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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Agora sim o ano começou...

Prólogo - Experimentem digitar a palavra "carnaval" na pesquisa de imagens do google. A primeira imagem que irá aparecer ilustra um pouco do que se trata esse texto. As demais imagens variam entre alegorias fantasiosas mas em sua maioria continuam sendo de mulheres vergonhosamente 'vestidas' (isso me faz pensar de onde vem a indignação do brasileiro ao receber na cara que seu país é conhecido como um prostíbulo no resto do mundo)... Mas vamos ao que interessa:





Quem diz que o ano tem doze meses certamente não é lá muito íntimo com os costumes brasileiros. É praticamente fato inquestionável que o ano, para muitos, só pode realmente começar após as festas de rua e bagunças generalizadas que consolidam o Carnaval. O período correspondente entre a virada do ano e a dita festa representa nada mais que um vácuo temporal onde as pessoas simplesmente tendem a aguardar pela zona e, com isso, comprometem o que deveria ser o início do trabalho e dedicação para um ano mais satisfatório. E agora, somente no final de fevereiro, podemos dizer que o ano começou.

O profissional autônomo sofre em todo início de ano. A lentidão com que o país caminha antes das festas carnavalescas é algo assustador. A conta bancária diminui, o stress começa a tomar conta, a preocupação inerente ao ser humano começa a questionar se o problema é mesmo por conta do “período negro”, até que a tempestade finalmente passa e tudo volta ao normal. Todo ano a mesma história, todo ano o mesmo desejo de sacudir o povo e exterminar essa comemoração. Aliás, um cuidado que todos devem ter: se você não suporta o Carnaval, cuidado, pois muitos tornam-se completamente cegos durante esse período. Fique calado e evite emitir opiniões, sob o risco de perder os dentes. Falar que “o Carnaval de Salvador é a verdadeira visão do inferno” pode gerar muito descontentamento.

E não há como fugir. Seja você amante ou não do Carnaval, o ritmo das músicas e tudo que envolve a festa irá chegar até você. Afinal de contas, mesmo com uma parcela tão grande da massa tendo odiado, quem aí é capaz de afirmar não conhecer o tal do “É O REBOLATION TION TION”? Gruda no cérebro como os doces servidos em barraquinhas de rua grudam no céu da boca. É a osmose do Carnaval (ou como diria um primo, mitose). Quando você menos espera, já sabe até mesmo trechos de sambas-enredos, nomes de carnavalescos, locais da sua cidade onde sairão os “super blocos”. Não há nenhum outro tipo de informação, o país literalmente para por inteiro durante intermináveis cinco dias, que obviamente a maioria consegue ainda a proeza de estender, pois afinal, cinco dias no meio de um mês que deveria ser de trabalho para um ano mais estável não soa lá suficiente para ficar completamente parado.

Durante esse período, já vi praticamente de tudo. Pessoas que admiro e enxergo um grande potencial de sabedoria pulando pelas ruas com uma garrafa de vinho barato na mão e gritando trechos de funk, por exemplo. Mulheres e homens que têm minha admiração deixando-se “engravatar” por pessoas suadas e desconhecidas, agarrando-se em beijos fedidos no meio da rua sem sequer uma simples troca de olhares antecedentes. Indivíduos cujo gosto musical eu conheço muito bem pulando e gritando ao som do axé e do funk. Isso para não citar as terríveis cenas desagradáveis de marmanjos e moçoilas com mais de vinte anos nas fuças deixando-se chegar ao estágio de vomitar pelas ruas. A verdade é que, para muitos, o Carnaval representa uma espécie de libertação, o momento em que podem fazer tudo aquilo que têm curiosidade e vontade, sem sofrerem julgamentos exclusivos. Ora, o Bloco das Piranhas está aí para deixar isso bem claro.

Não deixa de ser interessante o povo brasileiro ter um período para poder extravasar ao extremo do que considera diversão. Pra mim (e apenas pra mim), Carnaval representa “calor”, “suor” e “música horrível”, coisas que realmente não me agradam, mas que posso resolver apenas viajando para um local mais isolado e vivendo um pouco de natureza. O que realmente incomoda, contudo, é a data em que as festividades acontecem, conforme acredito já ter deixado claro. O comprometimento dos meses de janeiro e fevereiro não compensam pela paralisação desmedida e desproporcional. Fosse o Carnaval nos primeiros cinco dias do ano, não teríamos tantos problemas, mas sei da irracionalidade de pedir uma mudança nesse sentido, uma vez que a data é marcada de acordo com a Páscoa (para os que não sabem, o Carnaval é uma comemoração cristã e acontece 47 dias antes da “ressurreição de Cristo”).

No fim das contas, para pessoas que, como eu, não concordam com o período em que acontece o Carnaval e muito menos curtem a comemoração em si, só o que resta é esperar e torcer para que o ano comece logo. Antes disso, o jeito é conformar-se com a morosidade e desinteresse da maioria pela real dedicação ao estudo e ao trabalho.


E para finalizar, nesse vídeo, a brilhante, trágica e inegavel definição de carnaval pelo controverso João Gordo:

http://www.youtube.com/watch?v=CC9WZDfmJC8 (aos 2:41)



Finalmente, que venha 2010.













postado originalmente em: Controle Remoto

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Fantasy lifes, material lies

'all you touch, all you feel, that is the matrix'



Frequentemente me pergunto aonde vão os limites da realidade, e onde entram os sonhos, planos, devaneios, fantasias e mentiras. No plano material está tudo o que nossos olhos podem ver, estimulados e percebidos por sentidos dos quais nos condicionamos a depender. Esse sentidos certamente foram bastante úteis e fundamentais para a vida do homem... Até agora.

Com o advento da progressiva evolução tecnológica e consequente alteração dos padrões de conduta rotineira da humanidade, percebemos claramente uma mudança drástica na forma de percepção do mundo. Cada vez mais o mundi virtual e todas as suas remificações regem o dia-a-dia do homem contemporâneo, transformando antigas certezas em dúvidas, tabus em relatividade e luz em fumaça... Até onde nossos relacionamentos, são verdadeiros? Até onde informações, estímulos e ideais passados através de uma tela digital devem ou podem ser levados em conta?

É realmente incrível como essa nova realidade, que se expande quase que de maneira cósmica, como um big-bang dimensional, firma raízes em nosso subconsciente, e consequentemente na nossa essência. Como pode um canhão de elétrons nos atingir com tanto impacto? Palavras são ditas mas sem voz, sem expressão, sentimentos são transmitidos sem olhares, sem o toque de uma mão morna, mas ainda assim surpreendentemente atingem o interior das pessoas, modificando suas atitudes, seus pensamentos, suas vidas. Até onde isso será confiável?

Materializar o que foi digitalizado pode (e é) um processo demasiadamente complexo, e proporcionalmente perigoso... embora milhões e milhões de pessoas o façam sem hesitar dia após dia. A humanidade se vê mergulhada nesse universo de bytes, números, cores e códigos, sem sequer fazer ideia de quais são os princípios que o regem. Muitos dizem ser uma terra de ninguém, um espaço totalmente livre e desregrado que permite que as mentes mais distorcidas e incontidas por qualquer variável social possam ser mais que pernas, asas. Um voo irrestrito, freado timidamente por leis que ainda engatinham, tentando acompanhar o desenvolvimento catastrófico das atitudes de algumas dessas mentes sem barreiras; como o ar que causa um atrito ínfimo no plainar de uma ave.

Desde o nascimento aprendemos a depender do auxílio, da proteção, da colaboração ou mesmo da compreensão de outras pessoas para enfrentar todo e qualquer obstáculo que a vida venha nos impor. Alguns permanecem com essa garantia, essa certeza, esse alívio por toda a vida, outros gradativamente aprendem a voar por si mesmos e sobrepõem-se a tais situações, mas no mundo sem leis, todo e qualquer auxílio ou proteção de mostram inexistentes, a exposição é inevitável, completa e irrestrita. O antes tão confiável mundo material e táctil dá lugar ao intocável, ao metafísico, dá lugar a algo em que palavras se misturam palavras e pensamentos, intenções e atitudes, verdades e mentiras.

Sem dúvida a cada passo dado para frente na trilha do desenvolvimento, diversas ramificações paralelas são desnudadas, e pouco é feito no sentido de apará-las ou mesmo compreendê-las, e os caminhantes da estrada da sobrevivência se veem desamparados, ignorantes e indefesos. Sorte mesmo dos que por si só desenvolveram asas que os permite passar acima de tudo isso. É o que muitos chamam de superação do eu, morte do ego, ou o lendário 'superhomem' apresentado por Zaratustra.

Afinal quem poderia não se sentir perdido num mundo criado por homens? Homens tão falhos, tão influenciáveis, tão incompreensíveis... Seres que não descobriram plenamente a ponto da prática, nem mesmo as regras que deveriam aplicar a si mesmos, com fulcro de encontrar paz, harmonia e felicidade, quem dirá de suas capacidades de criar para si um universo próprio?

Aviso para os que não tem asas... todo cuidado é pouco quando se caminha para dentro daqueles olhos...

eyes...

computer eyes!






























'Lost in a world created by Man
I can't recall how it all began
Tell me who am I?

Fictional stars in lost Galaxies
Synthetic dreams and false Memories
Is it all a lie?

Virtual reality - computer Override
Actual fantasy locked away Inside
Am I no more than a Program
An artificial dream
A river of electrons flowing With the stream
A parallel dimension battle Simulations
Mind over matter brain Stimulation
I don't know if I exist I think Therefore I am
Without emotions I'm but a Hologram
There's no escape I'm locked In this universe
Where fantasy dies material Lies
Computer eyes

There is no escape
There is no way out of here
I'm locked in this universe
The real world will disappear
Where fantasy dies
You will see our dreams
Material lies
Materialize
Computer eyes
Computerize'


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

The Ladder Theory

Como é de costume sempre escrevo aqui sobre coisas que estou lendo, vivendo e aprendendo... Muitas das coisas que vivemos vem se tornar uma lição concreta no mesmo momento em que tal coisa acontece, ou mesmo depois de alguns dias, fruto de reflexões mais estensas... Já outras vão sendo comprovadas por experiência própria ou de terceiros ao longo da vida... Esse é o caso da teoria que irei apresentar agora: A teoria da escada.


Aqui segue o texto em português da Wikipédia (muito tendencioso aliás) que dá uma geral no conceito.

Em inglês, existe o site original com a teoria explicada passo a passo com suas decorrências teóricas, podendo ser encontrado aqui.

Resumidamente, no conteúdo geral a Teoria da Escada não difere do que já aprendemos, mas fornece explicações interessantes sobre como se forma o fenômeno "amigo assexuado" por exemplo.

Tecnicamente, o homem possui uma "escada" onde no topo existe o máximo de desejabilidade que uma mulher pode atingir para ele, e abaixo, o mínimo - pouco antes do abismo. Ao ver uma mulher o homem a posiciona em algum ponto dessa escada, de modo que logo que ele vê duas, e elas ocupam altitudes diferentes, significa literalmente "eu quero essa mulher mais do que eu quero aquela", supondo que ambas estejam mais para o topo do que para baixo, mas com uma disparidade notável entre ambas.

A mulher, por outro lado e dentro de outro sistema de avaliação, possui duas escadas: a dos caras com quem ela se relacionaria emocionalmente, e a escada onde ela bota os amigos, ou seja, aqueles com quem não faria teria nada além de conversas.





O problema começa no fato de que a mulher nunca deixa um homem saber em qual escada ele está, e é no espaço que existe entre as duas escadas que são dados os Beijos da Morte, e que as Prostitutas Intelectuais são feitas. Se o homem em questão chega e encosta ela na parede, e ele está na escada boa, tudo bem. Se ele está na escada dos amigos, e tentar saltar para a escada dos atraentes (para ela), duas coisas podem acontecer: ela pode deixar ele se agarrar nessa boa escada, ou chutar a cabeça dele e o fazer cair no abismo. É então que o contato é interrompido, ou na melhor das hipóteses, a mulher trata de recolocar ele na escada dos amigos lhe permitindo fazer-lhe favores.


A disparidade:


A escada é obviamente uma via de mão dupla. Quando Bob conhece Jane, ele bota ela em algum ponto de sua escada, e Jane faz o mesmo em uma de suas escadas (são duas, lembra?). Neste caso, Jane o colocou na escada boa.

Repare que Bob está bem alto na escada de Jane, e Jane, bem baixa na escada de Bob. A julgar pelas posições, e pelo sistema de avaliação predominante do homem e da mulher, diriamos por exemplo Bob é rico e Jane é feia.

Na imagem em questão, a hipotenusa formada representada por “c” é a disparidade entre Bob e Jane. Quanto maior a disparidade em favor do homem, maior o tempo que a mulher vai aturar ele traindo, usando ela, ou até mesmo pagando coisas para ele.

Se a mulher está na posição de poder (mais acima da escada do homem do que ele na dela) quanto maior essa disparidade, mais tempo ele vai suportar gastando dinheiro com ela, buscando coisas no meio da noite ou ouvindo histórias sobre o outro cara com quem ela está saindo.





Linha de corte no Sistema de Atração Feminino, Considerando "Aparência":

Previamente, foram mostrados os sistemas de avaliação masculina e feminina distribuído sob a forma:

50% - Dinheiro/Poder
40% - Atração
10% - Coisas que as mulheres dizem que se importam, mas não se importam (sensibilidade, cumplicidade, carinho etc.).

A Linha de Corte visa explorar mais detalhadamente o que é "Atração".

De acordo com essa subclassificação, o fator Atração estaria dividido em:

50% - Atração física
20% - Competitividade
20% - Novidade
10% - Outros

Até o momento, cobri o básico da Teoria da Escada tendo como referência os originais em inglês.

Infelizmente o site é em inglês, não consegui uma versão completamente traduzida da Teoria da Escada, e o artigo da Wikipédia é politicamente correto.

O termo Prostituta Intelectual está explicado minuciosamente no artigo da Wikipédia, no entanto:

As diferenças entre o sistema de escada única masculino e o sistema de duas escadas feminino, segundo a teoria da escada, geralmente levam a incompreensão mútua. O mais clássico exemplo na Teoria da Escada seria o do "cara legal". Nesse modelo, um homem procura aumentar seu apelo com uma mulher demonstrando qualidades que ela valoriza em outra pessoa (por exemplo, paciência, gentileza, consolação). Para ele, isso é percebido como simplesmente um aumento em seu apelo total na escada única; para ela, no entanto, tal comportamento elevaria sua posição na "escada da amizade" e, por conseqüência, o rebaixaria na escada de potenciais.

Um termo mais grosseiro para o mesmo princípio vem do conto "The Whore of Mensa", de Woody Allen: a Teoria da Escada sugere que um homem que tente apelar para uma mulher através de estimulação intelectual corre o risco de, ao invés de tornar-se ou substituir o parceiro sexual dessa mulher, tornar-se o que Allen satiricamente descreve como sendo uma "prostituta intelectual" -- alguém procurado apenas com propósitos intelectuais, sem o menor interesse por parte da mulher em ampliar o relacionamento em outras dimensões.




'postado originalmente em: Reflexões Masculinas: por Rant Casey.'

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tōka Kōkan




Muitos aqui já estudaram sobre a Lei da Conservação da Massa, publicada em 1760 por Lavoisier. De acordo com essa lei, em qualquer sistema, físico ou químico, nunca se cria nem se elimina matéria, apenas é possível transformá-la de uma forma em outra. Há uma variação dessa lei aplicável à alquimia, chamada de Lei da Troca Equivalente (em japonês: 等価交換 Tōka Kōkan).

Essa lei diz que nada pode ser obtido sem algum esforço, que o sacrifício feito para obter algo deve ser proporcional ao que se deseja conseguir. É uma lei que para muitos não quer dizer muita coisa, mas para outros é um princípio de vida. Ao observar o mundo vemos que poucas pessoas acreditam e seguem esse princípio, à medida em que crescemos, passamos por experiências negativas ou dolorosas, vamos tendo esse pensamento (ainda que inconsciente) minado, diante da injustiça, da desigualdade, e do fato inegável de que infelizmente sempre haverão pessoas pagando pelos erros de outros.

Acontece que não há melhor forma de equilibrar as desigualdades desse mundo do que aplicar essa lei em nossa vida, onde seria inconcebível aceitar algo sem algum esforço, sem um trabalho, sem merecimento, sem suor, sangue ou lágrimas. Não digo apenas de pagamentos ou trabalhos físicos. Tudo o que vivenciamos traz consigo algum esforço e consequentemente alguma lição. Ignorar isso e continuar vagando pela vida como num deserto pagão é o mesmo que criar uma desarmonia na ordem natural que as coisas deveriam seguir. De pequenas até grandes coisas e atitudes o esforço deve ser proporcional ao resultado... Tudo o que foge disso provém da entropia, causando assim o desequilíbrio.

Todos deveriam dar um tempo a si mesmos pra avaliar as coisas de uma forma diferente, olhar para trás e procurar entender as implicações, razões e consequências das tantas coisas com as quais tivemos contato ao longo dos anos. Só assim será possível conceber a lógica e a razoabilidade presente na lei da troca equivalente.

Por vezes, parece-me que tal pensamento soa um tanto infantil, que os adultos aprenderam realmente que podem obter coisas de maneirar escusas, por caminhos mais largos e cômodos. Pode ser que o sonho de uma criança representado por essa utópica realidade não venha a tomar formas no mundo físico, mas ainda assim... ainda assim perceberemos o quanto as coisas estão fora da ordem, fora de como deveriam ser, o quanto nos afastamos da essência e do propósito ao qual fomos criados. Pensando assim, talvez a pureza, inocência e a honestidade de uma criança devam ser levados mais a sério na busca por essa lendária Pedra Filosofal.



" As pessoas não podem ganhar nada sem sacrificar algo,
você deve dar algo de mesmo valor para ganhar alguma coisa.
Esse é o princípio da Troca Equivalente.
Naquele tempo, acreditávamos ser essa a verdade do mundo.
Contudo, o mundo real não é perfeito,
então não existe apenas uma única lei que governa tudo que acontece nele.
É o mesmo para a Troca Equivalente.
Ainda assim, acredito que as pessoas não podem obter algo sem pagar um preço.
A dor que sentimos foi com certeza preço o suficiente a ser pago.
E qualquer um que pague o preço conhecido como trabalho duro, certamente ganhará algo.

A Troca Equivalente não é a lei que governa esse mundo...
E até o dia em que eu me encontrar com Ele de novo, essa é a promessa..."







'Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.
Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho, e então, prudentemente te conduzirás.
Não te mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo, não pasmes, nem te espantes,
porque o SENHOR, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares." Js 1 7-9.








sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Undertow



Todos procuram uma resposta, alguma resposta.
Ainda que alguns escolham relegar suas vidas à pura inércia, mais cedo ou mais tarde serão inevitavelmente visitados por questionamentos que necessitam de uma resposta.
Os mais corajosos a buscarão por conta própria, os mais criativos inventarão uma resposta, e os mais covardes se esconderão dela.
Há ainda aqueles que nada podem fazer além de esperar por uma. É para estes que dedico esta canção, esta letra, essa lição.

http://www.4shared.com/file/25594365/b72e236a/Pain_of_salvation_Undertow.html






Undertow




Let me go
Let me go
Let me seek the answer that I need to know
Let me find a way
Let me walk away
Through the Undertow
Please let me go

Let me fly
Let me fly
Let me rise against that blood-red velvet sky
Let me chase it all
Break my wings and fall
Probably survive
So let me fly
Let me fly...

Let me run
Let me run
Let me ride the crest of chance into the sun
You were always there
But you may lose me here
Now love me if you dare
And let me run

I'm alive and I am true to my heart now - I am I,
but why must truth always make me die?

Let me break!
Let me bleed!
Let me tear myself apart I need to breathe!
Let me lose my way!
Let me walk astray!
Maybe to proceed...
Just let me bleed!

Let me drain!
Let me die!
Let me break the things I love I need to cry!
Let me burn it all!
Let me take my fall!
Through the cleansing fire!
Now let me die!
Let me die...

Let me out
Let me fade into that pitch-black velvet night




(...)







we belong together












'round and round it goes and again
oh I can't get it out of my head

wish I'd be a bird of prey
a pure and blessed
a hawk who could ease the pain

don't look back tell me
is it where you belong
a place in the dark
a song without hope
don't look back tell me
is it where you belong
I'll wait for an answer

so far...'


































.the truth is the truth, all you can do is live with it











quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Síndrome de Don Juan






'Fica mais difícil entender os novos tempos, quando consideramos que as expressões ficar com... e sair com... significam a mesma coisa, apesar dos termos ficar e sair serem antagônicos.

Donjuanismo é uma expressão em desuso que veio à tona há algum tempo, depois do filme Don Juan de Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp. O filme Don Juan de Marco foi escrito e dirigido por Jeremy Leven.

Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. O primeiro romance com referência ao personagem foi a obra El Burlador de Sevilla, de 1630, do dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente Don Juna aparece em José Zorrilla com a estória de Don Juan Tenorio. A figura de Don Juan foi também cultuada na música, em obras de Strauss e Mozart, este último com a ópera Don Giovanni, composta em 1787. Outro paradigma do eterno sedutor é a figura de Casanova, conhecida pela autobiografia do veneziano Giovanni Jacopo Casanova.

Mas a figura do eterno sedutor continua atrelada à Don Juan, que aparece ainda na obra de Molière, em Le Festin de Pierre, no poema satírico de Byron chamado simplesmente Don Juan, no drama de Bernard Shaw, chamado Man and Superman.

Segundo Jung, para quem qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, Don Juan pode representar nossos arquétipos (Walter Boechat - veja mais sobre o filme).Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada , inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma mulher.

O donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, classificação esta estribada particularmente em valores culturais e morais. Não existe essa denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que pessoas assim deixam de existir.

Independente das interpretações psicanalíticas sobre o filme Dom Juan de Marco, interessa aqui apenas caracterizar um tipo de conduta atual; a inclinação que as pessoas têm para liberdade sexual explícita. A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma forte compulsão para sedução, entretanto essa ocorrência não é isolada nem única na personalidade da pessoa, mas reflete sim uma estrutura social e comportamental especial.

Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. As pessoas com essas características são os anarquistas do amor (Sapetti), tornando válidos quaisquer meios para conquistar, entretanto, os entimentos da outra pessoa não são levados em conta. Aliás, Foucault enfatiza essa questão ao dizer que Don Juan arrebenta com as duas grandes regras da civilização ocidental, a lei da aliança e a lei do desejo fiel.

Em psiquiatria clínica, entretanto, a despeito do aspecto contestador que Foucault quer ver nessa atitude, o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critérios para o diagnóstico de Sociopatia ou Personalidade Anti-Social. Para o donjuan só interessa o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a presa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc).

Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".

O aspecto de desafio mobiliza o donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar essa ou aquela mulher. Não é raros que esses conquistadores tragam listas e relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.

Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes desses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o donjuan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.

O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, ao ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.

Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, a conquista compulsiva do Donjuan serve-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, entretanto, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o Donjuan começa a se desestimular com a conquista, quando percebe que a mulher conquistada já está apaixonada por ele, ou ainda, pode nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a mulher aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a mulher é indiferente ou não cede à sua sedução, o Donjuan se torna mais obstinado ainda.

Não será totalmente lícito dizer, como dizem alguns, que o Donjuan se diverte com o sofrimento alheio. Na realidade parece mais que seja insensível ao sentimento alheio do que tenha prazer com ele. De fato, parece que eles não experimentam com o amor o mesmo tipo de sentimento que as demais pessoas. O amor neles é um sentimento fugaz, passageiro e que, continuadamente, tem o objeto alvo renovado. Se algum déficit pode ser apurado na personalidade do Donjuan, este se dá no controle da vontade.

Apesar dessa compulsão à sedução, isso não significa que a pessoa portadora de donjuanismo seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente. A contínua sedução do donjuan nem sempre se dá às custas de um eventual desempenho sexual excepcional mas sim, devido à habilidade em oferecer sempre às mulheres tudo aquilo que elas mais estão querendo. Nesse sentido, todos eles são sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. Eles têm habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e, são igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.

Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade do donjuan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.).

"Ficar com..."

"Ficar com...", "sair com...", "namorix", são termos atualmente usados para designar a atitude de se relacionar sexualmente (com penetração sexual ou não), fortuitamente, fugazmente e sem nenhum compromisso de continuidade. Este relacionamento é fortuito porque não implica, obrigatoriamente, em nenhuma combinação ou contrato prévio, é fugaz devido à provisoriedade da união. Não há compromisso de continuidade porque, ao menor sinal de interesse de um dos envolvidos no sentido de continuar, a relação se desfaz e é evitada (diz-se que fulano(a) não é legal porque pega no pé). Nessa nova modalidade de relacionamento não há envolvimento amoroso, não há cobrança de compromisso e os objetivos se concretizam e se esgotam no orgasmo ou na despedida, normalmente com satisfação bilateral.

A mulher começou a expandir significativamente sua sexualidade depois da disseminação do uso da pílula anticoncepcional, nas décadas de 60-70, e a inconseqüência sexual que antes era monopólio dos homens, também passou a ser experimentada por ela. Descobriu-se que o prazer podia ser bilateral e, a partir daí, deixou-se de falar que fulano se aproveitou de fulana; ambos se aproveitam.

A atitude de "Ficar com..." é diferente daquilo que se entende por donjuanismo porque não implica numa verdadeira conquista. "Ficar com..." é uma afinidade recíproca, e um não conquista o outro porque ambos estão, decididamente, com o mesmo objetivo em mente.

Se no donjuanismo a insensibilidade e menosprezo para com o sentimento alheio são a marca do diagnóstico, "ficar com..." implica, em essência e caracteristicamente, na ausência de sentimentos mais profundos de ambas as partes. Assim sendo, não havendo sentimentos profundos, não há o que menosprezar.

Conseqüentemente e decididamente, entre a população adepta do "ficar com..." não há espaço para o Donjuan. Nesse meio ele não encontra sua presa, já que as mulheres não preenchem os requisitos de candidatas. Aqui as mulheres, como se diz, estão a fim, não costumam ser comprometidas, não são conquistadas, uma vez que o conluio é também o objetivo delas, portanto, a compulsão do Don Juan se desfaz ante a ausência do desafio.

Donjuanismo Feminino

Mas, mesmo com a moda do "ficar com..." e com a maior liberalidade feminina o donjuanismo não desapareceu. Antes disso, atualmente já pode ser possível observá-lo entre as mulheres. Embora num campo da ação muito mais restrito, o donjuanismo continua fazendo suas vítimas sentimentais; agora, femininas e masculinas.

Não há designação satisfatória para descrever a mulher que preenche os requisitos do donjuanismo, mas elas existem indubitavelmente. São também pessoas movidas pela compulsão da conquista do outro, pela inclinação ao relacionamento impossível, seja com homens mais velhos ou muito mais novos, casados, padres, enamorados de outras mulheres, enfim, pessoas que oferecem alguma condição de desafio.

No donjuanismo feminino, tanto quanto no masculino, não há necessidade invariável de concluir a conquista através do ato sexual. Basta a mulher perceber que o objeto da conquista está, digamos, aos seus pés, que a motivação para continuar o relacionamento se desvanece.

Representação Cultural do Donjuanismo

Evidentemente o mito de Don Juan pode epresentar um ideal masculino e, em alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. A conquista como reforço da auto-estima pode, durante alguns momentos da vida ou em certas circunstâncias afetivas, ser eficiente. Entretanto, sendo a personalidade mais bem estruturada, a atitude conquistadora acaba mais cedo u mais tarde.

Outra característica que diferencia as conquistas circunstanciais, apesar de múltiplas, do donjuanismo, é a ausência de consideração para com os sentimentos alheios que sempre está presente neste último. Nas conquistas múltiplas e circunstanciais a pessoa tem boa noção e crítica sobre os eventuais transtornos sentimentais causados nas pessoas conquistadas e, em seguida, abandonadas. Evidentemente a existência da atitude de Don Juan só existe em decorrência da existência da vítima, ou seja, o Don Juan só tem sucesso passando-se por príncipe, encantado enquanto houver mocinhas em busca de príncipes encantados.

O Don Juan nunca é uma pessoa absolutamente normal, trabalhadora e submetida às angústias do cotidiano como qualquer um, nunca é uma pessoa que sofre as limitações costumeiras da falta de dinheiro, do tédio da monotonia da vida e coisas assim. Normalmente o papel do Don Juan é excêntrico e exótico, ele é de fato o que sonham as mocinhas incautas.

Psicopatologia:

- Seria o donjuanismo uma doença?
- Seria uma doença, merecedora de tratamento ?

Considerando o critério estatístico, aquele que constata a normalidade ou não-normalidade tomando como base a ocorrência estatística do fenômeno, podemos dizer que o donjuanismo não é normal (maioria dos homens não são assim).

Mas, a maioria dos homens não é assim? Não conquistam? Não se arriscam a novos relacionamentos?

Na realidade, a diferença está no fato de que a expressiva maioria dos homens não é destituída de consideração para com o sentimento dos outros, mais especificamente, podemos dizer que a maioria os homens se mobiliza com o sentimento das mulheres.

Mas, em psiquiatria ou na medicina geral, ser não-normal não significa, obrigatoriamente, ser doente. Para ser objeto de atenção médica é necessário que essa não-normalidade implique num aspecto de morbidez, ou seja, implica na necessidade de sofrimento da pessoa ou de terceiros. Então, o donjuanismo poderá ser objeto de atenção médica na medida em que produz sofrimento.

Dentre os quadros classificados no DSM.IV e na CID.10, alguns critérios encontrados no Donjuan podem também ser encontrados no Transtorno Dissocial da Personalidade, da CID.10, ou em seu correspondente no DSM.IV, Transtorno Anti-social da Personalidade.

Entre os critérios do DSM.IV para o Transtorno Anti-social da Personalidade temos os seguintes:
Critérios para 301.7 - Transtorno da Personalidade Anti-Social

A. Um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
(1) fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção
(2) propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer
(3) impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro
(4) irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas
(5) desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia
(6) irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras
(7) ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.
B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.

Entre esses critérios do Transtorno Anti-social da Personalidade, o Donjuan puro e sem outra patologia poderia cumprir os itens 1, 2, 3 e 7. Não mais que isso e, talvez isso não seja suficiente para alocar essas pessoas nessa classificação. Normalmente elas trabalham, não costumam ser irritáveis e agressivas, não desrespeitam a segurança própria, etc.

Entretanto, sob o código 302.9 do DSM.IV há o chamado Transtorno Sexual Sem Outra Especificação. Diz lá, que esta categoria é incluída para a codificação de uma perturbação sexual que não satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual específico, nem seja uma Disfunção Sexual ou uma Parafilia. Cita como exemplos o seguinte:

1. Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade.
2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas.
3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.

Nosso Don Juan poderia ser incluído no item 2 desse diagnóstico mas, mesmo assim, fica meio vago e pouco preciso pois, em nosso caso, o sofrimento seria mais por conta das vítimas do Don Juan que dele próprio e isso não está claro na descrição do DSM.IV.

Conclusões

A impressão (falsa) que se tem sobre o donjuan é que, assim como é bem sucedido nas conquistas amorosas, também deve sê-lo em relação aos demais aspectos de sua vida. Entretanto, apesar dessas pessoas dominarem muito bem a arte da conquista do sexo oposto, elas não costumam ter a mesma habilidade em outras áreas da atividade humana; ocupacional, empresarial, estudantil ou mesmo familiar.

A trajetória de sua vida nem sempre resulta num final satisfatório. Normalmente as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixarem com nenhuma companhia mais seriamente, não constituem família e acabam se aborrecendo quando constatam que não têm mais facilidade para conquistar mocinhas de 20 anos quando já estão na casa dos 60. Além disso, muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas totalmente fora do contexto.

Além disso, eles podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados têm família e eles já não podem desfrutar de tantas companhias femininas como outrora.

Tendo-se em mente a natureza constitucional do donjuanismo, ou seja, considerando ser este um defeito do caráter, o tratamento mais eficiente deve ser pleiteado para as intercorrências emocionais que acometem o paciente por conta da situação vivencial em que se encontra e não, diretamente dirigido à essa característica da personalidade.

para referir:
Ballone GJ - Síndrome de Don Juan e "Ficar com" - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2004.'

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Mistério do Áureo Florescer






Uma das maiores tendências dos tempos atuais é ver pessoas buscando alegria, felicidade, prazer, realização de sonhos. A pergunta que nunca deixa de estar em primeiro plano é: Como atingi-los?
Mas antes dessa pergunta, urge que uma outra seja respondida: Porque eu quero isso?

A fonte dessas aspirações de vida pode estar longe de ser do tipo que traz águas que matam a sede, ou da água que dá ainda mais o que deveria suprir. Creio que ninguém ficaria contente ao sentir sede e receber um pedaço de paçoca na boca.

O que fazer para reconhecer a procedência de uma água e qual a sua real natureza? Analisá-la.
Mas transpondo isso para o aspecto da vida prática creio que levaríamos algumas centenas, pra não dizer milhares de anos. Essa é sem dúvida a má notícia. A boa é que muitos homens já fizeram grande parte desse trabalho ao longo da história. Sim, a sede pela água milagrosa não é uma busca contemporânea, de forma alguma... Mas como tudo que possui grande valor é conquistado após grande esforço, essas respostas não estão condensadas de uma forma única, e sequer são de fácil compreensão por qualquer que coloque as mãos nos escritos que iluminam a alma.

As respostas que saciariam a condicionada sede humana fazem parte de experiências, lições e sacrifício de incontáveis vidas, por incontáveis anos. É um preço alto e talvez ainda sim injusto a se pagar por isso. Lendo os diversos evangelhos, ou escritos orientais e hindus, temos uma quantidade impressionante de convergências no que concerce a práticas mentais, perfis comportamentais, ideologias a serem adotadas, e mais um turbilhão de devaneios e distorções de um caminho simples.

Contudo, a aplicação de algo simples se torna demasiadamente complicada quando falamos de vidas, almas, mentes que são tão diferentes como a constituição física de cada floco de neve que já desceu dos céus. É por isso que vemos uma diversidade incrível de seitas, grupos, religiões e sociedades secretas que teoricamente (ou aparentemente) buscam a mesma coisa. Aprimoramento, redenção, salvação, harmonia, paz, fraternidade. Alguns seres humanos se mostram invariavelmente incompatíveis com essa ou aquela doutrina, com esse ou aquele ditame comportamental, não importando o quanto se esforce para se adequar ao propósito.

São particularidades que inviabilizam a uniformização dos ensinamentos estabilizadores do eu absoluto, devendo as mesmas serem previamente expostas, com a maior dose de honestidade e desapego ao ego possíveis. Somente dessa forma é possível olhar para o que temos de mais bem guardado, ou propositalmente escondido, e dessa forma iniciar o penoso, porém inigualavelmente compensador trabalho manutenção do ser. Um ser cercado por dogmas, máximas, proibições infundadas ou vaidade exacerbada, pode infelizmente tentar mexer em si mesmo durante toda a vida, mas certamente não conseguirá nada além de arranhar sua própria superfície, criada pelo próprio ser, numa tentativa vã de proteger-se do sofrimento causado pelo simples ato de viver.
Tentar poupar-se dos estigmas causados por erros, decepções e desilusões é furtar-se da busca por uma alma forte, de um espírito completo. Toda queda é plataforma para uma grande ressureição, desde que o corpo e a mente estejam conscientes e fortes o suficientes para alçar tal voo.

Muitas outras questões que avassalam a quase todos tem origem em ações vindas de si mesmo, frutos de consequências impensadas ou mesmo desconhecidas, e um consequente despreparo no trato das mesmas. E quão árdua é a tarefa de reconhecer isso, para os que se revestem de uma armadura de autopiedade ou religiosidade, encontrando sempre um terceiro sob o qual recairá erroneamente a responsabilidade sobre qualquer tipo de fiasco? A consciência pode se sentir livre, mas o espírito permanece perturbado, e a paz, distante. Pois que mérito haveria no salvador de uma vítima colocada em perigo por si mesmo? Ou que honra haveria numa vitória sobre um adversário criado pelo próprio guerreiro? Isso não é evolução, não é aprendizado, e sim como o cão que anda em círculos diversas vezes antes de despejar no solo suas necessidades. Que sentido há em pessoas que não conseguem dominar nem a si mesmas em situações banais, mas ainda assim querem educar filhos, ensinar outras pessoas, dirigir comunidades,fiscalizá-las, ou ainda ditar regras gerais para o mundo?

O Segredo do Áureo Florescer é acompanhado da plenitude física, psíquica e espiritual, e jamais poderá ser sequer vislumbrado, sem que o desenvolvimento dessa tríplice que une o humano ao divino. Muito pouco se pode fazer nesse sentido quando vivemos cercados de tumúltuo, pressa e desconcentração, trazidos por uma sociedade iminentemente emocional, irracional, com todas as suas cores, formas, sons e informações sem filtro algum. Cidadãos que se acham livres e almejam a felicidade, na verdade se encontram atados como marionetes, sempre contemplando a longa distância tudo o que desejam, mas raramente chegando sequer a tocar no objeto de afeição. E ainda que consigam essa façanha, não atingem nada além da decepção, por perceber que tudo aquilo não passava de um jogo de fumaça e espelhos, onde a verdadeira realização encontrava-se no lado oposto.

Como veio o homem e se distanciar tão demasiadamente de sua essência primordial?
Que valor há hoje em caminhar descalço sobre a terra, ou sair na chuva para sentir aquele incomparável cheiro de renovo, de vida? Ou mesmo observar descompromissadamente o intenso e ofuscante brilho das estrelas numa noite de verão? Onde foram parar as atitudes e pensamentos básicos que nos tornam diferentes de qualquer animal que vive por instinto, para satisfazer seus próprios ímpetos? Como podemos nos vangloriar de um cérebro tão avançado se retrocedemos a ponto de usá-lo somente para satisfazer nossos desejos egoístas e pequenos, não pensando no todo, no maior? Que tipo de ser é esse que tem a capacidade de tornar o planeta onde vive um lugar maravilhoso, pleno, frutífero e harmonioso, mas consegue ser o pior parasita que essa Terra já conheceu?

É hora de parar. Ir contra a orientação de tudo e todos... e parar.
Sem reflexão toda e qualquer ação conduz à desgraça.
É hora de lembrar do nosso papel, e apressarmo-nos a cumpri-lo em primeiro lugar.
Ocupando-nos do dever, não porque depois teremos invariavelmente alguns direitos... Mas simplesmente porque é o que deve ser feito.

Que cada um aprenda a se conhecer, assim, poderá conhecer também a verdadeira liberdade.











earth.