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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A demagogia feminista matrixiana de Stephenie Meyer




Bom, seria difícil eu continuar calado por muito tempo diante do estrondoso e descabido frenesi causado pela série de livros recentemente publicada por esta autora norte-americana.

Minha intenção não é fazer uma resenha crítica das obras ou filmes já lançados, mas sim do impacto que elas tem causado na sociedade de forma geral, sobretudo no pensamento dos jovens (predominantemente dAs jovens).

Todos sabemos a predisposição natural que as mulheres tem para a apreciação de toda e qualquer obra dos gêneros romance e drama.
O que víamos até o momento eram filmes, livros, peças e até mesmo novelas repletas de histórias simultâneamente envolventes, emocionantes, intrigantes, belas, trágicas e muitas vezes incoerentes.

Digo isso pelo fato da maioria dos livros e filmes de romance que já vi serem marcados por uma série de clichês, que deixam os filmes um tanto quanto previsíveis e desestimulantes para os homens, mas inexplicavelmente atraentes para as mulheres. A resposta para essa questão não poderia ser mais óbvia, uma vez que homens e mulheres são tão diferentes, a começar pela mente; a deles, geralmente mais racional, e a delas, primordialmente emocional e sentimental. Essa é na verdade a tônica de quase todo livro de auto-ajuda moderno que trata do tema relacionamentos.

Pois bem, temos então uma série de livros onde nos é apresentada um tema aparentemente cheio de ficção, terror e coisas do tipo ( o que naturalmente atrairia mais a atenção dos homens), mas ao entrar no cinema para ver o primeiro filme da série (Crepúsculo) me vejo enganado e frustrado pois o filme nada mais era que um romance clichê, sob o prisma secundário de uma trama pobre e bucólica entre um vampiro "vegetariano" e uma mulher qualquer. Mas como assim, um vampiro nutrindo sentimento por uma humana? Um ser que biologicamente sequer deve fazer parte da mesma espécie dos humanos, que é primordialmente alimentado por sangue e carne humana? Onde está a lógica disso? Seria como que uma história de amor entre um cachorro e um gato.

Seguido a isso soma-se a entrada de outro mito frequentemente relacionado com o vampirismo. Temos também um lobisomem que invariavelmente se apaixona logo pela mesma mulher que o vampirinho apaixonado está envolvido. Forma-se então o triângulo amoroso presente em grande parte dos romances... nada de novo.

Mas alguns aspectos realmente fogem da regra, a começar do fato de que é a primeira vez que vejo um autor conseguir deturpar regras primárias, básicas e convencionadas pela prática reiterada no que concerne aos vampiros. Temos toda uma tradição milenar resguardando essa lenda que vinha sendo respeitada através dos séculos... até hoje.
Temos aqui um vampiro totalmente integrado no meio social humano... ele vai a uma faculdade, anda no carrinho do ano, usa roupinhas da moda, passa laquê e faz luzes no cabelo. Praticamente um pau mandado do mundo da moda (o que as mulheres adoram), mas tudo bem... Agora o mais incrível é que ele não morre ao entrar em contato com a luz solar, mas fica brilhando como uma jóia rara e cara (mais viagem errada pra ludibriar o tão facilmente ludibriável público feminino). Consequentemente, o covil de um vampiro tradicional, que deve ser num ambiente hermeticamente fechado, selado e sem a presença de qualquer luz solar dá lugar a um quarto de um jovem descolado e moderno, e de brinde a mulher ganha uma jóia em formato humano durante os dias ensolarados.
Isso por si só já faria qualquer homem ou mesmo mulher mais esclarecida repudiar e ridicularizar totalmente uma obra tão sensacionalista, tendenciosa e mal argumentada, mas vamos lá, o melhor (ou pior) está por vir.

Como é de se esperar de todo filme de romance que se preze, temos a presença de um (ou mais) homem que possui todas as "qualidades" que uma mulher sonha pra seu futuro cônjuge. São geralmente homens bonitos, altos, bem vestidos, ricos, inteligentes, destacados, poderosos, desejados, charmosos, sensíveis e não medem esforços pra conquistar o coração de sua amada. Até aí tudo bem, se formos revirar o mundo de ponta-cabeça talvez podemos achar uma dúzia desses indivíduos (uma dúzia em 3 bilhões). Mas vá lá, até agora ainda plainamos sobre o prisma da realidade, embora estejamos longe do prisma da possibilidade. Agora nesse tipo de filme qual é o tipo de mulher que eles escolhem aparentemente sem motivo algum pra despejarem esse caminhão de qualidades e afagos? Uma qualquer, uma mulher muitas vezes sem qualquer diferencial, não tão inteligentes, não tão bonitas, não tão charmosas ou divertidas... resumindo: um pão com ovo.

Agora onde está a realidade disso? Onde no planeta um cara que qualidades de um semideus vai se apaixonar loucamente por uma nada? Todo homem ou mulher com qualidades de destaque no mundo atual sabe de seu valor, e é proporcionalmente exigente. Essa correlação estabelecida entre homens de destaque e mulheres comuns não existe. E vice-versa (friso no vice-versa).
E não paramos por aí, pois no caso da nova febre vampiresca mundial tempos DOIS homens Alfa disputando uma mulher sem qualquer diferencial... uma adolescente não tão bela, grandemente insegura, cheia de dúvidas e dilemas. E o que eles fazem? Viram o rosto e procuram outra como ela, que conseguiriam sem qualquer esforço? Não, eles dedicam suas vidas, atenção, tempo, inteligência e força física na consecução do sonho divino de poder cortejar o pão com ovo. Irreal? Já fomos bem além da insanidade nesse ponto.

Mas tudo bem, agora vamos avaliar os pontos intrínsecos de toda essa disparidade: que valores são mostrados nos filmes de romance para o desejo infinito por parte das mulheres?
Homens com grande valor ético e moral, princípios e caráter inabaláveis? Uma família estável e intenção de criar um futuro sólido e uma família concreta e bem estruturada? Nem sempre. Aliás, esses fatores são colocados em segundo plano nos romances, são facilmente abafados por sua beleza, charme, dinheiro, influência social, fama ou poder.
Todas essas qualidades apresentadas no ser idealizado pelo estilo romântico são nada mais, nada menos que traços comportamentais, e não raízes de caráter e comportamento. Digo, qual a dificuldade que um tremendo picareta enganador teria em se portar como uma donzela, arrumar o cabelinho e as roupas, falar macio e o que a mulher iludida quer ouvir... ter grana. Qual dessas qualidades não pode ser forjada ou conseguida através de meios excusos?
A mensagem passada então é de que mais vale se casar com um político influente, um artista de cinema ou um mega-empresário do que um jovem bem intencionado, de caráter e boa família, uma vez que o jovem convencional não vai realizar os sonhos mais insólitos e delirantes das mocinhas que nada tem a oferecer em troca, a não ser o aceite pra todas essas regalias.
Alguém mais sente o cheiro de uma incoerência violenta aí?

Se até vocês, mulheres com algum bom senso que estão lendo isso aqui já perceberam, quem dirá os homens, que certamente ficam indignados com isso em sua maioria, salvo as exceções que já se vêem presos nesse sistema doentio, como numa Matrix. Passam a ter incutidas em suas mentes todas essas idéias e passam a realmente acreditar que isso é o normal, convencional... e passam a lutar pra se tornar esse cara "ideal" que busca uma mulher qualquer que nada vai o oferecer em troca, mas um "sim".

Quero deixar claro que não pretendo com essas palavras descreditar o amor, a paixão ou nenhum tipo de relacionamento. Estou apenas explicitando como se dão as coisas na realidade e não nos devaneios de jovens sonhadoras e emotivas. Que fique claro que uma coisa é o desejo, a comodidade, o sonho, outra é como a vida realmente é, como as coisas realmente acontecem.
Não sou contra ninguém querer o melhor pra si, e muito menos contra caras que lutam pra desenvolverem suas capacidades ao máximo, mas certamente não é saudável que o façam somente pra agradar o sexo oposto, e sim por si mesmos, a menos que queiram ser eternos platônicos frustrados.

E outra, mulheres, sejam coerentes... se vocês sonham mesmo com o melhor cara do mundo, procurem ser as melhores mulheres do mundo, ou então serão vocês as eternas platônicas. Procurem fazer por merecer o que vocês desejam, busquem humildade, sabedoria, auto-controle, sejam prendadas sim; lutem pelo próprio futuro ao invez de esperar que um riquinho apareça pra te pegar pra criar, construa as coisas na sua vida e continue construindo ao lado do homem que encontrarem... caso contrário vamos continuar tendo uma sociedade cada vez mais cheia de homens que buscam progredir e evoluir, e mulheres educadas no estilo Gossip Girl, patricinhas fúteis, metidas e alienadas cuja maior preocupação é como melhor gastar o dinheiro do pai, ou como trair o namorado sem rodar, e nas horas vagas fazerem fofocas, intrigas e trairagens diversas. Lembrem-se que por trás de todo grande homem, há uma grande mulher. Agora pensem se estão prontas para serem uma. Ou se isso que vcs buscam realmente configura um grande homem, ou apenas um playboyzinho romantizado.

Enfim, não sou anti-romancista nem anti-crepúsculo-lua-nova-e-o-caramba, sou contra essa disparidade mostrada nesse gênero de filme, que faz bem pro ego de qualquer mulher, mas que avassala pressopostos básicos de construção de uma relação estável, real, duradoura e verdadeira. Isso pode parecer insanidade ao ponto de vista das romancistas de plantão, mas qualquer pessoa com bom senso vai concluir que isso é honesto, coerente e justo.

Agora as mentes já estão deturpadas a tal ponto, que ao verem a natural, óbvia e consequente revolta do público masculino quanto a esse tipo de idolatria desvairadas, quais são as reações emocionais e ululantes das mulheres? .É ciúme, é inveja, vcs queriam ser como ele".
È mesmo é? Quer dizer que agora homem que é homem sente inveja do que não existe? Sentimos inveja de uma ficção mal feita pela mente de uma descompensada feminista e ainda o invejamos? A cabeça de quem pensa assim já está tão longe do plano terreno que sequer analisam a impropriedade de uma afirmação dessas.
Os homens que invejam outros por grana, beleza e afins, são os mais betas, vazios e incapazes exemplares de homem que eu conheço, se é que podem ser chamados como tal. Homens de valor sabem seu lugar, sabem seu conteúdo e jamais seriam inebriados por tal nível de abstração da realidade. E mulheres sábias e minimamente realistas pensam da mesma forma, e já repudiam tais afirmações impostas de primeira. Ademais, homens quem tem real valor, e sabem disso, jamais vão se render a mulheres que procuram tais devaneios sentimentalistas.
E mais: contrariando a sabedoria popular atual (se é que se pode chamar isso de sabedoria) frenesi popular, paixonite ou grana não constróem relação que se preze. E sim fica de fora desse tipo de obra.

A idéia básica é essa, pensem nos dois lados ao pensarem em relacionamentos, e muito cuidado com as idéias implícitas que são passadas como naturais e válidas a cada dia por esse sistema que já ferrou com quase todos os valores e princípios que deveriam mais ser buscados por todos... muito cuidado mesmo.



Que venham as pedras cor-de-rosa e as flores azuis!









ps. materiais pertinentes e/ou engraçados:

http://www.youtube.com/watch?v=VybXGd5vD1M

http://www.youtube.com/watch?v=QYWgxxW5t5Q


http://www.zerooitocentos.org/stephen-king-acaba-com-stephenie-meyer-e-diz-que-ela-nao-escreve-nada/
'Comentário:
Andréia
Postado quinta-feira, 17 de setembro de 2009 as 16:55

Amei Crepusculo,apesar da maioria das pessoas do sexo masculino que eu conheço dizer que o filme é filme de menininha,inclusive o meu marido,em questão de se comparar a harry potter,realmente deixa muito a desejar,mais o mais encantador em crepusculo é o amor que Edward sente por ela,em querer sempre protege – lá,em cuidar dela,isso faz com que todas as meninas delirem,pois é o que todas nós mulheres sonhamos ter um homem que nós ame incondicionalmente e que de quebra seja lindo e rico,os detalhes não interessa quando vc pode pegar o verdadeiro intuito da historia,e o intuito é este fazer nós mulheres delirar imaginando que possamos encontrar um homem com todos estes atributos um dia,mas digo uma coisa para vcs meninas,querem um homem assim?nunca se case com ele então,pq depois que casa o Edward se transforma no SHEREK!!!!!!!!!!!!!!,PALAVRA DE QUEM CASOU E SABE COMO É.Andréia 21anos casada a 3 anos.'

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Griffith's Dream












O ressoar de uma despretensiosa brisa de verão agita pinheiros, que por sua vez encobrem o infinito representado no eterno brilho das estrelas... e sob elas estão adormecidos pensamentos efemeros, como a curiosidade de uma jovem donzela entorpecida por suas novas descobertas.
Horas atrás havia sido indagado sobre a razão pela qual os homens preferem lutar...





-Provavelmente homens tem mentes selvagens.
Mas eles existem para proteger uma pessoa respeitável...
E para uma vitória certa.


-Pessoa respeitável?
Como sua família e seus entes queridos?


-Algumas pessoas pensam assim.
Mas então, se ele é mesmo um homem...
... ele vai achar algo mais importante.
Não por uma pessoa... mas por seu próprio sonho.


-Sonho?


-Alguém irá empunhar uma espada pelo seu sonho...
enquanto outro sonha em explorar o mundo...
e outro tem o sonho de dominar este mundo.
Alguém que é encorajado pelo sonho, sonha...
é torturado pelo sonho...
vive pelo sonho...
e morre pelo sonho.
E mesmo que fosse morto pelo sonho,
ele se sentiria feliz e honrado.


Um verdadeiro homem devia ter
um sonho como este em sua vida.
Uma vida que preencha seu sonho.


Eu não posso viver só porque nasci.
Eu quero viver porque tenho um sonho.



...










É incrível como um dia aparentemente comum pode nos trazer surpresas muito agradáveis, e com alguma sorte, ensinamentos mais valiosos e significativos que toda a vida de muitos homens.










Could this be the end?
Is this the way I die?
Sitting here alone?
No one by my side

I don't understand
I don't feel that I deserve this
What did I do wrong?
I just don't understand

Give me one more chance
Let me please explain
It's all been circumstance
I'll tell you once again

You took me for a ride
Promising a vast adventure
Next thing that I know
I'm frightened for my life

Now wait a minute, man
That's not how it is
You must be confused
That isn't who I am

Please don't be afraid
I would never try to hurt you
This is how we live
Strange although it seems
Please try to forgive

The chapel and the saint
The soldiers in the wine
The fables and the tales
All handed down through time

Of course you're free to go
Go and tell the world my story
Tell them about my brother
Tell them about me
The Count of Tuscany


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

The Wisdom of Life






Revirando alguns antigos livros virtuais em meus arquivos, abro por acaso um bloco de notas onde eu costumo selecionar os melhores trechos de cada livro que leio...
É incrível como a cada dia mais vejo a necessidade da aplicação de velhos ensinamentos de antigos homens que aprenderam com suas vidas em tempos remotos, e o quanto o homem prova ser o mesmo ontem, hoje, e provavelmente amanhã. Os mesmos problemas, mesmos erros, mesmas imperfeições... Parece que de novo mesmo só temos a tecnologia; o resto se repete em ciclos, um termina onde o outro começa:¹

"Nos tornaremos indiferentes às opiniões dos outros quando, por nossa
própria experiência, aprendermos com que desrespeito se fala em certas ocasiões de cada um de nós, assim que não houver motivo para receio, ou quando se crê que não o saberemos; mas, sobretudo, quando ouvirmos com que desdém meia dúzia de imbecis fala do homem mais distinto. Então compreenderemos que atribuir grande valor à opinião dos homens é honrá-los demasiado."

"Todo aquele que viola a fé e a lei será, para sempre, um homem sem fé e sem lei, haja o que houver, seja o que for, os frutos amargos que essa perda traz consigo não tardarão em produzir-se."

"Quantas vezes as melhores qualidades encontram menos admiradores. Quantos homens tomam por bom o mau! Esse é um mal que se observa todos os dias, porém, como evitar essa peste? Duvido que possa ser erradicada desse mundo. Não há mais que um só meio na terra, porém é infinitamente difícil. Que os tolos se façam sábios. Porém, como? Isso nunca serão. Desconhecem o valor das coisas. Julgam pela vista, não pela razão. Elogiam constantemente o que é pequeno, porque nunca conheceram o que é bom."

"Das glücklichste Wort, es wird verhöhnt,
Wenn der Hörer ein Schiefohr ist.
[o ouvido de um tolo zomba da palavra mais sábia.] -
Goethe"

"Há alguma sabedoria naquele que, com um olhar
sombrio, considera este mundo como uma espécie de inferno, e não se ocupa senão de proporcionar-se um abrigo onde esteja a salvo das chamas. O tolo corre atrás dos prazeres da vida e colhe desilusões; o sábio evita os seus males.Quando, apesar desses esforços, não se consegue evitá-los, a culpa é do destino, não da própria tolice; porém, na medida em que o consiga, não será desiludido, porque os males que houver evitado são muito reais. Ainda que seu esforço em evitá-los tenha sido excessivo, sacrificando prazeres desnecessariamente, não perdeu nada realmente; pois todos os prazeres são ilusórios, e lamentar por sua perda seria mesquinho, e mesmo ridículo. A incapacidade – encorajada pelo otimismo – de apreender essa verdade é a fonte de muitas desgraças"

"Na vida somos geralmente como o viajante para o qual os objetos, na medida em que avança, tomam formas distintas das que exibiam à distância; esses se transformam, por assim dizer, à medida que se aproxima deles. Isso ocorre principalmente em relação aos nossos desejos. Muitas vezes encontramos algo diverso, às vezes melhor do que buscávamos. Às vezes também encontramos aquilo que buscávamos em um caminho completamente distinto do primeiro que, em vão, percorremos. Outras vezes, ali onde buscávamos encontrar um prazer, uma felicidade, uma alegria, encontramos um ensinamento, uma explicação, um conhecimento, isto é, um bem duradouro e real em vez de um bem passageiro e ilusório."

"felicitas sibi sufficientium est [a felicidade é dos que bastam a si mesmos] -
Aristóteles"

"Não há caminho que nos distancie mais da felicidade que a grande vida, a vida de festas e banquetes, a high life; porque seu objetivo é transformar nossa miserável existência em uma sucessão de alegrias, de delícias e de prazeres, um processo que inevitavelmente culmina na decepção e na desilusão; assim como seu acompanhamento obrigatório, o hábito das pessoas de mentir umas para as outras."

"Conversas e idéias intelectuais só servem à sociedade intelectual; na sociedade vulgar são
detestadas por completo, porque para se agradar nessa é imprescindível ser completamente insípido e limitado. Portanto, em tal sociedade, devemos praticar uma severa abnegação, abrindo mão de três quartos de nossa própria personalidade para nos assemelharmos aos demais."

"Quem está obrigado a viver entre os homens não deve condenar qualquer indivíduo absolutamente, nem mesmo o pior, o mais desprezível ou o mais ridículo, visto que isso é algo já determinado e dado pela natureza. Pelo contrário, tal indivíduo deve ser aceito como algo inalterável que, em virtude de um princípio metafísico inalterável, deve ser tal como é. Nos casos difíceis, devemos nos lembrar das palavras de Goethe: é necessário que haja também dessa espécie. Se adotarmos outra postura, cometemos uma injustiça e desafiamos o outro a um combate de morte. Porque ninguém pode modificar sua verdadeira individualidade, isto é, seu caráter moral, suas faculdades intelectuais, seu temperamento, sua fisionomia
etc"

"Ninguém pode ver acima de si mesmo; quero dizer com isso que todos vêem nos demais apenas
aquilo se é em si mesmo; porque cada qual não pode apreender e compreender o outro senão na medida de sua própria inteligência. Se essa é da espécie mais ínfima, nenhum dote intelectual, nem mesmo o mais elevado, lhe impressionará de modo algum; e não observará naquele que o possui nada além dos elementos mais vis em sua natureza individual, isto é, apenas suas fraquezas e todos os seus defeitos de temperamento e de caráter. E disso estará composto o grande homem aos olhos do homem vulgar; suas faculdades intelectuais mais eminentes não existem para o outro, como não existem as cores para o cego.
Isso porque o maior talento é invisível para aquele que não possui nenhum; e qualquer valor concedido a uma obra é o produto do valor da obra em si e do alcance do conhecimento daquele que profere sua opinião. Daí resulta que somos reduzidos ao nível de todos aqueles com quem falamos , visto que todas as vantagens que possuímos desaparecem, e mesmo a abnegação de si mesmo necessária para tal permanece completamente ignorada. Se refletirmos sobre quão profundamente vulgares e inferiores, sobre quão completamente medíocres são as pessoas em sua maioria, veremos que é impossível falar com elas sem nos tornamos igualmente medíocres durante esse intervalo"

"Quando uma pessoa se gaba de qualquer coisa, seja coragem, instrução, inteligência, gênio,
sucesso com as mulheres, posições sociais, se poderá deduzir que é precisamente nesse particular que lhe falta algo. Porque aquele que possui real e completamente uma qualidade não pensa em ostentá-la nem em fingi-la, visto que está perfeitamente tranquilo quanto a isso. Esse é também o sentido do provérbio espanhol: herradura que chacolotea, clavo que le falta [ferradura que chacoalha, prego que lhe falta]."

"Em vez disso, cada qual possui no outro um espelho no qual pode ver com clareza seus próprios
vícios, seus defeitos, seus modos grosseiros e repugnantes de toda espécie. Porém, normalmente, é como o cão que late para sua própria imagem porque não sabe que está vendo a si próprio, mas imagina ver outro cão. Quem encontra defeitos nos demais trabalha em sua própria reforma. Assim, aqueles que têm a tendência e cultivam em segredo o hábito de submeter a uma crítica atenta e severa a conduta dos homens em geral, tudo o que fazem ou não fazem, estão trabalhando em sua própria correção e aperfeiçoamento. Porque terão bastante justiça ou ao menos bastante orgulho e vaidade para evitar fazer o que tantas vezes têm censurado tão severamente. O contrário vale para os que são tolerantes; a saber, hanc veniam petimusque damusque vicissim [é um privilégio que reclamo e que concedo reciprocamente (Horácio, Ars poetica, II)]. O Evangelho moraliza admiravelmente sobre os que veem a palha no olho do vizinho e não veem a viga no seu; porém a natureza do olho consiste em ver o exterior e não a si próprio. Por isso, notar e censurar os defeitos dos demais é um meio adequado para nos tornamos conscientes dos nossos próprios. Precisamos de um espelho para nos corrigirmos."

"Uma natureza vulgar se rebela à vista de uma natureza oposta, e a causa
secreta dessa rebeldia é a inveja. Porque, como se pode ver em qualquer ocasião, satisfazer a vaidade é um prazer que, entre os homens, excede qualquer outro; entretanto, não é possível senão através de sua comparação com os demais. Porém, não há qualidades das quais o homem se orgulhe mais que as intelectuais; pois apenas nessas se fundamenta sua superioridade em relação aos animais.Demonstrar uma superioridade intelectual acentuada, sobretudo perante testemunhas, é uma grande ousadia. Isso provoca sua vingança e, em geral, buscarão uma oportunidade para fazê-lo por meio de insultos, porque assim passam do domínio da inteligência ao da vontade, no qual todos são iguais."²

"O homem prudente é aquele que não é enganado pela aparente estabilidade das coisas e,
além disso, prevê a direção em que ocorrerá a próxima mudança."




.a reflexão leva à evolução...
















¹ - or cit: "We move in circles, balanced all the while, on a gleaming razor's edge. A perfect sphere, colliding with our fate. The story ends where it began." - Octavarium
²- extr. or. "Aforismos Para a Sabedoria de Vida - The Wisdom of Life" - Arthur Schopenhauer

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Much More Human Than...



Constantemente vejo meus passos marcando o caminho que percorri há pouco. O grande problema são os passos que a vista não mais alcança... o grande problema são as lições deixadas por aqueles passos que desapareceram no infinito deserto que os cobriu.

Nas mais longas jornadas à procura do conhecimento, viajante algum conheceu nada mais temeroso que o deserto. Rodar em círculos por meses e anos, passando novamente por frio, fome, exaustão, tentação e invariavelmente, sofrimento. Para que tudo isso, se a forma deixada por minhas pegadas da última vez que estive por aqui ainda resistem em meio à tempestades de areia? Porque refazer pegadas manchadas por suor e sangue? Por mais que a alma e o espírito se fortaleçam durante cada jornada, o coração sempre será de carne viva e exposta. Esse não é o meu caminho, esse não é o destino dos que buscam sabedoria e evolução.

Enquanto o caminho estiver marcado por pegadas em direções opostas, enquanto nossas cabeças se virarem na direção dos que caminham para o lado oposto, enquanto as pegadas não desaparecerem daqui e uma vez por todas, o deserto certamente ainda abrigará os que mais o evitam.
Desvencilhe-se das demais pegadas, viajante passageiro, ou terá sua morada feita nas movediças areias escaldantes. Homem nenhum deveria armar sua tenda por aqui. O dia é duro, o calor, insuportável. E a noite perigosa, e o frio congela seus ossos e pálpebras.

Aquelas pegadas? Sempre estarão por aqui. Enquanto o mundo jazer no caos e na loucura você as verá espalhadas para todos os lados; mas não seja tolo o bastante para mudar o destino que há milhares de anos fora traçado. Olhe para frente, deixe que as pegadas guiem os cegos de entendimento. Nus, desabrigados, famintos e perdidos, sempre estarão.
Além da pele está o que o fará mais forte.

Pessoas...

pessoas.





You're just people...

Successful people
Dressed up people
Smiling people
Famous people
Red carpet people
Wealthy people
Important people
But still just people

Messed up people
Shallow people
Stupid people
Plastic people
Meta people
Theta people
Therapyople
Entropiople























We Will Always Be So Much More Human Than We Wish To Be...

Um Cristão Diferente

...


'Quero ser um cristão diferente. Não quero ser conhecido apenas como alguém que “não bebe, não fuma e não joga”. Isso é muito pouco. A “geração saúde”, que freqüenta as academias e come comida natural, não bebe e não fuma, e nem por isso podem ser chamados de cristãos.

Também não me contento em ser chamado de cristão por ter um modo diferente de me vestir. Durante muito tempo, no Brasil, a diferença que os cristãos queriam mostrar era que eles se vestiam de uma maneira “esquisita”, e isso acabou tornando-se motivo de chacota e que em nada engrandecia o Reino. Com certeza, usar uma roupa fora de moda, não faz de ninguém um cristão.

Também não me satisfaço com o modelo “gospel” de cristão que há hoje em dia. Broche de Jesus, caneta de Jesus, meias de Jesus. Sabe-se lá onde isso vai chegar. Tem muita gente ganhando rios de dinheiro com esses “cosméticos” para o cristão moderno. A grife “JESUS” tem vendido muito. Mas não adianta. Usar toda a parafernália do marketing “gospel” não faz de ninguém um cristão.

Pensei comigo: a moçada evangélica hoje está toda na Internet. E saí à busca de salas de bate-papo de evangélicos. Confesso que tentei inúmeras vezes, mas não consegui. Adentrava-me por assuntos importantes e profundos da vida cristã e as respostas eram chavões o tempo todo. Não se pensa, cria ou reflete, só se repete chavão do tipo “glóooooria”, “Ta amarrado”, “É tremendooo”, etc. Definitivamente, repetir chavões a todo o momento não faz de ninguém um cristão.

Quero ser um cristão diferente. Que não seja alienado da vida e de seus acontecimentos. Que saiba discutir e entender as questões existenciais, como a dor, a miséria, a sexualidade, a paixão, o amor. Quero ser um cristão que não vive acuado, com medo de tudo, vendo o diabo em toda à parte e querendo amarrá-lo a todo o momento. Jesus Cristo o derrotou na cruz, ele é um derrotado, e eu não preciso ficar me preocupando com ele 24 horas por dia.

Quero ser um cristão que saiba falar de tudo e não apenas de religião, e que tenha, em todas as áreas, discernimento e sabedoria. Quero ser um cristão que não tenha uma atitude conformista diante do mundo, do tipo: “Ah, Deus quis assim…”, mas que eu seja um agente de transformação nas mãos de Deus.

Que a minha diferença não esteja na roupa, mas na essência: coração bom, olhos bons.

Quero ser um cristão que cria os filhos com liberdade, apenas corrigindo-lhes, para que cresçam e desabrochem toda a criatividade que Deus lhes deu. Quero ser um cristão que vive bem com o seu próximo. Quero ser reconhecido como um cristão pelo que eu “sou” e não por aquilo que “não faço”. Quero ser um cristão simpático aos outros, agradável, piedoso, que se entristece com a dor do próximo, mas também se alegra com o seu sucesso (já reparou que as pessoas se solidarizam com nossas derrotas, mas poucos manifestam alegria quando vencemos?).

Não quero ter de falar a todo o momento que sou cristão, para que outros saibam, mas quero viver de tal modo que outros percebam Cristo em mim.'

















We move in circles
Balanced all the while
On a gleaming razor's edge

A perfect sphere
Colliding with our fate
This story ends where it began

.





segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mais alguns compêndios da modernidade...

...porque nunca é demais narrar o que o homem atual faz consigo mesmo, talvez por inocência, talvez por ignorância, talvez por covardia.

Trago hoje alguns textos interessantíssimos que li ultimamente sobre o homem pós-moderno. Sobre como ele se afunda cada dia mais com preocupações que não são lá tão preocupantes, e vira as costas para o que realmente deveria se atentar... Primeiro coloquei um vídeo interessante como introdutório e depois os textos propriamente ditos:


"Save the Planet" - by: George Carlin

(...)








agora sim vamos ao que realmente é um problema.

"Uma Vida Sem Valores

Vida sem valores é a expressão que melhor traduz o tipo de homen que surgiu no últimos anos na sociedade ocidental de bem estar, que melhor define o “homem light”.
Enrique Rojas, médico humanista, retrata e denuncia neste seu livro aquele homem que magistralmente assim apelida de “light”.
Light é a palavra mágica que está na moda e com a qual se identificam certos produtos (tabaco, bebidas, alimentos).
Apresenta-o como um indivíduo materialista e hedonista, como um se
r que tudo relativiza na ânsia de alcançar, sem mais, a meta por si traçada de bem-estar e prazer material.
No “homem light”, diz Enrique Rojas, há prazer sem alegria – nele se vê um homem intrigado e atraído por muitas coisas, mas sem vincular-se a nada.
E, por isso é infeliz e inseguro, estando longe daquele homem sólido que busca a verdade.
O “homem light” procura o absoluto do seu ponto de vista, convertendo-o em relativo – é vazio, não tem fundo.
Ser rico, ganhar muito dinheiro é o mais impor
tante, é a melhor conta de apresentação nos ambientes “light”.
Este débil homem abraçou a permissividade, fazendo dela o seu código
ético e que vai desde a tolerância ilimitada à revolução sem finalidade.
E essa permissividade, como acentua Enrique Rojas, revela-se em vários campos, designadamente no campo sexual, em que se chama “amor” a cada relação superficial e passageira, em que se confunde amor e sexo, dizendo-se quando se vai fazer sexo, que vai fazer amor – sexualidade vazia, idolatria do sexo, amor de rebaixas, amor light.
Como sair de tudo isto?
Responde o autor que o deixar de ser pessoa light só pode ser alcançado dando um passo da imanência para a transcendência, deixando o individualismo e o mat
erialismo.
Necessitamos de um modelo de identidade para o homem das décadas vindouras, que será profundo, sábio, forte moralmente (a moral cristã é o melhor vector para a realização da eterna vocação transcendente do homem) e que terá coerência na sua vida.


Qual é o seu perfil psicológico? Como poderia ser
definido? Trata-se de um homem relativamente bem informado, porém com escassa educação humana, entregue ao pragmatismo, por um lado, e a bastantes lugares comuns, por outro. Tudo lhe interessa, mas só a nível superficial; não é capaz de fazer a síntese daquilo que recolhe e por conseguinte, foi-se convertendo num sujeito trivial, vão, fútil, que aceita tudo mas carece de critérios sólidos na sua conduta. Nele tudo se torna etéreo, leve, volátil, banal, permissivo.

(…)

Não há no homem light entusiasmos desmedidos nem heroísmos. A cultura light é uma síntese insípida que transita pela classe média da sociedade, sem excitantes… tudo suava, ligeiro, sem riscos, com a segurança pela frente. Um homem assim não deixará marcas. Na sua vida já não há revoluções, dado que a sua moral se converteu numa ética de regras de urbanidade ou numa mera atitude estética. O ideal apático é a nova utopia, porque, como diz Lipovetsky, estamos na era do vazio."
[Enrique Rojas, O homem light - Uma vida sem valores, pp. 7-10]




"O final deste sistema de coisas

A humanidade (nós), chegou a um estado lamentável e miserável. O sexo se tornou arma de auto-agressão e de agressão ao outro. A fornicação, com todas as suas variantes e invencionices, transformou-se em um veículo de auto-destruição.
Fascinados pelo desejo e enganados pelo prazer, os seres humanos se entregam ao desenfreio e se atiram de cabeça no precipício, com a aprovação dos sexólogos e sempre convencidos de que estão indo muito bem.

Ninguém vincula o estímulo cada vez maior à "sexualidade livre" com os horrores da pedofilia, dos crimes sexuais e do estupro. Todos agem como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra, e a roda da destruição prossegue. Todos pensam em punir os pedófilos, como se eles nascessem de si mesmos, mas ninguém pensa em difundir uma cultura de castidade. Por todo lado estão os estímulos à sexualidade doentia, ao lado da paranóia com os crimes sexuais (masculinos, obviamente, já que não vemos ninguém paranóico com os crimes femininos).
O ser humano não sabe o que fazer com suas forças sexuais, está completamente desorientado. Se as reprime, desenvolve certas psicoses e perversões. Se as libera, desenvolve, igualmente, outras psicoses e perversões. Os conselhos dos pornógrafos, sexólogos, psicólogos, sacerdotes e pastores não adiantam nada, porque eles não sabem o que falam e falam do que não sabem. Todos buscam o prazer e querem "gozar", como se isso não tivesse um preço. Todos acreditam ser possível desfrutar de um prazer sem pagar o preço correspondente em dor. E o caos prosseguirá até a detruição da espécie.

Nossa espécie entrou em um ciclo de auto-extermínio. Tudo o que estamos fazendo visa nos destruir, nos varrer do mapa. Começamos pela destruição do sexo, que é o mais importante. A complementamos com guerras e detruição das condições ambientais. Catástrofes naturais, nucleares, biológicas e climáticas, epidemias e pandemias, hecatombes alimentares, genocídios e comoções sociais são o resultado da gigantesca roda que criamos para a nossa própria destruição.
Estamos empenhados em nosso próprio extermínio e o conseguiremos muito rapidamente. Ninguém poderá nos salvar de nós mesmos, de nossa própria monstruosidade.

O mais engraçado é que todos acreditam que possuem livre arbítrio, que possuem total controle de si mesmos, de seus desejos, sentimentos e condutas, ainda que o descontrole esparrame em suas caras. E todos acham que aqueles que erram o fazem porque querem, e não porque perderam há muito o controle sobre si mesmos. Há um nome para isso: loucura.
Todos estão loucos, a humanidade está louca e julga a loucura a partir de parâmetros loucos de normalidade. Ser normal é ser louco. Ser louco é ser mais louco ainda. Ninguém pode fazer nada: nem políticos, nem intelectuais e nem sacerdotes. Não há quem nos guie.
Estamos perdidos."

Postado originalmente por "Profeta"





...quem acompanha o que escrevo aqui sabe que existe sim uma saída para tudo isso... não sem um grande preço a se pagar, como tudo na vida. Mas o simples direito de escolha já traz um alívio inexprimível não é mesmo? pense.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Minorias, maiorias e o politicamente correto


"Fazer parte de uma “minoria”. . .

Uma parenta muito gentil e muito querida, em uma de nossas conversas culturais e políticas, no âmago de sua ironia, acabou por me chamar de “conservador militante”. E ao complementar isso, disse que seria hilário se ela me encontrasse numa boate gay. Confesso que o termo me incomodou. Talvez pelo fato de ser crítico do politicamente correto, dos aspectos odiosos dos chamados “movimentos de minorias”, ela creia que o conservadorismo seja um projeto que reintroduza as mulheres na cozinha, que fuzile os gays nas ruas e mande os negros à senzala. Acredito que ela não chegaria a tanto. Porém, o termo soou pejorativo, zombeteiro. Descobri, por uma simples frase irônica e provocativa, que também faço parte de uma minoria. Uma minoria que não possui ONG, não possui dinheiro, não possui espaço na mídia, enfim, que não é paparicado pelo governo. Sou o liberal-conservador, católico, branco e heterossexual!

Quem conhece meus escritos sabe que jamais preguei qualquer palavra de ódio às mulheres, aos negros ou aos homossexuais. Pelo contrário, precisamente por ser a favor deles é que combato os movimentos revolucionários que dizem defendê-los. Por defender a dignidade da mulher, deploro o feminismo raivoso e lésbico. Por defender o homossexual, denuncio a manipulação grosseira destas pessoas como massa útil do Partido Comunista ou de qualquer outro partido de esquerda. E por defender a sociedade brasileira mestiça, integrada e pacífica é que combato qualquer apologia de orgulho racial negro ou de qualquer outra etnia.

Por falar em boate gay, eu tenho grandes amigos homossexuais e já tive longas e interessantes conversas com eles. O que mais me chamou a atenção nos colóquios é que há um hiato assustador entre a vida do homossexual médio e o que pregam os chamados movimentos politicamente corretos. O mesmo se aplica ao negro e à mulher. O homossexual, o negro e a mulher, divinizados por esses grupos organizados, são figuras estereotipadas, idealizadas, literalmente inventadas.

Vi essa disparidade quando fui convidado por meus colegas a assistir, aqui em Belém, um evento cultural em uma Igreja Luterana, curiosamente chamada “Conversa de Preto”. O mal de certos elementos do luteranismo paraense é a Teologia da Libertação, com seu esquerdismo rançoso e diluído em slogans politicamente corretos. Apesar da fama de direitista malvado, sou amigo também desses esquerdistas. Quando chegamos à Igreja, encontramos velas acessas pela porta, como que querendo imitar um terreiro de macumba (se bem que a arquitetura da Igreja Luterana daqui lembra mais um templo pagão). Uma amiga que me acompanhava, ela mesma negra, ficou assustada com a visão aterradora (isso porque ela era adventista).

Quando vi a exposição de um tal “poeta de rua”, convidado a falar de um obscuro poeta paraense que escrevia verso e prosa com símbolos religiosos africanos, aquilo me pareceu artificial, falacioso, forçado. Alguns pseudo-intelectuais, metidos a exaltarem a “musicalidade”, a “mitologia” e a “espiritualidade” africanas, falavam da alegria do negro cantarolando lá na selva africana, quando o malvado branco europeu o tirou da paz da tribo e o inseriu na sociedade capitalista. Às vezes, eu pensava, cá com meus botões, que tipo de “musicalidade africana” é essa que jamais produziu um Mozart, um Bach ou um Bethoveen? Que tipo de mitologia é essa que nunca reproduziu algo similar ao mundo grego e uma mística religiosa que jamais redigiu uma página sequer do Novo Testamento? E mais: quem, em sã consciência, trocaria a sociedade capitalista pelo tipo de vida tribal africano? Alguns alemães da Igreja fitavam o palestrante, como se fosse uma criatura exótica. Pareciam sentir-se culpados por serem brancos, por serem europeus. E como que apiedados de si mesmos, aquela exaltação da chamada “negritude” aliviava suas consciências.

O tal “poeta de rua”, inspirado pela bajulação frenética do público, recitou uma poesia que falava da história de um rapaz que acendia uma vela para Deus, para o diabo e para os orixás, só para conquistar uma negra bonita. Aquela poesia disse muita coisa do mistério que abarca a miséria do mundo africano atual. Se há algo perceptível na mitologia e religião africana é a carência de pressupostos morais absolutos. O mal parece andar lado a lado com o bem. O prazer imediato do homem que deseja a mulher negra vale o preço espiritual de destruir sua própria eternidade, a concepção mesma do bem supremo em Deus. Ou pior: dentro de uma concepção tribal e animista, o bem não é um valor absoluto, e sim algo que satisfaça a pessoa de imediato, independentemente de suas conseqüências. É o mal civilizacional da cultura africana: por não crer em absolutos, em perspectivas eternas, e ao presumir que tudo é imediato, os negros não conseguem construir uma civilização em bases sólidas, não conseguem erigir valores ou instituições. A religiosidade da umbanda pode conviver perfeitamente com a macumba, sem que isso implique necessariamente contradições de princípios éticos e morais. Para um cristão, isso é inaceitável: o mal sempre será a negação do bem e nunca será igual a ele!

Aquela poesia me deixou sinceramente reflexivo, já que não estávamos numa universidade pública, mas numa Igreja. Que diabos alguém pode ver de elevado naquela mensagem? A minha amiga negra ficou profundamente chocada. Com sua sólida formação protestante, achou aquilo demoníaco, invertido, subversivo. De fato, seria a reação da maioria dos negros brasileiros se visse o espetáculo. Eu mesmo não reconheci ali nenhum negro, pardo ou mestiço que pudesse identificar naqueles estereótipos, salvo as criaturas marginais. Porque a maioria da população negra brasileira ignora ou simplesmente deplora a cultura religiosa africana. Ela é cristã, vive valores “europeus”, ainda que haja uma confusão doutrinária nesses princípios.

Contudo, a esquerda soube explorar muito bem as fraquezas da cultura africana. Inventou-se o mito da “negritude”: uma compensação racialista que pode descambar perfeitamente para o racismo, já que o valor da cultura não está em seus valores, porém, nas supostas origens étnicas ou na cor da pele. Mesmo a chamada “negritude” nem existe na África. O africano médio não reconhece o vizinho rival da tribo como seu irmão. Quem vê o negro como tudo igual é o homem de cultura ocidental média ou o intelectual radical. Pelo contrário, a África é um antro de tribalismo racista entre negros, com suas guerras literalmente genocidas. Tutsis e hutus se reconheciam como “negritude”, quando uns massacravam outros na guerra civil de Ruanda? Não se pode falar o mesmo das tribos islâmicas e cristãs do Sudão? E o que dizer então do massacre dos islâmicos sudaneses por islâmicos sudaneses, só porque pertenciam a tribos rivais? A “negritude”, sob determinados aspectos, lembra a odiosa ideologia nazista e o culto da supremacia “ariana”. A raça não é o elemento diferencial que determina o valor da cultura? Se a cultura africana vale algo porque é negra, o movimento negro está no mesmo caminho de Hitler. Recordemos, o nazismo é a ideologia tribal germânica. A diferença é apenas de cor da pele.

Por outro lado, dá pra perceber que a valorização que a esquerda faz da cultura africana é tão somente de fundo multiculturalista, como se a compaixão dos museus e dos antropólogos pudesse resgatar algum legado dos africanos. Ou, na prática, o multiculturalismo africanista é tão somente uma arma de contestação cultural contra a civilização ocidental e seus legados, alimentando divisões inúteis e inversão de valores entre a população. Pra que serve restaurar um culto pagão marginal, de baixo nível, senão para subverter a fé cristã vitoriosa? Pra que serve o culto racial africano, senão para fragmentar, gerar conflitos inexistentes sobre a mestiça população brasileira? Acaso os ateus marxistas vão virar macumbeiros? Se bem que existam muitos marxistas que vivem assim. Na tal “conversa de preto”, sinceramente, não reconheci nenhum preto. Reconheci sim, um ativista e bem comunista!

Essa idealização se aplica também aos homossexuais. Certo dia, eu conversava com um amigo gay a respeito de uma psicóloga evangélica que fazia tratamento de cura da homossexualidade. Para meu espanto, ele me dizia que a transformação de homossexuais em heteros é uma coisa muito mais comum do que se imagina. Aí ele me contou de casos de gays que acabaram se apaixonando por mulheres e se casaram, inclusive, abandonando a vida pregressa de homossexualidade. Isso me levou a pensar que a imutabilidade sexual dos homossexuais é um mito inventado pelo próprio movimento gay. Como tal círculo se respalda na sacralização da homossexualidade, é claro que os gays militantes não vão questionar o elemento unificador de sua identidade grupal.

O homossexual médio, o homem real, fora das idealizações histéricas dos ativistas sociais, é um ser visivelmente angustiado com sua escolha. Ele sabe, no seu íntimo, que transgride um determinado conjunto de regras e de conduta e que jamais será maioria. Quando o falecido deputado Clodovil falou que todo homem nasce de uma relação heterossexual, foi de uma honestidade cortante, destruidora, e que reflete uma boa parte do pensamento dos homossexuais. Isso demonstra a perfeita consciência das próprias limitações. A maioria deles só quer viver sua vida sem ser incomodado. Isso porque uma parte é insatisfeita com sua própria sexualidade e muitas vezes quer mudar de vida, uma vez que existe uma compulsão que é, muitas vezes, mais forte do que eles. No entanto, o ativismo homossexual transformou a conduta gay num dogma. Exige a prisão de quem questione, conteste ou mesmo rejeite a homossexualidade no plano da conduta. Inclusive, a psicóloga evangélica foi ameaçada de ter seu oficio cassado pelo conselho de psicologia. Não sem razão, em uma reportagem na Revista Veja, ela falou que o movimento gay se assemelha ao movimento nazista. Perfeita verossimilhança histórica!

O mesmo princípio se aplica à mulher real. Uma coisa que percebo nas mulheres fora do mundo feminista é uma extrema carência de relações afetivas. Muitas jovens, intimamente, sonham em se casar, ter família, ter filhos. O problema mesmo é que há uma disparidade entre o que elas se tornaram e o que os homens ainda são. Há um problema de identificação dos papéis sociais do homem e da mulher que faz com que tenham linguagens diferentes, incompatíveis. A família atual é carente de homens como referência, carente de pais, carente de maridos atuantes. As mulheres bem sucedidas, muitas vezes são frustradas, porque não encontraram esse homem compensador. E o que as feministas fazem para resolver o problema? Nada, absolutamente nada! Pelo contrário, abrem o abismo entre os sexos, demonizando o macho como objeto de todos os problemas femininos. Querem dispensá-lo, jogá-lo na lata do lixo da história. O marido, pai ou amante ausente é a maior frustração da mulher moderna. É claro que há certa dose de responsabilidade nos homens, desacostumados demais aos compromissos, indolentes, faltosos de sua própria autoridade como pais de família ou maridos ou mesmo incapazes de acompanhar essa mulher dinâmica e empreendedora. Todavia, é a mulher que conserva a casa, e nestes tempos de condenação ao macho, as feministas não ajudam nem um pouco. Em outras palavras, a falta de um homem dentro de casa, de uma identificação masculina, faz da mulher um macho imperfeito; faz com que os filhos homens se tornem efeminados, também machos imperfeitos. Tamanha é a inversão de valores de nossos tempos!

Porém, essas “minorias” (e não falo do grosso dos homens, mulheres, negros e homossexuais e sim de seus militantes), por assim dizer, estão bastante protegidas. A grande maioria das pessoas continua desamparada, sem voz pública, sem ação, apática, sem representatividade, ignorada pelo Estado e pelos políticos. Mas falta falar de uma outra “minoria” social, sexual e racial, que não é bem minoria, é uma maioria na sociedade: são as hordas de cristãos, brancos, católicos e heterossexuais. Esse grupo de pessoas não tem voz mesmo! É atacado na mídia, nas universidades, nas escolas, como o malvado por excelência. É acusado de escravizar os negros, matar gays nas praças, transformar as mulheres em servas dos maridos, de oprimir outras etnias e culturas, enfim, é um “nazifascista” de primeira!

Minha querida parenta me chamou de “conservador militante”, com certa desconfiança. E não me conste que ela seja de esquerda. E pelo fato de ela propor a cena hilária da boate gay, talvez presuma que eu queira fechar todos os pontos de encontro homossexuais. Militância, por assim dizer, é monopólio da esquerda. O conservador é uma “minoria” que não tem palavra. E tal como muitos, sou parte de uma gente que é mais discriminada do que o movimento negro, gay e feminista. Não terei ONGs, não terei subsídios governamentais, não terei espaço nas universidades e escolas, não terei colunas nos jornais, enfim, serei até banido da sociedade. Querem até a minha prisão! O conservador, na atualidade, é a “minoria” por excelência, a maioria das maiorias oprimidas!"

Postado por Conde Loppeux de la Villanueva

sábado, 8 de agosto de 2009

The Hollow Mankind


Depois de narrar o magnífico processo de "BE", nada mais pertinente que tecer algumas considerações sobre o homem moderno.

Homem moderno que somatiza mais e mais as consequências naturais da evolução do pensamento construído; que por vezes se vê encurralado por uma série de dogmas, questionamentos e quebras de paradigmas, levado a acreditar que em pouco se pode efetivamente acreditar. O que coloca para longe de si muito mais do que apenas mitos, devaneios e teorias infundadas. Junto a isso o homem moderno colocou para si bases importantíssimas da construção de si mesmo, deixando para si próprio a construção de sua história e de seu destino.

Dessa maneira, o homem moderno precisa construir a si mesmo, buscando unicamente na razão lógica e na ciência as formas para tal. Desnecessário dizer que um vazio imenso passa a residir no seu lado espiritual e sensitivo; o que acaba por ocasionar uma constrição em sua esfera idealista, sendo facilmente abraçado pelos voláteis braços do sentimentalismo.
O que sobra ao homem então? A necessidade de amar e ser amado. Inicia-se então uma busca de realização com foco no amor, uma necessidade de construção para o vazio que fora deixado junto às bases principiológicas que nortearam todo o seu passado, processo que permite certamente o homem a se submeter a diversas desventuras psíquico-emocionais no campo do amor; uma vez que ele não busca no amor um fim altruísta como a realização do terceiro, mas uma resposta para o que algum dia esteve dentro de si.

A consequência natural das desventuras é o refúgio da ficção para encontrar o amor jamais realizado no campo material; tornando o empirismo idealista uma aventura desmedida e fatalmente perigosa. O homem começa a buscar o amor nos livros, nos filmes, na televisão, na música, na poesia, na arte, na religião. É nesse momento que a frustração coroa a epopéia da modernidade. O homem imerso em vontades e necessidades, vagando insólitamente num labirinto lacrado de emoções, desejos, sentimentos e fragilidades constitui o cenário ideal para o fracasso e a porvindoura oportunidade de manipulação por quem nesse sistema não se inseriu.
O homem moderno precisa de um repertório com o qual sonhar, ele precisa de devaneios para inventar sua vida. Soma-se a isso a constante pressão e expectativa de liberdade e autonomia preconizados pela mesma contraditória sociedade moderna, que cria a necessidade de realização emocional no homem, mas não entrega a ele, ferramentas para que efetive a realização do sujeito. É chegado o tempo em que o sentimento do indivíduo é colocado acima das regras e necessidades coletivas.

As tecnologias mais impressionantes concebidas pelo homem passam a trabalhar em função da busca da aceitação do outro para a consumação de um amor imposto. As tecnologias de produção passam a funcionar como manutenção do corpo no sentido de torná-lo um objeto de desejo alheio, facilitando a consecução do fim de ser desejado e querido, alimentando a fantasia de que através do desejo visual, se concretize um amor verdadeiro, e consequentemente alimentando o ego, a vaidade e a luxúria de seu utilizador, num verdadeiro tiro pela culatra. Por outro lado, as tecnologias da comunicação trabalham de forma a transformar o homem moderno numa mercadoria circulando e sendo divulgada através de redes sociais, um mundo da vitrine, da propaganda, das estratégias de marketing onde uns homens modernos "conhecem" os outros e possam desenvolver o supracitado processo de fixação visual e do encantamento fantasioso. É a transição do processo do momento da produção, para o momento da circulação. Em sua busca insana por amor, o homem moderno faz de si mesmo uma mercadoria, e sequer questiona isso.

É nesse momento que o homem se torna um instrumento, uma ferramenta, uma mercadoria escravizadora da intenção do homem, que passa a aspirar mais que a própria vida, o encontro fantástico desse amor construído em sua mente por devaneios espetaculosos.

Bem vindos, homens modernos, ao seu próprio fracasso.

"O amor nada mais é que um desejo irresistível, de sermos irresistivelmente desejados"
Robert Frost

...


Até hoje em toda a minha busca, em todas as minhas leituras e vivências, só testemunhei um único amor inteiramente verdadeiro e não interesseiro.




seek for the only true love

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

BE

You have sucessfully entered "BE"


1. Animae Partus (“I Am”)



"E o primeiro pensamento foi “Eu Sou”. O primeiro passo de nossa jornada é testemunhar o nascimento de um Deus. No meio do silêncio e escuridão, uma mente surge; uma consciência desperta, lentamente. A criação é formada na confusão, e essa nova existência tenta entender a si mesma."


I – ANIMAE PARTUS – Tudo na imagem de

2. Deus Nova (Fabricatio)



"O mundo assim como o conhecemos foi formado como um laboratório, uma paisagem, um cenário no qual o sistema da Vida pode ser exibido e revirado, para que a mente possa observar – o primeiro pensamento, Animae. Eras? Sete dias? Não é relevante em um mundo sem tempo."


3. Imago (Homines Partus)



"O Deus despedaçado. Animae decide dividir sua mente em fragmentos, pequenas partes do primeiro pensamento que poderão interagir estando separadas então em mentes e pensamentos. Deste novo estado da existência, Animae espera descobrir sua origem. É a vida como conhecemos, mas em pequenos ciclos de interação entre a Unidade com toda a mente."


4. Pluvius Aestivus



"Da Chuva de Verão (Homines Fabula Initium)
E o lar do qual todos nós compartilhamos é fértil e possui tudo o que precisamos – em toda célula e toda a fibra a resposta para o Sistema da Vida pode ser encontrada. Um processo se iniciou e Imago, a imagem de Deus, a humanidade, acha seu lugar e começa a se perguntar sobre as mesmas questões da existência. De onde tudo isso veio? A verdade está lá, escondida atrás do contexto humano em cada conto da criação em nossas religiões. Nós procuramos as respostas sem entender que nós somos as respostas. "

II – MACHINASSIAH – De Deuses e Escravos

5. Lilium Crentus (Deus Nova)



"Na Perda da Inocência.
Imago, a humanidade, cria mitologias, os deuses, as histórias – tudo para entendermos nós mesmos. Como Animae, tendemos a criar nossas imagens para procurar as origens. Todo o novo conhecimento está lá para nos ensinar como existimos. As imagens estão lá para nos ajudar e sustentar, mas, como Animae, temos a tendência de perder o controle."

6. Nauticus (Drifting)



"Se nós estamos perdidos, tudo está em risco de ser perdido. Voltamo-nos para os Deuses, buscamos as respostas – mas tendemos a destruir aquilo que procuramos, ou sermos destruídos por isso. Como Icaros, nós tocamos naquilo que não podemos possuir."

7. Dea Pecuniae




"Part I – Mr. Money
Part II – Permanere
Part III – I Raise My Glass
Bem-vindo ao hoje, como apresentado a você pelo famoso “Sr. Money”!
Um verdadeiro idiota!
E então os escravos que nós criamos se tornam nossos Deuses, nossos servos se tornam nossos mestres. Criamos máquinas para facilitar a vida, mas elas a ameaçam, e criamos a economia para colocar um valor comum nos serviços e coisas, mas nos encontramos nas mãos do “Mercado” – culpando o criador nós concebemos o dinheiro de forma a ter um sistema de equivalência para uma sociedade embasada no comércio. "


III – MACHINAGEDDON – Nemo Idoneus Aderat Qui Responderet

8. Vocari Dei


"Sordes Aetas – Mess Age
E finalmente, Deus se torna o escravo do Homem, e naquele depositamos nossas preocupações, naquele colocamos a culpa por nossos erros. Toda a destruição nós permitimos em nome de poderes supremos como os Deuses e a democracia – equanto nos perdemos ainda mais. E Animae aprende a temer a si mesmo e seus fragmentos e peças que vagam pela Terra."


9. Diffidentia


"Exitus – Drifting II
Então todos nos transformamos em Deuses, deixando nossas partes da grande imagem para nos tornarmos “indivíduos” – achando que sempre fomos algo mais. E assim toda ponte permanece inacabada, toda construção não concluída, tanto que podemos orgulhosamente dizer, no fim de nossos dias, que permanecemos fiéis a nós mesmos, permanecemos como tijolos. Animae enfraquece já que o círculo se quebra e os fragmentos da mente não podem retornar."

10. Nihil Morari (Homines Fabula Finis)



"A falha de Animae, a falha de Imago, o fim do ciclo tem início. A Terra, antes fértil e intacta, é deteriorada em meio à discussão pela sobrevivência. Nós planejamos tornar Marte fértil, mas esterilizamos a Terra para ganhar mais dinheiro enquanto fazendeiros precisam de novas colheitas todo ano. Nós estamos cegos por aquilo que buscamos, como Animae, e nossas criações se voltam contra nós. Nada por raiva. Por curiosidade."


IV – MACHINAUTICUS – Daqueles que não têm Esperança

11. Latericius Valete



"Como um último esforço para encontrar as respostas da Vida e do Universo, Deus e nossa origem, nós criamos a mais avançada sonda já construída – “Nauticus”. Contendo a maior quantidade possível de todo o conhecimento da humanidade, ela é a imagem de nós mesmos, construída para aprender na medida em que explora o espaço – e espera-se que nos mande informações de volta, trazendo as pistas que precisamos para salvar nosso próprio planeta."


12. Omni



"Permanere?
Todo o ciclo constituído para resistir deverá se romper. Sem o ciclo de Animae, e agora, o ciclo de Nauticus, nós também quebramos o ciclo da Vida e nosso mundo é incapaz de se sustentar por muito tempo. A humanidade desaparece, deixando o laboratório de observação que criou, dentro do laboratório anteriormente criado por Animae. Nada permanecerá para sempre inalterado."


13. Iter Impius



"Martigena, son of Mars (Obitus Diutinus)
E o primeiro pensamento foi “Eu Sou” – nosso querido Sr. Money ficou obsessivo com seus bens e gastou todo seu dinheiro em formas de ser preservado até que pudesse ser feito imortal. Agora ele acorda diante de um mundo em ruínas, ocupado pelas poucas máquinas deixadas pela humanidade. Ninguém mais decidiu permanecer nesse cenário decadente. Agora ele conseguiu tudo o que sempre quis; é o rei do mundo. Governante das ruínas. Para sempre."

14. Martius / Nauticus II


"Surgir é como adormecer – você nunca sabe exatamente quando isso acontece. A transição. A Mágica. E você pensa que se pudesse apenas retornar para aquele exato momento onde cruza a linha, você entenderia tudo. Poderia ver tudo. À medida que o mundo jaz estéril e morto, Nauticus viaja mais e mais. Eras passam – e uma mente é lentamente reanimada."

V – DEUS NOVA MOBILE - ...e um Deus Nasce

15. Animae Partus II




E o primeiro pensamento é

“Eu sou!”



"I cannot remember not being."











by Daniel Gildenlöw

terça-feira, 7 de julho de 2009

Half Light





'Such a pale light
Such a long night
Pick up that key
Don't drop your gaze in your coffee
Is it me?
Do I look beautiful in the half light?

It's been so long
Years have gone
Since I belonged
Hold me please
Stay with me
And I will sleep

I will go now
But I will be with you
Hold my gaze
Hold me inside you'

segunda-feira, 6 de julho de 2009

These Ain't Royalty Days

'nothing is ever what it seems'


O frio do inverno traz consigo muitas coisas, a despeito do desânimo e da gripe que acomete tantos anualmente; coisas boas.

Não há sensação melhor do que nos embrulharmos num espesso edredon numa manhã de final de semana, embalados por nossas músicas favoritas enquanto realizamos nossa primeira refeição do dia, ainda sonolentos, lemos as últimas notícias, ou apenas agradecemos a Deus por nossa vida e por esse novo lindo dia...
Sempre preferi o frio ao calor, embora seja ótimo curtir uma praia ou uma cachoeira. Quando criança sempre surgia a pergunta clichê de onde você preferiria morar: no Saara ou no Alasca; minha responta era imediata: Na Sibéria. Apesar do idioma difícil e da localização hinóspita, em nenhum outro lugar eu encontraria tanta paz, frio e auroras boreais.

Foi numa dessas belas e frias manhãs de inverno que um garotinho atravessou correndo a sala de estar de sua casa, passando como um carro de corrida por cima daquele espesso tapete vermelho, levantando a poeira que sutilmente o encobria; rompendo com fulgor a porta da saída e envergando com incômodo estrondo o assoalho antigo daquela varanda que há anos era o local onde sua amada avó passava a maior parte das tardes observando a vida passar, e sobre ela tanto refletindo. O descrédito dado hoje em dia aos mais velhos só não é mais lamentável que o desdém dado ao sentimento do próximo. Com eles aprendemos mistérios inimagináveis sobre a vida, passados com amor e serenidade; sabendo que o tempo é aliado importante na busca eterna pela sabedoria.

Os olhos daquele pequeno rebento cruzaram em instantes toda a área da varanda, à procura da velha cadeira de balanço, que mais parecia um relógio antigo quando colocada em atividade, rangendo sistematicamente a cada impulso... ele sabia que onde estaria a velha cadeira, ali estaria sua amada avó. A rápida porém significativa busca terminara logo que uma mecha de cabelos brancos puderam ser vistos esvoaçando impulsionados por tão gelada brisa matutina, que rapidamente dissipava a fumaça saindo da caneca de café cuidadosamente postada ao lado da rangida cadeira.

Mais alguns passos afoitos romperam o sinuoso som da cadeira de balanço e logo pararam, dando lugar a um sorriso que faria brilhar o mais imponente sol mesmo no mais rigoroso inverno. Sorriso esse que é prontamente correspondido e acompanhado de uma cálida mão sobre sua cabeça. Aquele simples gesto refletia todo o carinho, autoridade e amor daquela anciã para com seu amado neto. Ela se surpreendeu por já tão cedo encontrar seu vibrante descendente correndo daquela maneira pela casa; por alguns segundos seus olhos se desviam para a neblina que ainda pairava sobre o jardim de sua casa, se dissipando a cada pinheiro que encontrava pelo caminho.

Alguns segundos são suficientes para que aquele menino, tão cheio de energia e curiosidade dirigisse a razão de tanta pressa para a velha senhora:

- vovó, lembra aquela história que a senhora leu pra mim sobre a princesa, o sapo e o príncipe?

-claro, o que tem ela?

-eu estive pensando vovó, o que aconteceria se a princesa beijasse o sapo e ele não fosse um príncipe?

-bom meu querido, nesse caso eu diria que uma princesa que escolhe o sapo, não é realmente uma princesa.







new word for the day: resilience