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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A demagogia feminista matrixiana de Stephenie Meyer




Bom, seria difícil eu continuar calado por muito tempo diante do estrondoso e descabido frenesi causado pela série de livros recentemente publicada por esta autora norte-americana.

Minha intenção não é fazer uma resenha crítica das obras ou filmes já lançados, mas sim do impacto que elas tem causado na sociedade de forma geral, sobretudo no pensamento dos jovens (predominantemente dAs jovens).

Todos sabemos a predisposição natural que as mulheres tem para a apreciação de toda e qualquer obra dos gêneros romance e drama.
O que víamos até o momento eram filmes, livros, peças e até mesmo novelas repletas de histórias simultâneamente envolventes, emocionantes, intrigantes, belas, trágicas e muitas vezes incoerentes.

Digo isso pelo fato da maioria dos livros e filmes de romance que já vi serem marcados por uma série de clichês, que deixam os filmes um tanto quanto previsíveis e desestimulantes para os homens, mas inexplicavelmente atraentes para as mulheres. A resposta para essa questão não poderia ser mais óbvia, uma vez que homens e mulheres são tão diferentes, a começar pela mente; a deles, geralmente mais racional, e a delas, primordialmente emocional e sentimental. Essa é na verdade a tônica de quase todo livro de auto-ajuda moderno que trata do tema relacionamentos.

Pois bem, temos então uma série de livros onde nos é apresentada um tema aparentemente cheio de ficção, terror e coisas do tipo ( o que naturalmente atrairia mais a atenção dos homens), mas ao entrar no cinema para ver o primeiro filme da série (Crepúsculo) me vejo enganado e frustrado pois o filme nada mais era que um romance clichê, sob o prisma secundário de uma trama pobre e bucólica entre um vampiro "vegetariano" e uma mulher qualquer. Mas como assim, um vampiro nutrindo sentimento por uma humana? Um ser que biologicamente sequer deve fazer parte da mesma espécie dos humanos, que é primordialmente alimentado por sangue e carne humana? Onde está a lógica disso? Seria como que uma história de amor entre um cachorro e um gato.

Seguido a isso soma-se a entrada de outro mito frequentemente relacionado com o vampirismo. Temos também um lobisomem que invariavelmente se apaixona logo pela mesma mulher que o vampirinho apaixonado está envolvido. Forma-se então o triângulo amoroso presente em grande parte dos romances... nada de novo.

Mas alguns aspectos realmente fogem da regra, a começar do fato de que é a primeira vez que vejo um autor conseguir deturpar regras primárias, básicas e convencionadas pela prática reiterada no que concerne aos vampiros. Temos toda uma tradição milenar resguardando essa lenda que vinha sendo respeitada através dos séculos... até hoje.
Temos aqui um vampiro totalmente integrado no meio social humano... ele vai a uma faculdade, anda no carrinho do ano, usa roupinhas da moda, passa laquê e faz luzes no cabelo. Praticamente um pau mandado do mundo da moda (o que as mulheres adoram), mas tudo bem... Agora o mais incrível é que ele não morre ao entrar em contato com a luz solar, mas fica brilhando como uma jóia rara e cara (mais viagem errada pra ludibriar o tão facilmente ludibriável público feminino). Consequentemente, o covil de um vampiro tradicional, que deve ser num ambiente hermeticamente fechado, selado e sem a presença de qualquer luz solar dá lugar a um quarto de um jovem descolado e moderno, e de brinde a mulher ganha uma jóia em formato humano durante os dias ensolarados.
Isso por si só já faria qualquer homem ou mesmo mulher mais esclarecida repudiar e ridicularizar totalmente uma obra tão sensacionalista, tendenciosa e mal argumentada, mas vamos lá, o melhor (ou pior) está por vir.

Como é de se esperar de todo filme de romance que se preze, temos a presença de um (ou mais) homem que possui todas as "qualidades" que uma mulher sonha pra seu futuro cônjuge. São geralmente homens bonitos, altos, bem vestidos, ricos, inteligentes, destacados, poderosos, desejados, charmosos, sensíveis e não medem esforços pra conquistar o coração de sua amada. Até aí tudo bem, se formos revirar o mundo de ponta-cabeça talvez podemos achar uma dúzia desses indivíduos (uma dúzia em 3 bilhões). Mas vá lá, até agora ainda plainamos sobre o prisma da realidade, embora estejamos longe do prisma da possibilidade. Agora nesse tipo de filme qual é o tipo de mulher que eles escolhem aparentemente sem motivo algum pra despejarem esse caminhão de qualidades e afagos? Uma qualquer, uma mulher muitas vezes sem qualquer diferencial, não tão inteligentes, não tão bonitas, não tão charmosas ou divertidas... resumindo: um pão com ovo.

Agora onde está a realidade disso? Onde no planeta um cara que qualidades de um semideus vai se apaixonar loucamente por uma nada? Todo homem ou mulher com qualidades de destaque no mundo atual sabe de seu valor, e é proporcionalmente exigente. Essa correlação estabelecida entre homens de destaque e mulheres comuns não existe. E vice-versa (friso no vice-versa).
E não paramos por aí, pois no caso da nova febre vampiresca mundial tempos DOIS homens Alfa disputando uma mulher sem qualquer diferencial... uma adolescente não tão bela, grandemente insegura, cheia de dúvidas e dilemas. E o que eles fazem? Viram o rosto e procuram outra como ela, que conseguiriam sem qualquer esforço? Não, eles dedicam suas vidas, atenção, tempo, inteligência e força física na consecução do sonho divino de poder cortejar o pão com ovo. Irreal? Já fomos bem além da insanidade nesse ponto.

Mas tudo bem, agora vamos avaliar os pontos intrínsecos de toda essa disparidade: que valores são mostrados nos filmes de romance para o desejo infinito por parte das mulheres?
Homens com grande valor ético e moral, princípios e caráter inabaláveis? Uma família estável e intenção de criar um futuro sólido e uma família concreta e bem estruturada? Nem sempre. Aliás, esses fatores são colocados em segundo plano nos romances, são facilmente abafados por sua beleza, charme, dinheiro, influência social, fama ou poder.
Todas essas qualidades apresentadas no ser idealizado pelo estilo romântico são nada mais, nada menos que traços comportamentais, e não raízes de caráter e comportamento. Digo, qual a dificuldade que um tremendo picareta enganador teria em se portar como uma donzela, arrumar o cabelinho e as roupas, falar macio e o que a mulher iludida quer ouvir... ter grana. Qual dessas qualidades não pode ser forjada ou conseguida através de meios excusos?
A mensagem passada então é de que mais vale se casar com um político influente, um artista de cinema ou um mega-empresário do que um jovem bem intencionado, de caráter e boa família, uma vez que o jovem convencional não vai realizar os sonhos mais insólitos e delirantes das mocinhas que nada tem a oferecer em troca, a não ser o aceite pra todas essas regalias.
Alguém mais sente o cheiro de uma incoerência violenta aí?

Se até vocês, mulheres com algum bom senso que estão lendo isso aqui já perceberam, quem dirá os homens, que certamente ficam indignados com isso em sua maioria, salvo as exceções que já se vêem presos nesse sistema doentio, como numa Matrix. Passam a ter incutidas em suas mentes todas essas idéias e passam a realmente acreditar que isso é o normal, convencional... e passam a lutar pra se tornar esse cara "ideal" que busca uma mulher qualquer que nada vai o oferecer em troca, mas um "sim".

Quero deixar claro que não pretendo com essas palavras descreditar o amor, a paixão ou nenhum tipo de relacionamento. Estou apenas explicitando como se dão as coisas na realidade e não nos devaneios de jovens sonhadoras e emotivas. Que fique claro que uma coisa é o desejo, a comodidade, o sonho, outra é como a vida realmente é, como as coisas realmente acontecem.
Não sou contra ninguém querer o melhor pra si, e muito menos contra caras que lutam pra desenvolverem suas capacidades ao máximo, mas certamente não é saudável que o façam somente pra agradar o sexo oposto, e sim por si mesmos, a menos que queiram ser eternos platônicos frustrados.

E outra, mulheres, sejam coerentes... se vocês sonham mesmo com o melhor cara do mundo, procurem ser as melhores mulheres do mundo, ou então serão vocês as eternas platônicas. Procurem fazer por merecer o que vocês desejam, busquem humildade, sabedoria, auto-controle, sejam prendadas sim; lutem pelo próprio futuro ao invez de esperar que um riquinho apareça pra te pegar pra criar, construa as coisas na sua vida e continue construindo ao lado do homem que encontrarem... caso contrário vamos continuar tendo uma sociedade cada vez mais cheia de homens que buscam progredir e evoluir, e mulheres educadas no estilo Gossip Girl, patricinhas fúteis, metidas e alienadas cuja maior preocupação é como melhor gastar o dinheiro do pai, ou como trair o namorado sem rodar, e nas horas vagas fazerem fofocas, intrigas e trairagens diversas. Lembrem-se que por trás de todo grande homem, há uma grande mulher. Agora pensem se estão prontas para serem uma. Ou se isso que vcs buscam realmente configura um grande homem, ou apenas um playboyzinho romantizado.

Enfim, não sou anti-romancista nem anti-crepúsculo-lua-nova-e-o-caramba, sou contra essa disparidade mostrada nesse gênero de filme, que faz bem pro ego de qualquer mulher, mas que avassala pressopostos básicos de construção de uma relação estável, real, duradoura e verdadeira. Isso pode parecer insanidade ao ponto de vista das romancistas de plantão, mas qualquer pessoa com bom senso vai concluir que isso é honesto, coerente e justo.

Agora as mentes já estão deturpadas a tal ponto, que ao verem a natural, óbvia e consequente revolta do público masculino quanto a esse tipo de idolatria desvairadas, quais são as reações emocionais e ululantes das mulheres? .É ciúme, é inveja, vcs queriam ser como ele".
È mesmo é? Quer dizer que agora homem que é homem sente inveja do que não existe? Sentimos inveja de uma ficção mal feita pela mente de uma descompensada feminista e ainda o invejamos? A cabeça de quem pensa assim já está tão longe do plano terreno que sequer analisam a impropriedade de uma afirmação dessas.
Os homens que invejam outros por grana, beleza e afins, são os mais betas, vazios e incapazes exemplares de homem que eu conheço, se é que podem ser chamados como tal. Homens de valor sabem seu lugar, sabem seu conteúdo e jamais seriam inebriados por tal nível de abstração da realidade. E mulheres sábias e minimamente realistas pensam da mesma forma, e já repudiam tais afirmações impostas de primeira. Ademais, homens quem tem real valor, e sabem disso, jamais vão se render a mulheres que procuram tais devaneios sentimentalistas.
E mais: contrariando a sabedoria popular atual (se é que se pode chamar isso de sabedoria) frenesi popular, paixonite ou grana não constróem relação que se preze. E sim fica de fora desse tipo de obra.

A idéia básica é essa, pensem nos dois lados ao pensarem em relacionamentos, e muito cuidado com as idéias implícitas que são passadas como naturais e válidas a cada dia por esse sistema que já ferrou com quase todos os valores e princípios que deveriam mais ser buscados por todos... muito cuidado mesmo.



Que venham as pedras cor-de-rosa e as flores azuis!









ps. materiais pertinentes e/ou engraçados:

http://www.youtube.com/watch?v=VybXGd5vD1M

http://www.youtube.com/watch?v=QYWgxxW5t5Q


http://www.zerooitocentos.org/stephen-king-acaba-com-stephenie-meyer-e-diz-que-ela-nao-escreve-nada/
'Comentário:
Andréia
Postado quinta-feira, 17 de setembro de 2009 as 16:55

Amei Crepusculo,apesar da maioria das pessoas do sexo masculino que eu conheço dizer que o filme é filme de menininha,inclusive o meu marido,em questão de se comparar a harry potter,realmente deixa muito a desejar,mais o mais encantador em crepusculo é o amor que Edward sente por ela,em querer sempre protege – lá,em cuidar dela,isso faz com que todas as meninas delirem,pois é o que todas nós mulheres sonhamos ter um homem que nós ame incondicionalmente e que de quebra seja lindo e rico,os detalhes não interessa quando vc pode pegar o verdadeiro intuito da historia,e o intuito é este fazer nós mulheres delirar imaginando que possamos encontrar um homem com todos estes atributos um dia,mas digo uma coisa para vcs meninas,querem um homem assim?nunca se case com ele então,pq depois que casa o Edward se transforma no SHEREK!!!!!!!!!!!!!!,PALAVRA DE QUEM CASOU E SABE COMO É.Andréia 21anos casada a 3 anos.'

6 comentários:

Alexandre Silva disse...

Caro Marcos

Há tempos eu ñ leio um texto bem estruturado assim na internet. E concordo com tudo, realmente as coitadinhas agora querem um "Cullen" na vida delas sem dar nada em troca, kkkkkkk... coitadas.
Peço autorização pra divulgar seu texto no meu blog ou até msm por e-mail. Apesar q acho difícil obter comentários coerentes pq além da preguiça q o povo tem de ler a interpretação de texto é uma coisa terrivelmente falha no braZileiro.

Digo isso pq no máximo vc vai conseguir aqui comenários como os q vc já citou: "Tá com inveja"
Lamentável...

Abcs
http://falandoprasparedes.blogspot.com

Geisa disse...

Não me arrisco em definir o q desconheço, mas a relevância logo se manifestará.
Afinal, me impressionou a maneira como expôs seus argumentos, é notória a presença de assertividade em suas palavras, o q faz de vc um indivíduo assertivo.
Ainda q seja uma avaliação grosseira, e desculpe por isso, achei pertinente.

Se bem entendi, assertividade é afirmar algo sem ofender e sem recuar. Tem haver com saber se firmar e afirmar!
Suas opiniões são firmes e não parecem se preocupar c o “politicamente correto”, antes esclareceu sua idéia de forma humana, real.

Mto Bom e concordo.
abraço
Geisa Costa

Evaldo Luiz disse...

Ainda bem que eu li isso antes...

Eu pretendia comprar o livro pra ver o porquê dessa merda fazer tanto sucesso... Agora, desisti...

Parabéns, cara... Parabéns mesmo...

As mulheres querem um "Cullen", mas não fazem o mínimo esforço para merecê-lo. É muito fácil exigirmos do outro aquilo que deve partir de nós mesmos...

Eu me revolto com esse tipo de coisa...

Dandara disse...

Só hoje te vi falando sobre esse texto na comunidade do PoS, fiquei curiosa.
Muito bom, adorei a parte sobre o pão com ovo, ri muito, haha.

Li 3 dos 4 livros da série, por pura curiosidade, para entender que tipo de coisa as pessoas andam idolatrando (agora estou criando coragem para ler o último, pra concluir a saga, mas parece um trabalho incrivelmente árduo). Os filmes são relativamente fiéis mesmo, mas os livros, claro, são bem piores, com páginas e mais páginas de toda essa história terrível.

Edward Cullen passa longe de qualquer coisa que eu já tenha imaginado como homem ideal. Ele é manipulador, chato, piegas e conservador. E, claro, ele brilha, é frio e duro feito pedra, além de ter conseguido se apaixonar por uma adolescentezinha sem graça tendo mais de 100 anos (o que me faz concluir que ele deve ser retardado também).

Se você não se importar com spoilers, eu vou dar alguns. Na terceira parte da saga, Edward faz chantagem para conseguir que Bella case com ele. Sim, chantagem. Ele também pede à irmã para sequestrar a namorada dele, para que ela não encontre com o Jacob. Sim, sequestrar. Eles nunca riem quando estão juntos, nunca parecem se divertir juntos. Na verdade, eles nunca falam de muita coisa além de como amam um ao outro de forma incrivelmente melosa e piegas (sinceramente, "você é como minha heroína", ou "e o leão se apaixona pelo cordeiro", não são coisas românticas e bonitas para se dizer a uma mulher, são coisas toscas, que provavelmente fariam mulheres de verdade se acabarem de rir), e sobre como a vida da Bella está correndo perigo e ele precisa salvá-la (porque, nesses livros, todo mundo consegue se interessar absurdamente por essa garota, de uma forma ou de outra). Há algo legal também: ela o trai, ele sabe, e nada acontece (nada mesmo, eles sequer brigam). Pois é, o cara ainda ganha um chifre do pão com ovo e continua feliz.

A moral distorcida dessa saga é nauseante...

Ana Cristina disse...

Então, eu concordo com muito disso que vc escreveu, senti esse tipo de absurdo quando estava lendo o livro e até escrevi uma pequena crítica no meu blogue. O que não concordo é quando vc diz que a autora é feminista, pois ela passa raspando só quando a personagem feminina demonstra desejos sexuais em relação ao parceiro, coisa que é tabu ainda. Mas de resto, Crepusculo é sufocante, o vampiro é grudento, chato, possessivo, autoritário e violento. Nós mulheres não queremos homens assim, não é bom pra gente. Houve uma queda da personagem Bella desde o início do livro/filme: de uma garota independente à uma garota totalmente dependente e devota a um homem controlador e isso não tem nada de feminista, aliás, isso sim que deu medo nas feministas! E outro ponto que vc citou, o dinheiro. Achei estranho sim no segundo filme quando Bella preferiu ficar com o vampiro, pareceu mesmo que houve uma mensagem implicita no sentido de "o que tem mais grana é melhor", pois as vantagens eram similares nos dois casos, os homens eram similares. Outra coisa, o que é um vampiro de quase 100 anos agindo feito um moleque? Deus me livre! Adorei o texto!

Anônimo disse...

Débora CC Lemos
O que escreveu foi sensato quase morri de ri do filme era patetico, só mulheres vazias de almas se imaginam ter um cara como o do Crepúsculo, não li o livro fui firme de opinião, desde criança sempre sofri por não ter a mente povinho da modinha, sem conteúdo .. mulher como o do filme me deu nervoso...em ver.. se tivesse comprado o livro tinha picotado todinho de raiva ... Homem de verdade que esta na realidade do dia a dia não tem nada a ver com o filme... são muitos racionais... e é o que admiro... coisa fora do natural muito manipulado é patético... faz parte de mente vazia e sem esclarecimento... mente pobre...