either fingers, a hand, or a whole arm amputated (an allegation vigorously denied by everyone connected to the band). One man who did see Staley during this period was ‘Dirt' producer Dave Jerden. Alice In Chains reunited in October 1998 to record two new tracks for their ‘Music Bank' box set. The singer, said Jerden at the time, "weighed 80 pounds, and was white as a ghost". In the late ‘90's, Seattle music paper ‘The Rocket' were said to have already written Staley's obituary, waiting for the inevitable opportunity to run it. "We did say that the next time we'd be writing his name it would be for his obituary," says Joe Ehrbar, the editor of ‘The Rocket' during Staley's years of inactivity. "We used to joke about writing his obituary, but we never got round to it." Staley might not have been visible, but a glimmer of his presence was occasionally felt in Seattle. When AIC's longtime manager, Susan Silver, announced her retirement in 1998, ‘The Rocket' ran a piece asking ‘But who's to wipe and clean Alice In Chains now?" "It was a dig at Layne and the constant rumors about his health," says Joe Ehrbar. "A few days later, we received a package containing a jar of piss and a bag od shit, with a not attatched saying, "Wipe and change this, motherf**kers!'. It had to be from Layne. What a classic response." Between 1997 and the time of his death, there were only a handful of public sightings of Layne Staley. Scour the official Alice In Chains message board, and you'll find only a handful of reports from fans (a grey-faced Staley, filling up his sports car in a gas station; a man resemebling the singer drinking in a Seattle bar called the Tractor Tavern). One posting claims that Staley had alienated all his friends, "except his dealer". In 1998, Jerry Cantrell told Kerrang! That the members of Alice In Chains regularly hung out at Layne's house, "drinking beer and playing video games". Twelve months later, Sean Kinney also spoke to Kerrang!. The drummer was less upbeat. "I talk to Layne, but we don't hang out," he said ominously. "I don't live his lifestyle, so his house isn't the healthiest place to be around. I don't need any help to get annihilated." Three years later, Layne Staley was dead, an apparent victim of that very same "lifestyle". Precisely what happened in the years leading up to his death is unclear at the moment; considering the circumstances, there's a very good chance that it'll remain that way. In death, as in life, Layne Staley remains an enigma. At 6 pm on Saturday, April 20, just 24 hours after Layne Staley's body was found, a vigil was held at the International Fountain in Seattle. Two hundred fans gathered to light candles and pay tribute to Staley. The vigil was organized by Alice in Chains fan Cain Rurup via the band's official website. "It's the least I could do for what he gave to me," said Rurup. "Every Alice In Chains album came out a time of my life when I really needed it. They fit like pieces of a puzzle. I think they saved my life, because I had some of the same addictions." Later in the evening, Staley's bandmates Jerry Cantrell, Sean Kinney, and Mike Inez turned up at the vigil. They were joined by ex-Soundgarden frontman Chris Cornell and Susan Silver, Cornell's wife and Alice In Chains former manager. "My heart is broken," said a tearful Kinney, while Cantrell hugged fans. Members of Staley's family are also in attendance; the singer's mother is reported to have spent time comforting grieving fans. The final word should go to Jamie Staley, speaking outside her brother's apartment. "It's clear that people loved him and will miss him," she says simply. "It would mean a lot to him too, to know that this many people loved him."









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