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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um Coração Forte


Todo conhecedor, estudioso, ou mesmo entusiasta das ciências humanas, e até mesmo das biológicas sabe, ainda que sem dar a isso muito destaque, que o ser humano funciona através da experimentação e adaptação. Entramos em contato com diversos tipos de informações, sentimentos e situações ao longo da vida, que moldam aos poucos nossa capacidade de lidar com cada um desses eventos. Somos seres adaptativos, que se moldam ao meio em que vivem e com o tempo se acostumam à mais íngreme diferença climática, cultural ou social.

É de interesse de todos viajar, conhecer novos países, culinárias, hábitos, línguas, pessoas, etc. Procuramos ler vários livros, revistas, ver todo tipo de filme pelo menos uma vez, experimentamos pratos diferentes, ainda que a contragosto; primando sempre por nos expandir. Sabemos que a quantidade e a diversidade de informação acrescentam valor ao que somos, nos tornando mais cultos, compreensivos, sábios e inteligentes... Sem dúvida a experiência é uma das formas mais eficientes (mas não mais fáceis) de adquirir conhecimento, e todos sabemos disso.

Eu me pergunto, no entando, por que somos incrivelmente reticentes a essa ideia quando a experiência, pode nos causar qualquer tipo de dor ou sofrimento.
Pessoas decidem sem pestanejar viajar pelo mundo, ou provar alimentos exóticos, conversar com desconhecidos, mas dão tudo o que tem para fugir de qualquer situação conflituosa, ou com potencial de trazer qualquer tipo de dificuldade ou esforço exacerbado.

Mas é inegável que quando passamos por isso, após breve reflexão, fica claro que aquele tipo de situação foi a que mais contribuiu pro nosso crescimento e fortalecimento, nos dando consequentemente, mais condição de criar um ambiente desejável ao nosso redor, ou de com maior destreza evitar uma possível recorrência desse male, seja num futuro próximo ou distante.

Assim como nossos músculos, nossos sentimentos só se fortalecem ao serem esticados e relaxados por diversas vezes. Não, não faço aqui uma apologia à dor, pelo contrário. Que ela seja exceção na nossa vida, mas que como a alegria, seja encarada como algo natural, que independente de desejada ou não, acontece, mas quando vai embora, pode deixar algo mais que uma passageira sensação de prazer ou satisfação.

A vida se torna imensuravelmente deplorável quando se resume à busca de sensações agradáveis e ao distanciamento de qualquer desafio, dificuldade ou sofrimento.
É pela repetição que uma situação primordialmente apocalíptica pode se tornar uma pequena pedra no sapato de um homem, que sequer se incomoda ao chutá-la para fora de seu caminho; conferindo-lhe o luxo de apenas passar adiante dos demais que se deitaram pela estrada, exauridos pelo menor espinho cravadona planta de seus pés.

Já que aprendemos a enfrentar a tudo e a todos como traço característico-social-contemporâneo, que tal aproveitar a viagem para fazer o mesmo com o indesejado e o infortúnio?
Um coração forte é aquele que foi desmantelado e reconstruído várias vezes, que escapa de cravos e lanças como um guerreiro experiente e corajoso.
E sem dúvida a vitória em uma batalha como essa trará mais honra, excelência e força para os que ousaram combatê-la.

Me orgulho das guerras que travei, não somente das que venci.
Pois para caminhar sobre a ponte do primeiro grande castelo conquistado, foi necessário levantar e caminhar sobre os escombros de vários próprios que foram destruídos.

Que venham outras grandes batalhas; guerreiro algum irá correr do local onde Deus um dia o consagrou.





'Não se aprende uma lição que não venha acompanhada da dor.
Já que não se pode construir nada sem um sacrifício.

Mas quando se aguenta essa dor e a supera,
as pessoas conseguem um coração forte que não perde para nada...



...sim, um coração como o aço.'



Um comentário:

Michelle Lima disse...

Um dos melhores textos que eu já li, sem sombra de dúvidas. Parabéns!:)